Desculpem o tom, mas é mesmo um desabafo...
Desde que saí da casa da minha mãe, nunca tive carro. Usei uma scooter como meio de transporte e uma bike. Não concomitantemente. Da scooter eu abri mão quando uma madame tentou me matar, da bike, quando parei de trabalhar perto de casa.
Hoje, para a minha infelicidade, tenho um carro. Não que eu ache ruim poder ter um carro, mas acho ruim ter que ter um. Carro implica gasto com manutenção, seguro, gasolina, estacionamento e impostos. Além de muito estress. Se você tem um carro, vai ter que andar com ele no trânsito e aí vai lidar com o melhor tipo de pessoa #sqn.
O carro é um símbolo de poder. Ter um carro coloca você acima de quem não tem (ou de quem não está no carro naquele momento). Para algumas pessoas, ausente de qualidades individuais, o carro é a única maneira de se conseguir respeito. Muitos colocam todas as frustrações no veículo. A sensação de poder, de estar protegido pela couraça de metal, de ser quase um mascarado, permite aos projetos de delinquentes cometer todo o tipo de delito com a desculpa de "mas onde eu ia para o MEU CARRO?".
Tudo é desculpa. O do carro maior "não" viu o menor, o mais caro podia sim fechar o mais barato, afinal, ele não ia chegar a tempo mesmo. Tudo pode, menos parar no lugar permitido, dar passagem, para no sinal vermelho quando não tem pardal…
Eu odeio o trânsito porque as pessoas são egoístas e mal educadas. Vale mais botar a mãozinha pra fora e fechar o outro do que dar a seta avisando que vai virar. Somos uma legião de inválidos parando no meio fio, subindo a calçada, estacionando em fila dupla, porque não podem andar 5 minutos até o destino. Eu me pergunto se o estacionamento subterrâneo (a ideia de jerico mor) vai funcionar, afinal, quanta gente não insistirá em estacionar em cima porque dá muito trabalho subir escada.
"Servidor público, ai como eu odeio você nessa hora!" Só entende quem mora na 402 Sul e quer sair da sua própria quadra entre 14 e 18 horas. O pessoal do setor de autarquias estaciona em fila dupla, sendo que tem vários prédios repletos de vagas devidamente reservadas para esse fim. Mas os inválidos mentais não podem andar um pouquinho. Eles precisam tornar a nossa vida um inferno. E ainda assim, não tem nem o bom senso de não estacionar na curva. Correm demais para quem está andando numa residencial, trancam a pista de modo que só pode passar um carro de cada vez, onde passariam 2. E ah, são todos apressadinhos e rápidos na buzina.
Mas eu gosto mesmo dos donos de utilitários. Sempre sozinhos nos seus carros, nunca parando no lugar certo, ainda tem a ilusão de que seus carros não são um trambolho, param de qualquer jeito. Só porque sabem que as encostadas dos outros, no máximo, pegarão nos seus pneus. Como vocês são incômodos! Espero que no fundo, sintam-se felizes por estarem na contra-mão do mundo. Tem gente que diz que é o carro ideal para a família, mas qual? A menos que essa família possua 7 integrantes e esteja sempre de mudança, não vejo a utilidade de um utilitário.
De todo modo, nada pior do que o DETRAN que NUNCA multa esse povo. Eu me pergunto para que ele serve. Quando alguém já viu um veículo estacionado em lugar indevido ser rebocado? Realmente não dá pra confiar no bom senso alheio, tem que multar. Mas só multa no pardal, na câmera. Porque o cara não quer nem sair do lugar. Fica lá, olhando a telinha e arrecadando dinheiro. É mesmo um absurdo. Qualquer voltinha no Setor de Altarquias, Bancário e na 402 Sul no horário comercial ia render uma fortuna em multas para o governo. E quem sabe com o dinheiro ele pensasse melhor e colocar um asfalto "à prova d'água"?
Mostrando postagens com marcador crônica brasiliense. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador crônica brasiliense. Mostrar todas as postagens
quarta-feira, 26 de março de 2014
domingo, 30 de setembro de 2012
As relações de poder no trânsito de Brasília
E a minha cabeça cheia de idéias que precisam abrir espaço para coisas mais "importantes" no momento.
Ah, só uma observação às amigas blogueiras: finalmente recebi minha primeira trolada!!! Tô virando celebridade! hehehe
Eu estava pensando com os meu botões depois de ler livros e mais artigos num dia normal de estudo, quando, ao atravessar a rua para ir na papelaria eu quase morri. O sinal estava verde pra mim e eu fui indo. Mas aqui em Brasília, os motoristas são muito criativos, e especialistas em inventar vagas. Tinha um carro parado imediatamente antes da faixa de pedestre que que fica embaixo do sinal, encostado no meio fio. Eu tenho 1,52m, sou mais baixa que muito carro, ou seja, o cara não viu que eu já estava atravessando a faixa e como esse semáforo é só para os pedestres atravessarem a rua e não tinha "ninguém" e ele não ia correr o risco de bater em outro carro, acelerou e foi. Eu também não vi o carro. Sabe como é, nem sempre o fato de não vermos algo quer dizer que ele também não nos vê, mas dessa vez era verdade, não nos víamos mutuamente.
Para minha sorte, da minha família e de meus amigos, eu parei por um instante, antes de entrar no campo aberto, para pensar se havia ou não colocado no pendrive todos os arquivos que precisava imprimir. Como diria Raulzito, "quem pensa, pensa melhor parado". O carro praticamente raspou no meu nariz. Eu estava tão concentrada que só fui sentir o peso do quase ocorrido, quando cheguei ao outro lado da rua e as pessoas que estavam lanchando na padaria me olhavam espantadas.
Daí eu comecei a pensar porque esse imbecil não parou ou diminuiu a velocidade para se certificar de que não tinha ninguém atravessando a rua. Só tem mesmo uma resposta: porque ele estada DE CARRO! No código de trânsito está escrito que os veículos maiores são responsáveis pela segurança dos menores e TODOS são responsáveis pela segurança dos pedestre. Isso é obvio, e poderia ser visto somente em relação ao peso e à física mecânica (eu acho) das colisões.
Mas o que eu acho mesmo é que rola toda uma outra lógica no trânsito. Quanto mais caro o carro, mais intocável se acha o motorista. O tamanho importa também. Mas ainda mais importante é que nessa relação carro pedestre, o pedestre sai sempre perdendo. Eu tenho dificuldade de entender porque parece que o motorista está numa espécie de relação simbiótica com o carro, mas quando sair dele, vai ser um reles pedestre. Será que é por isso então que aqui em Brasília todo mundo faz o possível e o impossível para estacionar na porta dos lugares? Será que antes da pura e simples preguiça de andar, o medo maior e se misturar com a plebe que não tem carruagens?
Ah, só uma observação às amigas blogueiras: finalmente recebi minha primeira trolada!!! Tô virando celebridade! hehehe
Eu estava pensando com os meu botões depois de ler livros e mais artigos num dia normal de estudo, quando, ao atravessar a rua para ir na papelaria eu quase morri. O sinal estava verde pra mim e eu fui indo. Mas aqui em Brasília, os motoristas são muito criativos, e especialistas em inventar vagas. Tinha um carro parado imediatamente antes da faixa de pedestre que que fica embaixo do sinal, encostado no meio fio. Eu tenho 1,52m, sou mais baixa que muito carro, ou seja, o cara não viu que eu já estava atravessando a faixa e como esse semáforo é só para os pedestres atravessarem a rua e não tinha "ninguém" e ele não ia correr o risco de bater em outro carro, acelerou e foi. Eu também não vi o carro. Sabe como é, nem sempre o fato de não vermos algo quer dizer que ele também não nos vê, mas dessa vez era verdade, não nos víamos mutuamente.
Para minha sorte, da minha família e de meus amigos, eu parei por um instante, antes de entrar no campo aberto, para pensar se havia ou não colocado no pendrive todos os arquivos que precisava imprimir. Como diria Raulzito, "quem pensa, pensa melhor parado". O carro praticamente raspou no meu nariz. Eu estava tão concentrada que só fui sentir o peso do quase ocorrido, quando cheguei ao outro lado da rua e as pessoas que estavam lanchando na padaria me olhavam espantadas.
Daí eu comecei a pensar porque esse imbecil não parou ou diminuiu a velocidade para se certificar de que não tinha ninguém atravessando a rua. Só tem mesmo uma resposta: porque ele estada DE CARRO! No código de trânsito está escrito que os veículos maiores são responsáveis pela segurança dos menores e TODOS são responsáveis pela segurança dos pedestre. Isso é obvio, e poderia ser visto somente em relação ao peso e à física mecânica (eu acho) das colisões.
Mas o que eu acho mesmo é que rola toda uma outra lógica no trânsito. Quanto mais caro o carro, mais intocável se acha o motorista. O tamanho importa também. Mas ainda mais importante é que nessa relação carro pedestre, o pedestre sai sempre perdendo. Eu tenho dificuldade de entender porque parece que o motorista está numa espécie de relação simbiótica com o carro, mas quando sair dele, vai ser um reles pedestre. Será que é por isso então que aqui em Brasília todo mundo faz o possível e o impossível para estacionar na porta dos lugares? Será que antes da pura e simples preguiça de andar, o medo maior e se misturar com a plebe que não tem carruagens?
sexta-feira, 6 de julho de 2012
Odeio ser civilizada!
Postagem mega antiga que tava dando sopa no blog. Algo para divertir um pouco, já que meu embotamento cerebral me impede de escrever algo bom no momento.
"Ontem à noite, depois de ter tido um dia cheio e chato com duas idas ao supermercado, ter que espremer o meu parco inglês para ler um texto que falava de Marx, Lévi-Strauss e Freud e ter que ir andando duas quadras para comprar gasolina para abastecer a motoca que quebrou o mostrador de combustível, eu finalmente tive alguns minutos de diversão ao ver na sequencia três episódios de Futurama. Mas como eu havia acordado muito cedo e fui dormir tarde, acabei pegando no sono antes mesmo do 3 episódio acabar. Estava (aposto) babando e sonhando com revoltas de operários intergaláticos, naves espaciais e outras coisas que eu não me lembro quando uma música brega penetrou nos meus sonhos. Achei que era algum plano malígno de alguém quando percebi que estava sonhando. Isso quer dizer que eu acordei de madrugada com o Marcos falando "São três piriguetes tentando aparecer para o cara do audi". Hein?! Tinha um pião na janela da minha casa com o som do carro aos berros (daquele que dispara todos os alarmes da rua) e três garotas bêbadas como gambás gritando a letra da música.
Eu achei que era coisa rápida, que logo eles iam entrar em algum apê pra fazer uma festinha mais íntima. Mas que nada. O programa era justamente esse de goiano de ficar com o som nas alturas encostado no carro tirando "onda" pra quem passa na rua. Mas no caso dele só poderia ser com a gente, que morava ali porque a rua estava deserta. Quando me toquei disso, fiquei puta. A polícia passa na minha janela toda noite e naquele dia passou e nem pra enquadrar esse pessoal. Comecei a pensar que já q eles não deram bola para o barulho também não dariam bola se eu jogasse um ovo. Quem sabe um balde d'água (gelada)? Pensei em várias coisas e quanto mais a bagunça continuava mais eu acordava e percebia que não tinha dormido o suficiente para estar acordada.
Já pensando em descer de camisola com uma garrafa de vidro na mão apertando um olho para parecer psica e já ir sentanto a porrada em quem falasse algo idiota. Ou, de repente, ir quebrando a garrafa na calçada para ela ficar potiaguda e dar mais 'realidade' ao meu personagem. Quando uma pessoa iluminada fez algo do gênero. Eu não consegui saber o que era, mas sei que a música parou istantaneamente. Fiquei tão feliz. Não ia precisar pagar um mico desses e me expor e ainda ia conseguir dormir.
Mas felicidade de pobre dura pouco. Bastou eu deitar para uma das piriguetes arrumar uma confusão. Começou a xingar e mulher que tinha acabado com a bagunça. Xingou de vagabunda, puta, piranha e a mulher apenas mandou todos pararem com a bagunça terminando com o vocativo "seu bando de vagabundo".
A confusão durou mais uma meia hora e eu na dúvida cruel de me expor e armar o barraco, jogar água, bola de papel molhado, pedra, garrafa... Queria dormir e sabia que chamar a polícia não resolveria nada. Já estava quase indo na janela mandar todo mundo tomar no cú quando o Marcos decidiu descer e me ajudar a decidir o que fazer. Já estava colocando o chinelo quando as piriguetes pararam com a baderna."
"Ontem à noite, depois de ter tido um dia cheio e chato com duas idas ao supermercado, ter que espremer o meu parco inglês para ler um texto que falava de Marx, Lévi-Strauss e Freud e ter que ir andando duas quadras para comprar gasolina para abastecer a motoca que quebrou o mostrador de combustível, eu finalmente tive alguns minutos de diversão ao ver na sequencia três episódios de Futurama. Mas como eu havia acordado muito cedo e fui dormir tarde, acabei pegando no sono antes mesmo do 3 episódio acabar. Estava (aposto) babando e sonhando com revoltas de operários intergaláticos, naves espaciais e outras coisas que eu não me lembro quando uma música brega penetrou nos meus sonhos. Achei que era algum plano malígno de alguém quando percebi que estava sonhando. Isso quer dizer que eu acordei de madrugada com o Marcos falando "São três piriguetes tentando aparecer para o cara do audi". Hein?! Tinha um pião na janela da minha casa com o som do carro aos berros (daquele que dispara todos os alarmes da rua) e três garotas bêbadas como gambás gritando a letra da música.
Eu achei que era coisa rápida, que logo eles iam entrar em algum apê pra fazer uma festinha mais íntima. Mas que nada. O programa era justamente esse de goiano de ficar com o som nas alturas encostado no carro tirando "onda" pra quem passa na rua. Mas no caso dele só poderia ser com a gente, que morava ali porque a rua estava deserta. Quando me toquei disso, fiquei puta. A polícia passa na minha janela toda noite e naquele dia passou e nem pra enquadrar esse pessoal. Comecei a pensar que já q eles não deram bola para o barulho também não dariam bola se eu jogasse um ovo. Quem sabe um balde d'água (gelada)? Pensei em várias coisas e quanto mais a bagunça continuava mais eu acordava e percebia que não tinha dormido o suficiente para estar acordada.
Já pensando em descer de camisola com uma garrafa de vidro na mão apertando um olho para parecer psica e já ir sentanto a porrada em quem falasse algo idiota. Ou, de repente, ir quebrando a garrafa na calçada para ela ficar potiaguda e dar mais 'realidade' ao meu personagem. Quando uma pessoa iluminada fez algo do gênero. Eu não consegui saber o que era, mas sei que a música parou istantaneamente. Fiquei tão feliz. Não ia precisar pagar um mico desses e me expor e ainda ia conseguir dormir.
Mas felicidade de pobre dura pouco. Bastou eu deitar para uma das piriguetes arrumar uma confusão. Começou a xingar e mulher que tinha acabado com a bagunça. Xingou de vagabunda, puta, piranha e a mulher apenas mandou todos pararem com a bagunça terminando com o vocativo "seu bando de vagabundo".
A confusão durou mais uma meia hora e eu na dúvida cruel de me expor e armar o barraco, jogar água, bola de papel molhado, pedra, garrafa... Queria dormir e sabia que chamar a polícia não resolveria nada. Já estava quase indo na janela mandar todo mundo tomar no cú quando o Marcos decidiu descer e me ajudar a decidir o que fazer. Já estava colocando o chinelo quando as piriguetes pararam com a baderna."
quarta-feira, 7 de março de 2012
É impossível viver com menos de ...R$
Não é a primeira nem a última vez que escuto isso, mas acho que sempre vai me incomodar. Muita gente vem até mim e/ou até o meu marido reclamado de grana. Não sei exatamente porque despertamos nos outros a confiança para falarem de suas vidas financeiras, mas as vezes acho que é pena.
As pessoas vêm reclamar do preço dos imóveis, do aluguel e afins. Esperam um apoio para reclamar que dão como certo da nossa parte. É, realmente reclamamos e muito do preço das coisas aqui em Brasília, mas nossa lógica as vezes desconcerta a lógica típica brasiliense, como alguns leitores devem ter notado. Quem disse, por exemplo, que o único meio de declarar a independência dos pais é comprando um apartamento no Plano Piloto? Qual o problema de morar de aluguel?
Muitos respondem que o preço do aluguel é o preço de uma prestação. Claro, mas quanto você tem que dar de entrada para conseguir uma prestação equivalente à um aluguel? Você certamente não paga aluguel na casa dos seus pais, mas perde em maturidade (além de falta de vergonha na cara em obrigar seus pais a te sustentarem até os 40 anos). Mas parece ser bem mais vergonhoso morar de alugar num lugar mais ou menos do que viver com os pais.
Pagar aluguel num lugar melhor e não ter carro = MORTE. Quase ninguém da classe média da cidade entende essa lógica. NÃO HÁ VIDA SEM CARRO NA CAPITAL!!! Todos(?) são unanimes. "Como vocês fazem para ir pro barzinho?" Não sei o que mais choca, a pergunta ou a resposta "Quando o bar é perto, vamos à pé, quando é longe, vamos de carona e às vezes, de taxi". O preço da corrida não dá duas cervas. E se tivesse mais gente para rachar a corrida com a gente, saia ainda mais barato.
Mas a melhor de todas, é quando a conversa chega no ponto onde surge a "oportunidade" de animar o nosso interlocutor dizendo que o fato dele ganhar uma soma "x" por mês no momento, não implica que deva necessariamente pular da ponte, pois nós, com a metade (às vezes 1/3) sobrevivemos satisfatoriamente. É sempre o clímax do assunto. Quando chega esse ponto, até as pessoas da mesa que estavam em papos mais interessantes e acalorados se viram para nós com uma mistura de espanto e incredulidade no olhar. Outros nos olham como se fossem escutar a receita de um milagre, mas a maioria tem dentro de si, no momento da revelação, a idéia pré-concebida de que nós estamos falando um absurdo. Todos partilham depois de outro fenômeno, a negação. Alguns repetem 3 vezes para afastar a praga "É impossível, é impossível, é impossível!"
A afirmação é tanto unanime quanto categórica: é impossível viver como vivemos. É engraçado, pois eu e o Marcos vivemos a 4 anos assim e não temos nenhuma dívida. Devo acrescentar ainda que raramente pedimos dinheiro emprestado, e quando pedimos, pagamos. Nunca ficamos no vermelho desde que moramos juntos. As pessoas não entendem mesmo a diferença entre viver e viver de forma confortável. Nós não queremos dizer que todos devam ter o mesmo padrão de vida que temos. Mas ofende as vezes essa idéia pré concebida de noivado em Paris, casamento na mansão das águas e apartamento no Sudoeste que a maioria das pessoas aqui tem. (Aliás, noivar na festa da Laje é muito mais legal!).
É difícil pensar fora da casinha. Todo mundo sonha com uma propaganda de margarina, inclusive um golden retriever na casinha do jardim. Mas a vida é muito mais do que isso. Precisar mesmo, a gente só precisa de um lugar para dormir e ter o que comer. Se a sua felicidade se resume a ter um iphone 4, eu não posso afirmar, mas posso arriscar a dizer que tem algo de errado com seus valores e/ou prioridades. Se para ter filho você precisa de dinheiro para a babá, acho que começou pelo lado errado.
Mas voltando a afirmação do começo, é impossível viver com XR$ por mês, eu gostaria de lembrar que o salário mínimo são 600 e alguma coisa. E existem muitas famílias que vivem com menos do que isso. Quando eu escuto essa informação ou vejo a reação de algumas pessoas tenho vontade de perguntar "Você quer que eu não exista?"
Outras coisas passam pela minha cabeça quando vejo a incredulidade no rosto dos que afirmam que é impossível viver com x reais por mês. As vezes acham que eu devo uma explicação a essas pessoas. Elas parecem querer que eu diga que sou louca ou que estou completamente equivocada e enganada. Querem que eu me retrate. "Como é possível viver com x reais por mês e estar feliz?" Como não ter vergonha em ser da classe C? No fundo o que elas realmente pensam, eu acho, é "Você não tem vergonha de ser pobre?".
Deixa eu só acrescentar um parágrafo, antes de concluir meu texto. Vergonha a gente tem que ter de roubar, de explorar os outros, de desrespeitar as leis, de não ter educação, de se prostituir num emprego que não gosta só por causa do dinheiro. A gente nunca deve ter vergonha de viver com verdade.
Mas é engraçado, quase todos são unanimes em afirmar, dinheiro não traz felicidade.
As pessoas vêm reclamar do preço dos imóveis, do aluguel e afins. Esperam um apoio para reclamar que dão como certo da nossa parte. É, realmente reclamamos e muito do preço das coisas aqui em Brasília, mas nossa lógica as vezes desconcerta a lógica típica brasiliense, como alguns leitores devem ter notado. Quem disse, por exemplo, que o único meio de declarar a independência dos pais é comprando um apartamento no Plano Piloto? Qual o problema de morar de aluguel?
Muitos respondem que o preço do aluguel é o preço de uma prestação. Claro, mas quanto você tem que dar de entrada para conseguir uma prestação equivalente à um aluguel? Você certamente não paga aluguel na casa dos seus pais, mas perde em maturidade (além de falta de vergonha na cara em obrigar seus pais a te sustentarem até os 40 anos). Mas parece ser bem mais vergonhoso morar de alugar num lugar mais ou menos do que viver com os pais.
Pagar aluguel num lugar melhor e não ter carro = MORTE. Quase ninguém da classe média da cidade entende essa lógica. NÃO HÁ VIDA SEM CARRO NA CAPITAL!!! Todos(?) são unanimes. "Como vocês fazem para ir pro barzinho?" Não sei o que mais choca, a pergunta ou a resposta "Quando o bar é perto, vamos à pé, quando é longe, vamos de carona e às vezes, de taxi". O preço da corrida não dá duas cervas. E se tivesse mais gente para rachar a corrida com a gente, saia ainda mais barato.
Mas a melhor de todas, é quando a conversa chega no ponto onde surge a "oportunidade" de animar o nosso interlocutor dizendo que o fato dele ganhar uma soma "x" por mês no momento, não implica que deva necessariamente pular da ponte, pois nós, com a metade (às vezes 1/3) sobrevivemos satisfatoriamente. É sempre o clímax do assunto. Quando chega esse ponto, até as pessoas da mesa que estavam em papos mais interessantes e acalorados se viram para nós com uma mistura de espanto e incredulidade no olhar. Outros nos olham como se fossem escutar a receita de um milagre, mas a maioria tem dentro de si, no momento da revelação, a idéia pré-concebida de que nós estamos falando um absurdo. Todos partilham depois de outro fenômeno, a negação. Alguns repetem 3 vezes para afastar a praga "É impossível, é impossível, é impossível!"
A afirmação é tanto unanime quanto categórica: é impossível viver como vivemos. É engraçado, pois eu e o Marcos vivemos a 4 anos assim e não temos nenhuma dívida. Devo acrescentar ainda que raramente pedimos dinheiro emprestado, e quando pedimos, pagamos. Nunca ficamos no vermelho desde que moramos juntos. As pessoas não entendem mesmo a diferença entre viver e viver de forma confortável. Nós não queremos dizer que todos devam ter o mesmo padrão de vida que temos. Mas ofende as vezes essa idéia pré concebida de noivado em Paris, casamento na mansão das águas e apartamento no Sudoeste que a maioria das pessoas aqui tem. (Aliás, noivar na festa da Laje é muito mais legal!).
É difícil pensar fora da casinha. Todo mundo sonha com uma propaganda de margarina, inclusive um golden retriever na casinha do jardim. Mas a vida é muito mais do que isso. Precisar mesmo, a gente só precisa de um lugar para dormir e ter o que comer. Se a sua felicidade se resume a ter um iphone 4, eu não posso afirmar, mas posso arriscar a dizer que tem algo de errado com seus valores e/ou prioridades. Se para ter filho você precisa de dinheiro para a babá, acho que começou pelo lado errado.
Mas voltando a afirmação do começo, é impossível viver com XR$ por mês, eu gostaria de lembrar que o salário mínimo são 600 e alguma coisa. E existem muitas famílias que vivem com menos do que isso. Quando eu escuto essa informação ou vejo a reação de algumas pessoas tenho vontade de perguntar "Você quer que eu não exista?"
Outras coisas passam pela minha cabeça quando vejo a incredulidade no rosto dos que afirmam que é impossível viver com x reais por mês. As vezes acham que eu devo uma explicação a essas pessoas. Elas parecem querer que eu diga que sou louca ou que estou completamente equivocada e enganada. Querem que eu me retrate. "Como é possível viver com x reais por mês e estar feliz?" Como não ter vergonha em ser da classe C? No fundo o que elas realmente pensam, eu acho, é "Você não tem vergonha de ser pobre?".
Deixa eu só acrescentar um parágrafo, antes de concluir meu texto. Vergonha a gente tem que ter de roubar, de explorar os outros, de desrespeitar as leis, de não ter educação, de se prostituir num emprego que não gosta só por causa do dinheiro. A gente nunca deve ter vergonha de viver com verdade.
Mas é engraçado, quase todos são unanimes em afirmar, dinheiro não traz felicidade.
quarta-feira, 11 de maio de 2011
Do lado errado
Outro dia recebi um e-mail da minha irmã me contando as novidades. Entre outras coisas, ela me contou como vai minha cidade natal, Brasília. Uma cidade planejada, muito mal planejada. Eu digo e podem anotar aí, não sou Nostradamus, mas aposto que daqui há 10 anos Brasília será tão caótica quanto São Paulo é hoje.
Porque eu digo isso? O que vc espera de uma cidade que mal tem calçadas, mas a cada dia que passa destroe cada vez mais área verde para contruir ou alargar suas avenidas? E o pior, não investe num sistema de captação de águas pluviais decente e chove pacas lá. Hum... alguém consegue perceber a semelhança com São Paulo?
Bom, há uma outra semelhança (ou não) com São Paulo, o uso de carros de passeio como o único meio de transporte. De início, parece algo bom. Afinal, Brasília ainda não tem aqueles engarrafamentos de 3 horas ou os estacionamentos de 10 reais a hora. Ainda, mas logo vai ter. O que chamou a minha atenção foi uma manifestação ridícula que alguns idiotas de Brasília tentaram fazer contra o aumento da gasolina. Tudo bem que forçar os postos a emitir nota é algo que todo mundo deveria fazer sempre. Mas a situação não vai melhorar se a gasolina não aumentar. É só uma questão de tempo para o governo e os usineiros, petroleiros e outros eiros arrumarem um pretexto para subir o preço do combustível.
O que eu acho errado é combater o aumento do combustível achando que essa é o único problema. Quando você chegar no trabalho, seu carro não vai encolher e você não terá como colocá-lo na bolsa. O que vai fazer? Bom, o jeitinho que a gente acha é parar em cima da calçada, fila dupla, tripla, dar a chave para o guardador de carros e depois quando a polícia multa pq ninguém consegue passar, você fica puto e pensa "mas não tem onde parar o carro". Bom, se você pagar um estacionamento, tem como estacionar. Ah, não, mas é muito caro! Acho esse pensamento um pouco egoísta. É como dizer, eu tenho mais direitos do que quem tenta passar, do que aquele que espera a ambulância que está presa no engarrafamento que você causou por causa do seu carro.
A questão é, o brasiliense prefere fazer um esforço descomunal para conseguir comprar um carro e pagar todos os impostos que se estivessem sendo bem utilizados, deveriam oferecer uma alternativa mais barata, ou mais prática, para ele se locomover. Acho que no lugar de protestar abastecendo o carro com 50 centavos e exigindo nota, as pessoas deveriam se unir, como se unem na corrida da cerveja, e tentar ir ao trabalho de transporte público. Muitas vezes é impossível, mas nesse caso, uma comoção popular poderia exigir uma melhora e ampliamento das linhas. Ou quem sabe até plantar árvores perto das calçadas para melhorar as condições de caminhada, ciclovias por toda cidade. Mas qual é a primeira coisa que as pessoas pensam? Tornar mais barato o uso do carro.
Isso não deve e não vai acontecer porque o carro acaba exigindo muito mais dinheiro e manutenção do que todas as outras alternativas. Demanda muita infra-instrutura, espaço ocioso em estacionamentos e coisas afins. Isso é o que eu chamo de "pensando do lado errado".
Porque eu digo isso? O que vc espera de uma cidade que mal tem calçadas, mas a cada dia que passa destroe cada vez mais área verde para contruir ou alargar suas avenidas? E o pior, não investe num sistema de captação de águas pluviais decente e chove pacas lá. Hum... alguém consegue perceber a semelhança com São Paulo?
Bom, há uma outra semelhança (ou não) com São Paulo, o uso de carros de passeio como o único meio de transporte. De início, parece algo bom. Afinal, Brasília ainda não tem aqueles engarrafamentos de 3 horas ou os estacionamentos de 10 reais a hora. Ainda, mas logo vai ter. O que chamou a minha atenção foi uma manifestação ridícula que alguns idiotas de Brasília tentaram fazer contra o aumento da gasolina. Tudo bem que forçar os postos a emitir nota é algo que todo mundo deveria fazer sempre. Mas a situação não vai melhorar se a gasolina não aumentar. É só uma questão de tempo para o governo e os usineiros, petroleiros e outros eiros arrumarem um pretexto para subir o preço do combustível.
O que eu acho errado é combater o aumento do combustível achando que essa é o único problema. Quando você chegar no trabalho, seu carro não vai encolher e você não terá como colocá-lo na bolsa. O que vai fazer? Bom, o jeitinho que a gente acha é parar em cima da calçada, fila dupla, tripla, dar a chave para o guardador de carros e depois quando a polícia multa pq ninguém consegue passar, você fica puto e pensa "mas não tem onde parar o carro". Bom, se você pagar um estacionamento, tem como estacionar. Ah, não, mas é muito caro! Acho esse pensamento um pouco egoísta. É como dizer, eu tenho mais direitos do que quem tenta passar, do que aquele que espera a ambulância que está presa no engarrafamento que você causou por causa do seu carro.
A questão é, o brasiliense prefere fazer um esforço descomunal para conseguir comprar um carro e pagar todos os impostos que se estivessem sendo bem utilizados, deveriam oferecer uma alternativa mais barata, ou mais prática, para ele se locomover. Acho que no lugar de protestar abastecendo o carro com 50 centavos e exigindo nota, as pessoas deveriam se unir, como se unem na corrida da cerveja, e tentar ir ao trabalho de transporte público. Muitas vezes é impossível, mas nesse caso, uma comoção popular poderia exigir uma melhora e ampliamento das linhas. Ou quem sabe até plantar árvores perto das calçadas para melhorar as condições de caminhada, ciclovias por toda cidade. Mas qual é a primeira coisa que as pessoas pensam? Tornar mais barato o uso do carro.
Isso não deve e não vai acontecer porque o carro acaba exigindo muito mais dinheiro e manutenção do que todas as outras alternativas. Demanda muita infra-instrutura, espaço ocioso em estacionamentos e coisas afins. Isso é o que eu chamo de "pensando do lado errado".
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Se o Gim compra, a gente linka!
Para quem ainda não leu a fabulosa história de Gim Argello, que enricou magicamente em menos de 10 anos, é só acessar o link abaixo e conhecer o próximo doador de panetones do governo da capital.
reportagem da revista Isto É.
reportagem da revista Isto É.
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Brasiliense's behavior
Eu sempre fui uma defensora da minha cidade. Não gostava nada quando um forasteiro fazia comentário pouco elogiosos da minha terrinha. Coisas que me tiravam do sério eram as do tipo: "Brasília é uma cidade muito esquizita, não dá pra entender, é tudo igual", eu respondia dizendo "Sabe se localizar num mapa? "Conhece coordenadas cartesianas? É a mesma coisa"; "Não tem nada pra se fazer aqui!", pra esse eu imprimi umas 3 páginas só de eventos culturais e shows gratuitos ou de baixo preço pra dizer à criatura q aqui tem muita coisa pra se fazer sim, não se pode é estar mal informado. Essas e outras eram minhas defesas de Brasília, a cidade do sonho de Dom Bosco...
Mas hoje em dia eu acho que o velhinho se enganou na interpretação do sonho. Eu realmente não visualizo como essa cidade possa ainda ser profética. Os habitantes profanaram o projeto, isso sim. Não sinto mais muita vontade de defender a cidade. Eu não encontro expressão melhor, mas ela está infestada de gente com o rei na barriga. O cara ta de carro já é o suficiente para se achar melhor e com mais direitos que vc, que está apenas atravessando à rua. No trânsito então das poucas vezes que dirijo me arrependo. O povo é tão folgado que te enche o saco até quando vc está na faixa do meio no limite de velocidade. Têm duas outras faixas para a realeza passar livremente, mas ela quer que o pobre vassalo suma da frente. Outro dia desses o cara parou na faixa pra gente passar, mas como não deu sinal de que ia parar ficamos parados na calçada esperando que ele parasse ou passasse. Quando parou começamos a andar, mas a cretinice arrancou pela contramão, tirando um fino da gente porque ficou putinho pela nossa "demora".
É uma galera tão pequena que paga uma fortuna num café dito "vienense" feito com maisena e calda de chocolate de mercado. E o copo? Pequeno do tamanho da foto do cardápio. E isso porque? Porque se vc vender gato por lebre eles acham que compram lebre. Ou melhor, adoram ter dinheiro suficiente para pagar por um gato uma lebre. Gente extremamente fútil e superficial. Vide o caso da aparência que eu escrevi dias atrás. De gente boa aqui eu estou encontrando pouca. Brasília está se tornando um imenso clichê repleto de petits bourgeois. Gente burra q liga demais para a aparência e fica sendo roubada, dia após dia. Gente estúpida que acha feio reclamar mesmo quando está certa. Gente que só é gente quando está no trabalho ou num ambiente bacana de gente bem vestida. Gente que faz a empregada comer na cozinha. Gente estúpida que paga mais de 1000 reais pro filhinho estudar num colégio que nem aparece no ranking dos melhores do país. Gente abestada que se acha abastada por ter um apartamento carézimo numa área de preservação ambiental, em cima de uma manacial de água que certamente fará falta aqui, no cerrado-deseto do Planalto, cuja vista é a janela do vizinho da frente.
Eu realmente não tenho mais como defender Brasília porque a cidade são as pessoas.
Mas hoje em dia eu acho que o velhinho se enganou na interpretação do sonho. Eu realmente não visualizo como essa cidade possa ainda ser profética. Os habitantes profanaram o projeto, isso sim. Não sinto mais muita vontade de defender a cidade. Eu não encontro expressão melhor, mas ela está infestada de gente com o rei na barriga. O cara ta de carro já é o suficiente para se achar melhor e com mais direitos que vc, que está apenas atravessando à rua. No trânsito então das poucas vezes que dirijo me arrependo. O povo é tão folgado que te enche o saco até quando vc está na faixa do meio no limite de velocidade. Têm duas outras faixas para a realeza passar livremente, mas ela quer que o pobre vassalo suma da frente. Outro dia desses o cara parou na faixa pra gente passar, mas como não deu sinal de que ia parar ficamos parados na calçada esperando que ele parasse ou passasse. Quando parou começamos a andar, mas a cretinice arrancou pela contramão, tirando um fino da gente porque ficou putinho pela nossa "demora".
É uma galera tão pequena que paga uma fortuna num café dito "vienense" feito com maisena e calda de chocolate de mercado. E o copo? Pequeno do tamanho da foto do cardápio. E isso porque? Porque se vc vender gato por lebre eles acham que compram lebre. Ou melhor, adoram ter dinheiro suficiente para pagar por um gato uma lebre. Gente extremamente fútil e superficial. Vide o caso da aparência que eu escrevi dias atrás. De gente boa aqui eu estou encontrando pouca. Brasília está se tornando um imenso clichê repleto de petits bourgeois. Gente burra q liga demais para a aparência e fica sendo roubada, dia após dia. Gente estúpida que acha feio reclamar mesmo quando está certa. Gente que só é gente quando está no trabalho ou num ambiente bacana de gente bem vestida. Gente que faz a empregada comer na cozinha. Gente estúpida que paga mais de 1000 reais pro filhinho estudar num colégio que nem aparece no ranking dos melhores do país. Gente abestada que se acha abastada por ter um apartamento carézimo numa área de preservação ambiental, em cima de uma manacial de água que certamente fará falta aqui, no cerrado-deseto do Planalto, cuja vista é a janela do vizinho da frente.
Eu realmente não tenho mais como defender Brasília porque a cidade são as pessoas.
quinta-feira, 5 de março de 2009
Se...
Pensei em postar esse no outro blog, Cadê o meu Imposto, mas achei poético demais.
Se o brasiliense andasse à pé pela sua cidade veria o quanto ela está abandonada. Veria a grama mal cortada, a calçada mal lavada toda desnivelada. Talvez ele notasse quantas sombras mal aproveitadas, refrescando o nada, sem um banquinho ou uma praça. Se olhasse, perceberia talvez, quantas praças inacabadas e já abandonadas, banquinhos ao sol, monumentos descascados e desprezados por aqueles que são a razão da sua existência - os brasilienses.
Se o brasiliense andasse à pé pela sua cidade veria o quanto ela está abandonada. Veria a grama mal cortada, a calçada mal lavada toda desnivelada. Talvez ele notasse quantas sombras mal aproveitadas, refrescando o nada, sem um banquinho ou uma praça. Se olhasse, perceberia talvez, quantas praças inacabadas e já abandonadas, banquinhos ao sol, monumentos descascados e desprezados por aqueles que são a razão da sua existência - os brasilienses.
quarta-feira, 23 de julho de 2008
O Buzão de Murphy
Mas não sejamos pessimistas, ele quase sempre vai estar cheio,mas se não for horário de hush ele não vai estar lotado. O problema é que ele vai parar em todas as paradas até chegar ao seu destino (o seu não o dele) porque mais um monte de gente não vai estar indo pra W3 e ele pode parar ainda mais se estiver na W3, mas indo para outro lugar que não ela. Nisso você leva no mínimo meia hora pra chegar aonde quer. Somando os 10 minutos do trajeto até a parada, os 15 até pegar o baú, os 30 da viajem e ainda adicionando uns 15 (e isso sendo otimista) do trajeto da parada final até onde você quer ir e contando nesses 15 algum pequeno atraso dos números anteriores são já 1 hora e 10 minutos. Isso quer dizer que se você demora uma hora pra acordar, tomar banho e tomar o café da manhã você tem que acordar duas horas antes do horário de entrada no trabalho ou na escola.
Se você, como a maioria das pessoas normais, que não é funcionário público, entra às 8hs no trampo terá que acordar às 6hs. Seis horas da manhã é desumano. Mas as coisas não são sempre assim. Quem disse que os ônibus passam de 10 em 10 minutos? O Guará passa de 15 em 15 considerando condições ideais, sem chuva, sem ônibus quebrado, engarrafamento ou acidente. O Cruzeiro é de 20 em 20 na teoria porque na prática é de meia em meia hora, mas ninguém divulga porque teoricamente o Cruzeiro não é periferia, então teria que ser tão bem servido quanto o Guará em matéria de ônibus, mas não é. Não vou nem comentar se você mora na Octogonal ou no Sudoeste, se você está nessa situação aumente 10 minutos em cada intervalo de tempo que ainda estará dentro da margem otimista da situação. Depois de analisar rapidamente tudo isso, entra Murphy, que ao contrário do governo sempre segue a sua própria lei (vide: http://desciclo.pedia.ws/wiki/Lei_de_Murphy#O_Texto_da_Lei).
Sempre que você quiser ir pra W3 Norte só vai passar ônibus ou para Rodoviária ou para W3 Sul. Num outro dia quando você for para um desses dois outros lugares você vai chegar na parada feliz pensando que vai ter sorte e que assim que chegar o seu ônibus vai passar – esqueça! Só vai passar W3 Norte. E as autoridades, ingenuamente se perguntam porque o grande volume de veículos nas ruas com somente uma pessoa. Ou porque houve um aumento escandaloso na venda de motos. Dá vontade de dar 10 reais para elas e manda-las irem e voltarem do trabalho, chegando na hora, antes de fazer uma pergunta idiota como essa.
Assinar:
Postagens (Atom)