segunda-feira, 25 de agosto de 2014

#vamosprarua


Eu tenho algumas teorias, sem muita base, que muitas vezes gostaria de compartilhar, mas acho que serei mal compreendida. Mas talvez por escrito a coisa não seja tão absurda.

Outro dia estava caminhando pela cidade e vi um grafite que dizia:

 "que mundo você vai deixar para os seus netos?"


 Isso me fez pensar que talvez esse raciocínio seja a razão de estarmos vivendo num mundo que desperdiça tanto e pouco liga para os recursos naturais. Não herdamos um bom mundo dos nossos avós e certamente não vamos deixar nada de bom para os nossos netos. Talvez porque ainda esperamos que os nossos filhos façam por nós o que deveríamos estar fazendo agora.

Eu já fico pensando no mundo que o meu filho vai herdar e eu não posso dizer que não tenho uma parcela de culpa. Me envolvi muito pouco no processo político, não importa em qual esfera da minha vida. Mas não é motivo para desistir. Ainda tenho muita vida pela frente e ainda posso deixar um legado do qual meu filho possa se orgulhar.

Mas voltando ao grafite. O que me incomodou? Bom, estamos diante de fatos que poderiam nos motivar a termos uma atitude mais inteligente diante dos desafios da modernidade. Por exemplo, a escassez de água do sistema da Cantareira em São Paulo. Porque as coisas chegaram a tal ponto? Primeiro porque temos um monte de político que imagina a vida do país apenas em termos da duração de seus mandatos. Depois, temos na nossa mente que o Brasil é um país continental, com recursos infinitos e para que eles comecem a acabar vai demorar muito tempo. Sempre podemos gastar um pouquinho mais. Além disso, temos uma economia baseada no agronegócio, que além de não nos alimentar acaba com as nossas terras e usa a nossa água potável. Mas infelizmente, todo mundo acredita ser crucial para o nosso crescimento. Tem gente que até pensa "A Europa consumiu seus recursos naturais e chegou onde chegou, para a gente chegar a algum lugar, temos que consumir os nossos também". 

Eu não concordo. Acho que é por isso que estamos sempre um passo atrás, porque nosso pensamento está parado no século XIX. Nós não podemos comer dinheiro nem beber dotz ou sei lá o que. Os nossos recursos naturais são sim a nossa maior riqueza, mas não para serem explorados, e sim para serem preservados. Eu vejo uma enormidade de pessoas com carros que bebem 8 litros de óleo a cada 5 meses, consomem 1 litro de gasolina a cada 8 quilômetros e andam sempre sozinhas dentro desses carros. Um utilitário enorme que nunca sai da cidade. Para quê a pessoa tem um carro desses? Qual a justificativa? Eu tento usar o mínimo possível o meu carro.

Aliás, esse lobby das indústrias automotivas é um absurdo. Ela não gera tantos empregos assim, manda a maior parte dos lucros para suas matrizes e nós ficamos com a poluição que esses carros geram, e sua má qualidade. A maior parte dos carros produzidos aqui não passaria nos testes de segurança. A indústria automotiva não é algo tão bom assim para o Brasil. Nós não ganhamos em tecnologia, somos apenas mão de obra barata.

Queria andar de bicicleta em Londrina, mas confesso que grávida ou com o bebê pequeno, tenho medo. As pessoas em geral, deixam de ser seres humanos para se tornarem bestas-feras-assassinas dentro de seus carros. E aqui não tem nem calçada para a gente escapar. Mas sabe de uma coisa, eu vou tentar. Vou tentar usar fralda de pano também, embora todo mundo me desencoraje.

Quanto a minha teoria maluca, ela se conecta um pouco a todos esses problemas no sentido de resolvê-los. Estou morando em Londrina e uma coisa que me animou é o preço das casas. Relativamente bem mais baratas que os apartamentos e não tão isoladas da cidade como as de Brasília. Mas todo mundo diz que é muito perigoso.

Eu acho que em parte, é porque as pessoas se fecham e deixam os espaços livres para os bandidos. Ninguém usa as pracinhas, anda pelas ruas. É todo mundo trancado, no carro, em casa, no trabalho. A sensação é ainda mais agoniante para mim, porque aqui é tudo muito apertado. Os carros se amontoam pelas ruas, as calçadas são minúsculas e você não tem nem onde esperar o sinal abrir, isso quando eles tem o de pedestre, pois muitas vezes a gente tem que adivinhar quando atravessar. Eu me pergunto, as pessoas gostam mesmo de viver assim? Eu não entendo, Londrina é uma cidade tão bonita, mas os moradores não conseguem perceber porque estão o tempo todo passando de carro pelas coisas, sem aproveitar nada. Ao mesmo tempo as crianças tem que brincar sempre em lugares fechados porque não dá pra ficar na rua. Se um menino perde a bola e sai correndo pela rua para pegar, provavelmente vai morrer atropelado. Pro isso eu acho que deveríamos ir pra rua

#vamosprarua


Ocuparmos os espaços, levarmos uma vida longe da loucura do trânsito é termos mais qualidade de vida. Temos que acreditar. Andar de transporte público quando formos percorrer longas distâncias, andar a pé quando o dia estiver bonito ou de bicicleta. Respirar um pouco de ar puro, conhecer os menores recantos da cidade. A gente tem um clima tão bom e não aproveita. Aqui não neva, faz sol, quase não tem chuva horizontal e nós sempre trancados, enjaulados.


É mais barato, mais democrático, mais saudável e acrescenta mais qualidade de vida na rotina das pessoas. Eu acredito que seja possível. Se os holandeses conseguiram, a gente também consegue. E não adianta esperar que o governo faça. A gente tem que começar.

3 comentários:

Lucas Barreto disse...

Não sei, Professora. Um movimento "político" que promove o ÓDIO à política e aos partidos é tudo menos democrático, não acha? Estava claro desde o início que se tratava de um movimento reacionário. Só não viu quem não quis ver.

Drixz disse...

Lucas, eu não acho que estamos falando sobre a mesma coisa.

Lucas Barreto disse...

HEHEHE...Sim, Professora; é que já fui no ímpeto para além do texto. Eu já estou querendo trazer à tona essa "problemática", por assim dizer, do "vem pra rua", de modo que a última vez que nos deparamos - ou melhor dizendo - da última vez que me deparei com esse arrojo do "ir pra rua" acabei percebendo algo nefasto. Eis que trago novamente o último comentário. Acho que deu para entender. É possível debatermos? Forte abraço! :)