segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Ainda somos os mesmos (?)

Ontem eu tive mais uma prova de que meu pai era meu guru. Fui tentar conversar com minha mãe sobre a situação financeira dela porque realmente me preocupo. Coisa de filha. Eu fiquei um pouco chateada porque toda vez que falo com minha mãe a conversa é a mesma "Comprei isso, comprei aquilo, vi isso, vi aquilo, vc deveria comprar um desses, um daqueles". E depois de pouco tempo ouço os planos mais descabidos para acabar com as dívidas (que ninguém nunca sabe quais são, quanto é nem o porque ela está endividada).

Fui tentar dizer pra ela que não precisava fazer tudo sozinha, que podia envolver a família pra gente ajudar. Não falei em emprestar dinheiro pra ele porque nem tenho, mas existem outras coisas que podemos fazer, nem que seja uma planilha no excel. Mas aí a mulher virou bicho. Pensou que eu a estivesse chamando de incapaz (e ela é economista), ficou ofendidíssima. Disse que iria morrer dura, que passaria pelas piores privações, mas não pediria nunca ajuda aos filhos. Eu tentei argumentar que nós nunca iríamos jogar nada na cara dela, mas que não tinha como ajudar porque ela esconde os problemas, mas depois joga na nossa cara que nós não ajudamos. Mas não teve jeito. Começou a culpar a minha irmã, que ainda mora com ela, porque a coitada não dá metade do que ganha para minha mãe, só a metade das contas. A minha mãe quer que a minha irmã divida as contas do carro que ela não usa...

É mesmo uma briga sem frutos. Eu tenho certeza que a depressão da minha mãe é mal diagnosticada. Eu acho que ela é bipolar porque não faz sentido a pessoa só se sentir bem gastando um dinheiro que não tem e depois que fica endividada fica deprimida e recomeça o ciclo. Eu tentei conversar pela milhonésima vez, mas minha mãe acha que eu sinto prazer em vê-la numa situação dessas. Ela coloca todos numa competição imaginária e acha que eu vou tratá-la do jeito que ela me trata. Não posso falar nem das minha vitórias porque a inveja a consome. Muitas vezes nem consegue disfarçar. Ela ainda quer que vivamos para satisfazê-la, colocá-la no centro das atenções e cada vez mais ela nos afasta. Não adianta alertar, como dizia meu pai, minha mãe só escuta quem diz o que ela quer ouvir.

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