quarta-feira, 7 de abril de 2010

Talento ou esforço?

Eu sempre me pergunto isso. Será que tenho talento ou sou esforçada? Essa dúvida sempre me ataca na véspera de entregar algum artigo ou antes de uma apresentação. Leio outros artigos tão bem escritos e acabo me achando mirin. O mais importante nessa área acadêmica não é só o prazer pela coisa. Ela exige inúmeras habilidades de que somente agora eu descobri. Precisa-se além de um senso crítico aguçado, uma boa memória, bons contatos e sobretudo trabalhar com o tema certo. Eu na verdade tive motivações pessoais na escolha do tema. Mas não é também a literatura uma questão de gosto? O fato é que com essa escolha sempre fico na dúvida se tenho talento ou sou vítima da solidariedade das pessoas que trabalham com o tema.

Nós do feminismo estamos nadando contra a corrente. Muitos dizem que é um tema ultrapassado e blá, blá, blá. As muitas pessoas que trabalham nessa área são motivadas por experiências próprias. Eu acho isso fantástico. Muitos repetem que para mudar o mundo vc deve começar por vc mesma. Bom, aí está. Estamos tentando mudar a nossa vida e os ganhos não serão só nossos. Mas quando a teoria sai da academia e alcança a população? Ops, acho que mudei de assunto...

4 comentários:

L. disse...

Drixz, tenho inquietações afins...
Mas sei que estamos construindo outros espaços de conhecimento, atuações, interferências (heterotopias) e deslocando, desestabilizando o binômio poder-saber que fabrica a produção de conhecimento nas universidades...
Arrasaremos em nossas triagens acadêmicas, mundanas... são os votos da menina ansiosa que por aqui se despede!!!
beijos

Strepsiades disse...

Sei exatamente como você se sente... Também penso isso constantemente. O problema, é que eu sou muito presunçoso, ai acabo querendo me comparar com uma galera foda que eu leio. Desse jeito, meus textos sempre acabam uma porcaria, quando comparados com isso...

Mas ai eu descubro que boa parte deles recebem feedbacks positivos e que o pessoal gosta. É complicado.

A minha terapeuta (quando eu fazia) dizia que eu não deveria me preocupar com isso e simplesmente, tentar fazer o meu melhor. Num é?

luci disse...

engracado. eu poderia me perguntar "sera que eh porque eu nao tenho talento ou sera que eh porque eu nao sou esforçada"

prefuro pensar que eh pela segunda coisa.

pelo menos agora eu vou escolher o caminho que eu gostaria de tracar, estudar aquilo que me interessa. oh, yeah, pela primeira vez!

Bruna Paiva de Lucena disse...

drixz, somos por demais parecidos com aquilo que estudamos. Nossa sociedade (ocidental) separa as diversas camadas da vida (família, trabalho, afazeres domésticos etc.) para que, de alguma forma, algumas dessas atividades sejam mais valorizadas que outras, mas eu acredito que, na verdade, tanto o que estudamos, como o que comemos e trabalhamos dizem muito de quem somos e de quem queremos ser. Diante disso, ser talentosa ou esforçada fica para escanteio, pois somos o que somos em cada uma das esferas (que nem não esferas tão separadas como dizem parecer)e o que podemos ser. beijo grande!