sexta-feira, 7 de novembro de 2008

O que é literatura

Passei quatro horas respondendo essa pergunta, mas sinto que ainda posso responder mais alguma coisa. As pessoas sempre acham o estudo literário algo abstrato. E é, em certo ponto. A literatura pode ser encarada de vários pontos de vitas com objetivos diferentes. Pode-se ver a literatura do ponto de vista do leitor, do autor, da linguagem entre outros adicionando ainda os que se inserem neles e viram outros pontos de vista. Mas o mais importante é saber que o que é considerado literatura hoje pode não sê-lo amanhã e o que foi anteriormente talvez hoje não o seja mais. Isso porque qualquer julgamento a respeito da literatura já trás implícito um juízo de valor e o valor me parece ser também algo abstrato. Pode também não ser.

Complicado, mas quando se trata de humanas, nada é simples demais nem complicado demais. A literatura é feita de linguagem e a linguagem é produto do homem como ser social e histórico. Isso porque as palavras carregam uma infinidade de significados e imagens que variam conforme a cultura do indivíduo, mas que podem coincidir em deterninados casos. Isso implica que a linguagem também é social e histórica. É quase tão difícil precisar o nascimento da sociedade com o da linguagem. Como ela surgiu? Quais foram as primeiras palavras do homem? O quê ele queria dizer?

Além disso, quando pensamos em algo, podemos pensar dissociandamente da linguagem? Mesmo quando pensamos em imagens, não terão essas imagens um significado lingüístico implícito?E as imagens, não nos são conhecidas através de uma linguagem (simbólica e referencial)? Isso pode levar a crer que a literatura é tudo. Mas tudo na literatura é relativo. E no fundo depende de quem lê, de quem publica e principalmente de quem escolhe o que se publica.

Um comentário:

Paulo Rená da Silva Santarém disse...

Ontem visitei o museu da língua portuguesa, em são paulo.

Seu texto caiu como uma luva.

E como disse Brás Cubas, a obra em si mesma é tudo: se te agradar, fino leitor, pago-me a tarefa; se te não agradar, pago-te com um piparote, e adeus.