quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Quanto vale uma boa educação?

Recentemente me chamou a atenção um comentário na reportagem da Folha da sub-síndica de um prédio da Vila Mariana em São Paulo sobre a educação dos condôminos. Na ocasião, houve uma confusão na frente do prédio pois um menor de idade que morava no prédio anunciou uma festa através de uma rede social e super lotou a cobertuda do local. "De acordo com a subsíndica, o fato de haver bebida para menores era inaceitável. "São jovens de escolas boas. E os pais pagam uma fortuna pra isso?", disse."

Eu fiquei me perguntando exatamente para que os pais desses jovens pagam uma fortuna. Alguém tem alguma idéia? Bom, talvez a primeira preocupação dos pais seja com a educação em si. As disciplinas, o conteúdo. Sim, pois eu não me lembro exatamente de nenhuma disciplina da grade curricular dizendo que os adolescentes não devam beber ou fazerem festas. Se pararmos para pensar, se o governo não tivesse tanto medo de ensinar um pouco sobre direito civil (ou constitucional) nas escolas isso até poderia ser discutido, afinal, o consumo de álcool no Brasil por menores de 18 é proíbido por lei. Mas isso não é matéria da escola. Pelo menos não fazia parte da grade curricular no meu tempo. Acho que agora existe sociologia, mas não sei que é o enfoque da matéria.

Mas o que mais me chamou a atenção foi a outra possível interpretação dessa frase. Aquela de que supõe-se que frequentar a escola, sendo uma escola cara, é sinônimo de boa educação. Eu lembro de minha mãe dizendo "boa educação vem de berço" como sinônimo de algo que se aprende em casa. Talvez educação agora seja outra coisa, não mais uma obrigação familiar. Parece que ter dinheiro para pagar a escola vai resolver o enorme encargo da família com a educação. Coitada dessa família, não sabe da missa a metade. Poucas são as escolas particulares empenhadas em algo além de aprovar seus alunos no vestibular. Senso crítico, cidadania, civilidade, meio ambiente? Alguém pode até responder que está dentro das "missões" da escola. Pode até estar escrito no Projeto Pedagógico, mas se a família participasse mais veria que no máximo, separa-se o lixo em algumas escolas.

O que se quer hoje, nessa educação lucrativa, são números, lucros e poucos dividendos. Paga-se para ter resultados. Esquece-se do caráter humano, pula-se etapas. Que adolescente já decidiu com 13, 14 anos o que quer da vida? Quantas crianças gostam mais de estudar do que de brincar? Eu gostava da subjetividade do ensino, de estimular o senso crítico, a multiplicidade. Mas o negócio agora é a resposta certa, é fazer pontos, o vestibular, o vestibular! Depois se aprende a viver, afinal de contas, brasileiro estudado, mora com os pais até os trinta, não vai ficar endividado.

Pensado que seus filhos serão educados pela escola, os pais de hoje talvez percebam o estrago e sejam mais "condenscendentes" com seus jovens adultos, mimando-os um pouquinho mais. Afinal, agora, aposentados, podemos dar a atenção que deveríamos ter dado antes,mas estávamos ocupados demais trabalhando, vendo televisão, para dar. Depois dizem que o estado é paternalista, que injustiça. Estranho que alguém esqueceu de avisar aos cursos de licenciatura para prepararem os professores para "educarem" os filhos dos outros. Estranho ainda é que hoje em dia os professores não tem mais quase nenhum poder ou respeito dentro de sala de aula, mas mesmo assim, vai tentar. Em meio ao seu cronograma apertado, cheio de informações entre compostos, logarítimos e machadianos, tentar atingir alguma das outras metas do suposto projeto pedagagatico. E se não der, que pena, fique só no conteúdo do vestibular mesmo, é mais imediato, entende?

E assim caminha a brasilidade: "estudando", repetindo e decorando, em nome de uma boa educação. Mas se o filho reprovar, a culpa nunca é dele não. Foi o professor que não cumpriu a meta, justa causa nele, então.

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