segunda-feira, 3 de maio de 2010

Voto nulo

Eu li hoje um post no blog da Lola que me deixou um pouco desconfortável e por isso resolvi dar a minha opinião no meu blog. Não para provocar ou atacar, apenas porque não acho legal ficar enchendo os comments dela com o meu ponto de vista.

Bom, eu não sou da mesma geração da Lola e era muito pequena na época da redemocratização do país. Não tenho esse gostinho por votar que ela revelou ter principalmente por sua história e pelos acontecimentos que presenciou. Mas não me considero uma pessoa que não sabe dar valor às conquistas passadas do meu país. Antes de começar a votar eu acompanhei o ânimo dos meus pais em todas as eleições sempre apoiando o Lula e o PT. As duas primeiras vezes que votei para presidente, votei nele. O primeiro mandato do Lula teve sim a minha contribuição. Tentei inclusive colocar mais deputados e senadores do PT no Congresso.

Em muitas coisas eu não tenho motivos para reclamar. Mas confesso que esperava, inocentemente, uma mudança maior. Fiquei muito decepcionada ao ver os petistas enfiando os pés pelas mãos ao administrar a máquina pública. Não esqueço Delúbio, Daniel Dantas, Paloci, Zé Dirceu... Devo reforçar que ainda tenho essa visão ingênua. Não quero votar no menos pior. Não posso mais apoiar um partido que se mostrou muito parecido com a direita e que não honrou a imagem de honestidade que sempre pregou. A impunidade e a corrupção continuam e nada foi feito no sentido de reforçar os mecanimos de punição aos políticos corruptos. O foro previlegiado só me envergonha pois a muito deixou de ser usado para debater idéias e só tem sido usado para defender ladrões.

Eu me decepicionei com o PT e não voto na Dilma só porque ela é mulher. Não voto na Marina porque ela é crente e eu não aprovo a política da bancada evangélica que muito provavelmente será uma de suas bases no governo. Eu não voto no Serra porque não considero que o FHC fez um bom governo e não quero as oligarquias de volta ao topo (muito embora elas não tenham saído do comando). Eu não acho que nenhum desses candidatos tem reais intenções de fazer a reforma política ou a reforma tributária nem realizar uma nova constituinte. Vão continuar governando a base de MPs e afins. E muito menos a parte que mais me interessa, um investimento pesado na Educação. A UnB está a mais de 50 dias em greve e ninguém no governo parece realmente preocupado com isso.

Também não voto mais no PT porque ele fez alianças assombrosas, inclusive com o Sarney. Mas quem concorda com algum dos três candidatos citados acima que vote neles. Mas e quem não concorda? Vota no menos pior? Eu acho isso jogar o voto fora. É uma violência além de não concordar com a obrigatoriedade do voto ser obrigada a votar sem concordar com as propostas e as condutas dos candidatos e partidos. Isso é realmente consciência política?

Eu não acho que uma pessoa que vote nulo não possa reclamar da política. Pelo contrário. O governo deve governar a todos, é para todos. Inclusive para aqueles que não transferem o título e justificam. Eu concordo que o cidadão que não participa da política deixa a brecha para aqueles que se valem dela apenas para o bem próprio. Mas vamos e convenhamos, votar no cara sem nem saber quem são os membros do partido dele, quem são os lobbys que o apoiam, qual é a política característica do partido dele também não é consentir com o cenário atual? E será que votar é a única forma de exercer sua cidadania? O que fazemos nos 4 anos que intercalam uma eleição da outra?

3 comentários:

L. disse...

Votar nulo é um ato de Resistência!
já faz bem uns doze anos que redijo essa frase...

Aline disse...

Nossa, concordo muito com você. Eu me achava muito inflexível quanto a isso, meio tirana até, é um alívio ver mais pessoas com o mesmo pensamento. Acho um crime um voto por falta de opção, é o mesmo que assinar uma procuração doando plenos poderes a uma pessoa que a qualquer momento pode usá-la contra nós mesmos quando não temos certeza do que seriam capazes. Na verdade nunca teremos certeza, mas o mínimo seria sentir mais seguro e confortável, o que pra mim, no atual cenário, não acontece com nenhuma das opções.
Meu voto é nulo por falta de opção, por acreditar que nenhum destes são capazes ou ao menos querem melhorar em algo. Lutei muito tempo pra não cair no grupo dos descrentes, inertes e sem vontade, mas com os meus 30 anos de idade, muito pouco perto de muitos outros, já posso perceber que o país está podre dos pés à alma e sinceramente, a mudança pra acontecer teria que ser, antes de tudo, cultural pra só depois começar a limpeza na política. Eu me entristeço quando comparo um país como a Tailândia, onde as pessoas estão morrendo para fazer acontecer a mudança que precisam, e utilizo esse país como comparação porque está basicamente no mesmo nível do Brasil, ou pior, mas as pessoas estão nas ruas, brigando e morrendo e vão conseguir. Enquanto isso, os brasileiros se embriagam na Copa do Mundo, no Carnaval, na malandragem de furar-fila, pirataria...o blá, blá, blá que já conhecemos e evidencia essa podridão. Enfim, nunca tivemos revolução, e como estamos, vai demorar pra acontecer. É por isso que caí na mesmice, porque não acredito, por isso não assino procuração de plenos poderes pra alguém que não seja pai ou mãe, por isso que meu voto é nulo.
PS: desculpe o discurso, desabafei. Não gosto do moralismo-sonhador-utópico que divulgam por aí. Alguns desses vivem muito mais no mundo-da-lua do que muitos que trocam voto por água.

Drixz disse...

Nossa, Aline, gostei muito do seu comentário. Essa analogia do voto com a procuração é realmente muito clara. Eu estou tentando não desanimar, mas tbm me senti muito mal ao ver que por muito menos do que os nossos governantes aprontam, presidentes estão sendo depostos. Mas quem sabe, se essa nossa mínima atitude de expor nosso ponto de vista não ajude em alguma coisa?