segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Eu também vou reclamar!

Estou adotando uma nova postura. A da reclamação. Vou reclamar os meus direitos publicamente como cidadã brasileira. Eu estou vendendo a minha moto, por problemas que tenciono explicar aqui posteriormente de forma mais detalhada, e portanto tenho que me sujeitar ao árduo sacrifício de andar de ônibus em Brasília. Além do preço exorbitante da passagem e da ausência completa de políticas que me beneficiem nesse quesito (eu não sou formalmente estudante ou funcionária de empresa ou órgão público e autônomos não tem desconto em passagem nem qualquer coisa semelhante) eu ainda sou obrigada a conviver com a hipocrisia e os maus tratos por conta das empresas.

Não sei se alguém já reparou que os motoristas de ônibus são tão ou mais imprudentes que os de carro. Eles aceleram no sinal vermelho, andam e fila tripla, nunca respeitam a faixa deles, param fora da parada, andam acima do limite de velocidade parando nos pardais proporcionando aos passageiros a "agradável" experiência chamada "como os porcos se sentem no caminhão de carga". Outra experiência proporcionada aos passageiros é o "curso rápido para aspirantes a dublês que pulam de veículos em movimento", devido ao fato de que se você não desce correndo pode ficar estatelado na calçada pois o motorista sempre arranca quando vê que você colocou um pé na rua.

Poderia citar, ou reclamar de mais uma infinidade de coisas, mas o que eu acho absurdo é essa imposição sob quatro rodas. Quem não tem carro em Brasília sofre tanto que acaba fazendo de tudo para comprar um e passar mais tempo dentro dele torrando no sol quente em engarrafamentos cada vez mais frequentes. Tudo isso para evitar os cursos e experiências acima mencionados ou então evitar o deterioramento considerável da audição causado pelo barulho do motor dos "super" ônibus de Brasília. Mas o brasiliense pode simplesmente querer não ter que se sujeitar a humilhação de ter que andar nesse transporte público ridículo.

Vi durante algum tempo propagandas na tevê que diziam que o governo comprou 300 novos ônibus para frota e ainda ia comprar mais. Ora, quem anda de ônibus sabe muito bem que isso era só o que estava faltando, que os ônibus velhos iam continuar a rodar. E nem sei mesmo se compraram novos pois quando você vê aquele baú bonitinho, limpinho, muitas vezes quando entra nele percebe que só trocaram a carcaça.

Sei que muitos de vocês tem carro, mas pensem na economia que fariam, mesmo com essa passagem exorbitante, se deixassem de pagar seguro + ipva + combustível + estacionamento. Se existisse uma rede de linhas de metrô no lugar de UMA linha e ônibus que fizessem, por exemplo o trajeto trasversal entre as vias paralelas de Brasília onde você pagasse só uma passagem e fizesse algo chamado "conexão", não seria possível dispensar o carro pelo menos durante a semana? Melhor ainda, se o transporte aqui fosse bom você poderia continar tomanda uma cervejinha no bar sem se preocupar com a lei seca pois poderia voltar de ônibus ou metrô para casa. Isso sem deixar de falar no seu bom humor sabendo que não precisa procurar vaga no setor comercial ou no Pátio.

Não seria bom se o governo cumprisse a OBRIGAÇÃO dele de garantir o nosso DIREITO a um transporte público de qualidade pelo qual pagamos uma dezena de impostos direta e indiretamente?

2 comentários:

Mari disse...

nem me fale... eu só nao abro mão do meu carro por tudo q vc falou...

Strepsiades disse...

Ah, a gente sempre fala isso: linhas transversais e um metrô que segue pela explanada, seria o paraíso.