sexta-feira, 31 de julho de 2009

Aparência

Eu às vezes me surpreendo com a futilidade de algumas pessoas. Me surpreendo mais ainda com a desconfiança de que as vezes ainda posso ser assim e a de que com certeza, antigamente eu fui assim.

Eu estava numa defesa de tese de mestrado na UnB e uma das integrantes da banca era uma professora que é conhecida no departamento por ainda se vestir à moda dos anos 80. Quem não a conhece se arriscaria até mesmo a chamá-la de brega, mas eu sei que ela não está nem se importando para aparência, por isso aquele estilo. O que me chateia é que muita gente usa a maneira dela se vestir para julgar a capacidade intelectual dela. Oras, se ela fosse estilista dava até pra julgar a sua capacidade (muito embora eu acredite que devido a futilidade desse meio e a falta de critério ela seria seguida e revolucionária a moda, talvez), mas a inteligência o que tem a ver com isso? Eu realmente não gostei de ver o pessoal fazendo chacota pelas costas colocando em descrédito todas as observações interessantes que ela fez apenas pelo casaco estranho que usava. Infelizmenre os presentes não sabiam, por exemplo, que um conhecimento vastíssimo em Literatura Brasileira, embora trabalhe com a Norte-Americana, um Doutorado na University of Indiana e etc.

Eu realmente não entendo mais esse raciocínio. Quer dizer que para ser considerado vc tem que se vestir como os outros se vestem e não como vc quer? Consequentemente só pode andar com gente que se vista assim. Hum... são todos iguais então. Cadê a graça?

Espertos são os estelionatários. Vc já viu algum mal vestido? Bobo é quem liga pra isso, tem mais chances de cair no golpe.

2 comentários:

Loreley disse...

Engraçado isso. Parece que para as mulheres serem aceitas em determinados regimes de saber necessariamente devem ser cooptadas ou pela masculinização, no caso do direito, administração (estilo Hilary) ou pela onda pós-hippie fashion nas humanas.
A uniformização dos corpos e estilos é uma tendência burra que está tb na academia.
Quando for professora universitária não quero usar tailleur nem colar de sementes de açaí....

luci disse...

pois é, provavelmente ninguém disse "que bacana, ela não se prende à moda, tem personalidade suficiente pra vestir o que quer".

eu tinha um professor de filosofia que usava tênis de futsal, meia social, camisa regata um short que parecia uma cueca. nunca escutei ninguém dizer que ele era estranho, era mais um gênio que qualquer coisa. mas se existisse a versão feminina dele, os comentarios seriam outros...