domingo, 7 de agosto de 2011

O velho e o novo

No começo tudo é novidade. Morar fora é um mundo de novas possibilidades e reflexões. Mas como tudo nessa vida, tem vantagens e desvantagens. Quando o novo passa a ser conhecido as vezes sinto muita saudade do meu "velho mundo novo", ou do meu Brasil varonil. Entendam, eu não estou reclamando da minha estadia sueca. Tem sido realmente muito construtiva para mim. Eu já conheci 4 países diferentes, mesmo sem ter muita grana para viajar. Fiz amizades muito valiosas que eu espero levar para vida toda, pessoas de diferentes nacionalidades, com mentalidades muito maduras, que tem renovado minhas esperanças na amizade como um todo.

Mas realmente tem horas em que tudo o que a gente quer é estar no nosso lugar, naquele lugar que a gente chama de "nosso". A barreira da língua é realmente uma coisa complicada. Por mais que eu esteja entendendo bem mais, o sotaque da Skane não é nada simples. Outro problema é saber que não é nada fácil falar com sua família ou com seus amigos. Estar cinco horas a frente realmente nos deixa um pouco reticente quanto a pegar um telefone e ligar. Isso se eu tivesse um telefone fixo, o que não é o caso. Tem a internet, mas por mais que exista o skype, ainda acho tudo meio impessoal.

E diferente das minhas amigas européias, eu não posso simplesmente visitar minha família por uma semana. São 12hs de voo, sem levar em conta o preço da passagem. Agora eu entendo o que diz o Eduard Said, de que o imigrante não se sente completamente em casa em lugar alggum pois o país que deixou não será mais o mesmo quando voltar, e o novo país reserva muitos outros desafios de adaptação. No meu caso posso dizer que o maior ainda é o clima.

Conhecida como "flor de estufa" pela minha família, não é de surpreender que essa seja minha quarta gripe em 6 meses. Eu simplesmente não sei como me proteger. Final de semana passado, o canal do tempo da BBC disse que em Copenhague ia chover o fim de semana todo. Fomos para lá preparados para chuva, botas, capas, e roupas relativamente adaptáveis, como calças jeans e camisetas. Mas para minha surpresa, eu passei mal de calor e tive que comprar um vestido. As vezes vc saí preparado para o calor e chove e faz frio. Parece até Brasília, mas a diferença que o frio aqui é frio mesmo. Não sei se é realmente o tempo ou o fato de estar o tempo todo indo de um lugar para outro, na ânsia de conhecer o máximo de coisas e lugares que tem esgotado minhas forças.

Mas de qualquer forma, o que são 4 ou 5 gripes comparadas com o tanto de coisas que eu posso conhecer e viver nesses 6 meses que me restam na Europa?

3 comentários:

Caso me esqueçam disse...

quando os brasileiros que estao de passagem por aqui falam de saudade, eu digo logo que eh melhor aproveitar a estadia, porque a saudade maior vai ser aquela que vai restar da europa depois :)

Drixz disse...

Ah, com certeza. ;)

Glória Maria Vieira disse...

Ah! Eu sinto isso também. Essa saudade às vezes. Claro que dentro de uma hora e meia no máximo eu posso estar na "Casa de mainha", mas é aquela coisa... Essa saudade dá e passa. kkkkkkk Não troco a "pseudo-liberdade" que alguns quilômetros me proporcionaram, pela delimitação de dividir o mesmo espaço com meus pais...