quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Maternidade no Brasil X Suécia

Muito tempo sem escrever no blog. Talvez eu tenha até perdido a prática. Mas a gente sempre tenta.

Agora que sou mãe fica um pouco difícil falar de outra coisa. Eu assisto jornal e tudo, mas sinto uma preguiça de conversar sobre política... Acho "engraçado" o governo estar fazendo esse monte de corte em setores estratégicos e ter a cara de pau de me dizer que educação é a prioridade. Meio milhão de brasileiros tiraram zero na redação do ENEM. A educação tem mesmo que ser a prioridade. Mas vou deixar esse assunto para um outro post (se possível), pois não é sempre que consigo fazer o pimpolho cochilar durante o dia.

Tenho duas amigas que moram na Suécia que estão mais ou menos na mesma situação que eu. Uma tem um bebê da mesma idade do meu e a outra está grávida. Eu não converso muito com elas porque o fuso horário complica as coisas, mas mesmo sem muito contato, apenas pelo facebook, eu morro de inveja, e muitas vezes me lamento de não estar lá. Não vou me mudar pra lá porque não tem emprego compatível com a minha qualificação e a do meu marido, mas as vezes não consigo deixar de me lamentar (nessas horas tento me lembrar do inverno)

Motivos da minha inveja: Elas tem 18 meses de licença maternidade. Essa licença pode ser dividida com o pai da criança, o casal decide. Desses 18 meses o pai é obrigado a ficar com o filho por 2 meses.

Além disso, tem outras coisas, como por exemplo, a mobilidade urbana. Eu mal consigo sair do meu prédio com o Antônio no carrinho sozinha porque a porta fecha em cima de mim, além de ser muito estreita. E não é só isso. A maioria dos lugares pressupõem que vc vai de carro. Não tem a menor infraestrutura para quem quer passear a pé. Pode me chamar de louca, mas eu morro de medo de andar na calçada com o meu filho no carrinho. A velocidade com que os carros passam e a calçada estreita faz com que qualquer colisão entre os carros vá parar em cima da calçada. A chance de sermos atingidos é muito alta. E ninguém em Londrina para na faixa de pedestre, isso torna a tarefa de "passear" nada simples. Eu tenho que sair correndo para atravessar o sinal, porque o tempo que ele fica verde pra mim é ridículo...

Nessa horas eu me lembro daqueles ônibus que inclinam para os passageiros idosos, para os cadeirantes e os carrinhos de bebê entrarem e suspiro de saudade. Me lembro das calçadas largas, da cidade arborizada, calma, sem motos potentes acordando o meu filho quando eu finalmente consigo colocá-lo pra dormir. Fico pensando em como as minhas amigas vão poder confiar na creche do governo, e eu vou ter que pagar um dinheiro que eu não tenho para poder colocar o meu filho na creche...

E nem me lembre do preço das coisas. Nossa indústria reclama quando o dollar está baixo, mas não conseguimos competir, não adianta. Os carrinhos de bebê nacionais não conseguem ter a mesma qualidade. E me diz, porque tudo de bebê, nacional ou importado é tão caro? Porque tem imposto sobre isso?

Fico pensando nos malucos que aparecem querendo benzer o meu bebê ou sendo extremamente indelicados dizendo "tá muito quente pra ele", "tá muito frio", "ele é muito novo pra sair de casa"... E penso que na Suécia ninguém ia nem reclamar se eu colocasse uma saia nele ou fizesse um moicano. Penso ainda que essa "preocupação" é uma baita hipocrisia porque no dia a dia ninguém pensa nem em fazer uma cidade melhor para nossas crianças nem um país. Todos querem que eu compre um apartamento que tenha um play e pague uma babá para ficar com ele lá.

Acho que eu já sei porque não converso muito com minhas amigas na Suécia sobre como está sendo a maternidade pra elas...

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