sexta-feira, 4 de junho de 2010

Da família, ou Família?

Gostaria de começar o post agradecendo os comentários. Eu achei q o post anterior nem ia vingar, mas deu até pra ler desabafo e outras coisas mais. hehehe

O que ia ser um comentário respondendo os outros comentários ficou tão grande que teve que virar post, mas eu ainda quero fazer minha resenha do filme Sex & The City 2 (agora que minhas amigas já o assistiram e não vão me acusar de spoiler).

Pois é, gente. Família e "adultice" (ou maturidade) parecem conceitos muito antagônicos. Afinal, somos parte do comercial de margarina quando somos jovens, depois, na idade adulta parecemos destoar um pouco do núcleo familiar, que são os pais - casal. A escritora e estudiosa Germaine Greer fez nos anos 80 uma interessante observação sobre esse tema revelando que a maioria dos estudos sobre família até então se focavam realmente no casamento e não na família. Ela postula ainda, que para ela a Família é realmente uma família com "F" maiúsculo quando as relações se concentram no casal e quando ele é a base da família. Nós estamos acostumados a ver, destoando dessa imagem, famílias que se concentram nos filhos. Eu concordo com a Germaine num certo ponto, afinal, quando os pais colocam os filhos acima do seu relacionamento esquecem que a felicidade dos filhos pode se derivar da deles. Os filhos normalmente se sentem culpados pela infelicidade dos pais - e muitas vezes ouvem isso literalmente. Esse dramalhão mexicano (digo mexicano pq latino) é comum pois temos uma educação extremamente dependente economica e financeiramente dos pais. Um problema é o emocional - demoramos muito para começar a tomar as decisões por nós mesmos (não sei se isso é um problema exclusivamente feminino). Temos dificuldade com coisas práticas, por exemplo, entender todos os trâmites de um contrato de aluguel ou de venda. Outro problema é quando você se torna mais preparado (estudado) do que seus pais. O poder financeiro está lá para "baixar a sua bola". Afinal, se você é tão bom assim porque precisa da mamãe e do papai? Verdade é que a sociedade brasileira não valoriza muito o trabalho, apenas o bem remunerado. Você é considerado um idiota de perder a oportunidade de trabalhar morando na casa dos pais e economizando dinheiro para comprar sua própria casa em troca de ser dono do seu próprio nariz levando uma vida dura e pouco confortável dependendo somente de si mesmo. Isso faz com que esqueçamos o quanto nossos pais tinham quando se casaram e queremos sempre começar a vida melhor do que eles, mas sempre dependendo deles. Evidentemente eles cobram um tributo e tentam controlar a sua vida.

 Depois que casamos, formamos outro núcleo e a família antes nuclear parece mais distante. A situação demora um pouco a tomar forma. Acho que esse é o principal choque. De início me senti livre e vencedora, senti até mesmo vontade de falar um "NÃO PRECISO MAIS DE VOCÊS PRA NADAAA!!". Mas aos poucos fui entendendo muitas das reclamações deles. Principalmente com relação à organização da casa (na minha casa não havia empregada e uma faxineira esporadicamente). Por mais que pareçam claras as divisões das tarefas minha mãe ficava encarregada de uma logística avançada e quase invisível que ocupava tempo e desgastava. Parte dessa logística estava ligada ao fato dela ser mulher e coisas simples como decidir onde ficarão os móveis, o q tem q comprar para casa e oq colocar em cada gaveta. Toda vez que outra pessoa reclamava de fazer uma tarefa irrisória, a irritação transbordava. Mas a minha mãe nunca foi muito boa com as palavras e a gente não entendia isso. Hoje consigo ver com mais clareza do que ela, e estou conseguindo dividir isso com o Marcos. Outro problema era passar a tocha olímpica do esforço feminino pra mim. Se o meu irmão e o meu pai não faziam nada eu tinha que fazer, mas eu não entendia porque a bronca que ela dava em mim não podia ser dada neles. Estava óbvio que se eles ajudassem era menos serviço pra gente. Mas eu fui ingênua, poderia ter feito a minha parte como o meu irmão fingia fazer a dele e ser poupada do ódio da minha mãe. Será? Nesse ponto eu sei que se eu fizesse o serviço ganharia mais serviço. E já que ela ia me culpar de qq jeito por lhe revelar o estigma que ela mesma carregava era melhor ouvir as broncas e ficar com a cosciência limpa. Mas realmente a convivência não é nada fácil quando se toma essa decisão. Minha irmã tem certamente uma vida mais fácil depois que eu rompi as barreiras para ela, mas se ela adquirisse a consciência que eu tenho hoje ou já teria saído de casa ou viveria em paz com a minha mãe. Pelo menos não tem mais nenhum homem na casa para causar a discórdias. São só duas mulheres para dividir o trabalho.

O meu senso prático não é o melhor do mundo. Como a Mari disse, a Drica de 3 anos atrás era uma pessoa bem confusa e problemática. Mas é incrível perceber como a experiência quando refletida pode nos trazer sabedoria (e senso prático). Eu sempre fui uma pessoa que analisava as próprias atitudes posteriormente para ver onde eu tinha errado e se eu podia ter feito diferente. Muitas vezes isso me deixava louca, mas sempre me ajudava a fixar na mente os erros que não queria mais cometer. Todo esse conhecimento ficou armazenado no meu cérebro, mas não conseguia ser acessado, até o dia que eu tive uma epifania. Parecia coisa de filme. Eu fui vendo o meu passado e via que o que me fazia fazer sofrer era a mesma atitude de sempre e então aquilo que o meu pai falou tantas vezes entrou definitivamente na minha cabeça. Não sem uma ajudinha do Anthony Giddens, da Silvia Pravaz, da Rita Terezinha Schmidt, da Cíntia Shwantes, da Andrea Nye, da Virgínia Woolf...  Temos que levar nossa família menos a sério do que a Família que vamos construir (nem que seja só vc e seus amigos) e não adianta, no meu caso, tentar agradar a minha mãe. Se eu fizer o que ela quer, ela vai querer outra coisa. Ou seja, faço o que eu quero e tento não magoá-la. Isso significa que fico distante o máximo possível para não dar briga. Afinal, eu não quero carregar nenhuma mágoa extra quando ela for embora. Quanto aos problemas do casal, eu confesso não ter tido nenhum sério, mas sei que não serei imune, apesar de querer bastante. Nesse caso, será assunto para um outro post e será um assunto de Família, da minha Família.

3 comentários:

Iara disse...

Olha, muito interessante esse tema. Demais. Eu passei os últimos dias pensando nele. Eu fiz 30 anos agora, e tenho assistido uma certa inversão de papéis na vida de algumas amigas. Algumas tem pais relativamente jovens ainda, com 60 anos, que são muito dependentes emocionalmente. É como se, agora que elas não pedem mais opiniões pra eles pra resolver a vida, eles dependessem das delas. E eu tento não julgar, mas me incomodo por elas, sabe? Tipo, onde isso pode chegar.

Eu fui criada de outra maneira. Meus pais são ótimos, carinhosos, presentes, mas têm a vida deles e sempre me incentivaram a ter a minha. Eu me sentia até meio sozinha morando com eles. Sério. Depois de voltar de uma estadia de 1 ano na França, período em que a gente não se viu nem via webcam, eles me buscaram no aeroporto, tomamos café, papeamos 40 minutos, e depois cada um foi cuidar da sua vida. Almocei sozinha depois de 1 ano longe, porque o mundo deles não pára por minha causa (a não ser se eu estiver doente ou algo assim). Mas passada a instabilidade, agora que sou casada e tal, acho excelente. Minha mãe nunca me cobra uma visita. Eu vou porque sinto saudades, não pra cumprir obrigação. E é sempre ótimo. Marido é igual com os pais dele, todo mundo se adora, mas nossa vida é só nossa. E quando a gente se conheceu os dois já moravam sozinhos, então as famílias não tiveram nem espaço pra dar palpites no relacionamento.

Eu acho que interedependência ou co-dependência entre adultos uma droga. Filhos adultos só se dão bem com os pais se os espaço estiverem muito claros - e se tem gente que não consegue isso morando separado, imagine debaixo do mesmo teto. Saí de casa com 27 anos (26 se contar que eu passei 1 ano fora antes, vai), mas acho que já fiz hora extra. Não entendo gente ganhando bem que fica até os 35, 38 anos só pra ter as camisas passadas.

Glória Maria Vieira disse...

Olha, Drixz, eu até finjo entender o lado da minha mãe às vezes, quando não estou de acordo com as posições que ela toma (maioria das vezes), mas ela sempre tem que fazer uma coisinha a mais pra eu acabar com a folia. Então, eu vou e rasgo o verbo real. Sério, é estressante...

Caso me esqueçam disse...

falo da minha familia, mas morro de medo da mae que eu possa vir me tornar. sou babona, gosto de camilo por perto e deixar os filhos livre pra seguir sua vida me deixa tensa. ok, tensa eh uma palavra forte. famiia tem que ser feita ja pra ser desconstruida. doido.