sexta-feira, 16 de julho de 2010

42?

Proponho aos filósofos as mesmas questões que são postas a mim: O que é a filosofia? Pra que serve? Sinto uma imensa dificuldade em compreende-la pois, pra mim, seus objetos acabam sendo por demais metafísicos. "A vida o universo e tudo o mais". Inclusive esse livro, O guia do mochileiro das galáxias, me parece uma critica mordaz e hilária de toda problemática filosófica. Primeiro se faz a pergunda, depois cria-se uma máquina para responde-la (o "método"), e quando a resposta surge não parece fazer sentido, pois a pergunta não é mais lembrada ou é posta em dúvida pois a resposta parece absurda.

Esbarro constantemente no conceito de fenomenologia. Diz-se que é a tentativa de colocar a filosofia dentro do rigor metodológico da ciência. Disponho aqui no blog a definição mais engraçada do filósofo mais impaciente que conheço, André Comte-Sponville, para quem a fenomenologia é:
"O estudo dos fenômenos, em outras palavras, do que aparece à consciência - e, bons deuses, que mais poderíamos estudar? A fenomenologia nada mais seria, então, que um pleonasmo para pensamento? Não exatamente. Tratava-se, ao descrever o que aparece à consciência (os fenômenos), de descobrir, como dizia Sartre, "algo de sólido, algo enfim que não fosse o espírito". Descrever a consciência portanto, ou o que aparece a ela, para dela sair [já que "toda consciência é consciente de alguma coisa" (...)]. Chamavam a isso: volta às coisas mesmas. Isso, contudo, nos ensinou mais sobre nós mesmos do que sobre o mundo. A fenomenologia, escreve seriamente Merleau-Ponty, é "um inventário da consciência como meio do universo". Assim, é praticamente o universo da física, sem no entanto ser uma metafísica nem uma moral. É apenas um começo do pensamento, mas que se esgotaria na repetição - mais ou menos incansável e cansativa - do seu primeiro passo. Restam dela algumas obras-primas absolutas, e também muitos dos livros mais maçantes que conheço."

Na minha concepção, aquilo que mais se aproximaria de uma fenomenologia pura seria a técnica do Dali para pintar sem fazer uso de drogas, ou seja, a primeira coisa q vem à sua cabeça. O que faço eu se não acredito em espírito, metafísica, fenomenologia? Tenho um objeto claro, que está-aqui na minha mão. Céus! Porque o materialismo se foi? Se o consciente se aproximaria do rigor científico o que posso dizer das pessoas que sofrem disturbios? Elas inviabilizariam toda a crença no cosciente como algo verdadeiro? Seria a fenomenologia um estudo a priori? Porque não se relaciona com a posteriori?

Será que é por isso que meu amigo filósofo não consegue pegar o metrô?

2 comentários:

Caso me esqueçam disse...

por isso que gosto das coisas tateis!

Drixz disse...

Eu tbm... hehehe