terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Decepção...

Dos políticos a gente espera o que vê de certo modo, mas e dos amigos? Eu passo a concordar cada vez mais com uma amiga que me dizia "Tenho cada vez menos amigos". No início eu achei graça da afirmação, disse a ela que estava exagerando. Pensei até que pela diferença de idade (uns 3 anos) ela deveria estar passando por uma fase que eu já passei e que normalmente precedem fins de relacionamentos duradouros. Mas infelizmente passo a achar que ela tinha mais razão do que eu imaginava.

Eu entendo que as pessoas acabam levando vidas diferentes, mas existem diferenças que vão parecendo cada vez mais abissais. Eu não quero ser uma pessoa intransigente, mas confesso que sempre tive uma tendencia a isso que policio com muito cuidado. Mas eu já passei por tanta coisa na vida que é muito difícil não ficar no mínimo um pouco amarga. Atualmente já me vejo impaciente com gente limitada ou preguiçosa.

Bom, eu estou estudando coisas que acredito realmente servirem para compreensão da sociedade que me cerca. Certo que pelo viés principal da teoria feminista, mas não é o único. O que indigna meus amigos, e me entristece, é que minha forma de ver a política é pelo cunho social e da teoria do discurso. Eu sei que muito gente não sabe o que é teoria do discurso. Mas se recusar a olhar outro ponto de vista é para mim irritante. O ponto de vista geral tá aí. Todo mundo sabe. Ele não precisa de defesa pois domina. É o status quo. Eu posso estar exagerando ao dizer que para mim vivemos numa ditadura velada? Posso, mas que o sistema político brasileiro é falho é. Dizer que nenhum sistema político é perfeito não vem ao caso, é chover no molhado. Eu acho que temos que buscar a justiça e a perfeição. Se defender se comparando ao resto do mundo como "Na Itália tem corrupção, na França tbm..." não resolve pois é aqui que vivemos. E não se iludam, quando não vivemos aqui, carregamos tudo isso para onde vamos.

Não entendo porque defender alguém que é falível (os políticos). Se nós falharmos, mesmo se desculpando por sermos humanos, acredito que a justiça nos punirá. Eu gostaria apenas que os políticos não abusassem do poder e da máquina pública como está acontecendo. Eu vejo sim muitas semelhanças entre o regime militar e a nossa atual "democracia". A principal diferença é que os governantes do regime eram militares, mas o poder continua nas mãos da elite e os privilegiados ainda são os mesmos. A diferença ainda que atualmente cedemos uma parte do bolo para a necessitada esquerda petista que não participava do esquema.

Mas é claro que existem questões muito mais pertinentes, por exemplo, ao fazer uma manifestação, meus caros, certifiquem-se de que preencheram todas as guias de permissão da polícia, ok? Façam a manifestação em lugar devidamente afastado, que não cause transtorno e de preferência no domingo para respeitar o final de semana dos nossos caros políticos. Ah, e não só dele, da digníssima população de pessoas que não liga para política mas não se acha alienada porque lê o Mainardi. Ah, outra coisa:
- Todos os manifestantes devem ter o mesmo objetivo, a mesma consciência política e o mesmo comportamento. Desvios não são permitidos! Após a dispersão dos manifestantes para a liberação da via para os tbm alienados não-manifestantes, estes não devem considerar abusiva a repressão da polícia. Afinal, eles estão apenas treinando para ocasiões mais importantes, como a Copa.

E em conclusão a minha triste constatação: em terra de cego quem tem um olho é o cego.

Um comentário:

Strepsiades disse...

Dava para encerrar só por aqui: "Não entendo porque defender alguém que é falível (os políticos)", maaaas....

É uma pena que você penere os amigos por discussões ideológicas. Especialmente quando você tá trabalhando na academia, o lugar de debate por excelência. Cadê a diversidade então? Seria só um hobby?

De qualquer jeito, é muito bonito trabalhar com teoria polícita ou filosofia política no campo das ideias. È o ideal. No meu caso, é uma das coisas que me dá tesão. Porém, contudo, entretanto, temos de trabalhar com o concreto. Com o real. Ou seja, com a política praticada por seres humanos, nas "democracias reais". Isso não significa indulgência com as falhas. Muito pelo contrário. Isso significa entender o processo real e trabalhar pelo seu aperfeiçoamento. Não será em uma geração que isso mudará. Nem em duas. E muito menos com manifestações políticas obtusas: sim, quem protesta tem de saber por que está protestando. Isso é o mais básico de qualquer manifestação. Se não, continua a mesma massa de manobra que sempre foi. Adianta alguma coisa??

Ah, e um artiguinho para você (caso interesse): http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091101/not_imp459542,0.php