quinta-feira, 8 de julho de 2010

Teoria ou aporia?

Esse semestre estou encarando os meus medos mais profundos, freudianos e recalcados: filosofia e história (e Paul Ricoeur). (Fazendo um breve parênteses, eu fiz um PIBIC uns anos atrás sobre hermenêutica ricoeuriana que quase me afastou pra sempre da vida acadêmica. Claro que tinha todo um contexto por trás que comprometeu o meu entendimento, mas não deixou de ser pra mim uma experiência traumática.)Em meio a leituras que eu considero pesadas, como Platão, Lacan, Geertz e o já citado Ricoeur, encontrei outras tantas consistentes e flúidas que me fizeram chegar a questão que vou expor aqui no blog por falta de oportunidade de discutir com meus convivas.

Os grandes temas teóricos da atualidade giram em torno de palavras. Palavras que induzem à ideias complexas, ou melhor dizendo, conceitos. Preconceito, representação, pós-modernidade, globalização entre outras. Em meio a discussão desses termos permeia a idéia de verdade através de um método para às ciências humanas. Dois conceitos para mim difíceis de se compreender. Primeiro de onde vem a idéia de "ciência" humana? E depois, como classificar um método para elas sem limitá-las? Só ao tentar descrever um método para análise do meu corpus, cheguei a conclusão de que faria outra tese.

Talvez eu ainda não tenha internalizado bem todo aporte teórico no qual estou tentando me aportar. Mas sinto de leve um calafrio ao ler cada livro que me é passado. Todos eles esboçam conceitos em seus títulos "Memória Coletiva", "Memória, História e Esquecimento", "Memória e História"... Conceitos que mergulham num profundo oceano epistemológico. Tão profundo esse oceano que parecem afundar nele. Temos dificuldade em sair da epistemologia de tal forma que as maiores preocupações de muitos teóricos tem sido "descarregar" termos carregados no lugar de resolver o problema com uma simples nota de pé de página e prosseguir com o raciocínio.

Sociedade, Cultura, Literatura, pode-se escrever mais páginas do que todas já escritas só com a energia gasta por muitos pensando nesses problemas. As conclusões? São, a meu ver, muito parecidas. Primeiro que ninquém concluí nada. O medo de concluir vem do medo de excluir algo. Esse medo é por sua vez acrescido de outro, o de cair no relativismo. Esses dois medos juntos podem produzir um terceiro ou esse pode vir antes dos outros dois anteiormente falados: o medo de repetir algo já dito. O que acontece então? Nós lemos, lemos, lemos e lemos e antes de tudo que escrevemos damos definições de pelo menos um parágrafo pra cada, esforçamo-nos para colocar os termos mais modernos e fazermos uma conclusão que quase sempre beira o relativismo, mas acaba se esforçando para disfarçar que toda questão não era nada além de epistemológica. Estaremos nós então imersos numa imensa aporia?

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