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segunda-feira, 7 de maio de 2012

Da incompetência

Apontar o dedo na cara dos outros é fácil, mas reconhecer os próprios erros, é muito difícil. Eu não vou bancar de profissional perfeita, pois isso está longe da minha realidade. Eu tento sempre fazer o meu melhor com o tempo que eu tenho. Já fui de me sacrificar pelo trabalho. Ainda hoje abdico de alguns finais de semana pelo bem dos meus alunos. Confesso, entretanto, que o esmero na preparação das aulas é algo que me abandona às vezes. Outras é minha ânsia por novas metodologias que me atrapalha. Afinal, quem nunca usou os próprios alunos como cobaias para novas abordagens de ensino?

Eu posso não ser uma profissional perfeita, mas sei exatamente o que é um mau profissional. Sempre relutei em usar o termo, mas hoje reconheço que ser pró-ativo é essencial. Na minha opinião, essa característica separa os (bons) profissionais em duas categorias: Os "achadores" de problemas e os "resolvedores" de problemas.

Digo os bons porque os ruins não são pró-ativos de forma alguma. Mesmo quando sabem de algo errado, fingem não ver, se apressam em não saber e, é claro, nunca são responsáveis por nada.

Quanto aos "bons" profissionais se dividirem em duas categorias, na verdade é bondade minha. Talvez eu seja um pouco "paternalista", como muitos brasileiros. Eu deveria dizer que existe apenas um tipo de bom profissional. Existem pessoas que acham que criticar apenas basta. Reclamar, descer o cacete. Parece para muitos um sinal de competência. Para mim não é. Se a pessoa pode usar tamanha energia para criticar, também pode para ajudar. Não adianta falar que está errado e não propor uma forma de consertar.

Muitas vezes a gente não sabe ainda como arrumar algo, então, esmiuçamos a crítica. Levantamos todos os pontos ruins e assim, num trabalho conjunto, procuramos respostas. Criticar por criticar é gastar toda energia produtiva em algo que não volta ou que volta em forma de mais críticas improdutivas. Eu não acho que devamos ser hiper-sensíveis a críticas. Devemos aceita-las, mesmo quando não apontam uma direção, pois como bons profissionais, saberemos resolver o problema, mas ao contrários dos inquisidores, o bom profissional vai criticar quando souber o porquê da crítica. #prontofalei.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Quanto vale uma boa educação?

Recentemente me chamou a atenção um comentário na reportagem da Folha da sub-síndica de um prédio da Vila Mariana em São Paulo sobre a educação dos condôminos. Na ocasião, houve uma confusão na frente do prédio pois um menor de idade que morava no prédio anunciou uma festa através de uma rede social e super lotou a cobertuda do local. "De acordo com a subsíndica, o fato de haver bebida para menores era inaceitável. "São jovens de escolas boas. E os pais pagam uma fortuna pra isso?", disse."

Eu fiquei me perguntando exatamente para que os pais desses jovens pagam uma fortuna. Alguém tem alguma idéia? Bom, talvez a primeira preocupação dos pais seja com a educação em si. As disciplinas, o conteúdo. Sim, pois eu não me lembro exatamente de nenhuma disciplina da grade curricular dizendo que os adolescentes não devam beber ou fazerem festas. Se pararmos para pensar, se o governo não tivesse tanto medo de ensinar um pouco sobre direito civil (ou constitucional) nas escolas isso até poderia ser discutido, afinal, o consumo de álcool no Brasil por menores de 18 é proíbido por lei. Mas isso não é matéria da escola. Pelo menos não fazia parte da grade curricular no meu tempo. Acho que agora existe sociologia, mas não sei que é o enfoque da matéria.

Mas o que mais me chamou a atenção foi a outra possível interpretação dessa frase. Aquela de que supõe-se que frequentar a escola, sendo uma escola cara, é sinônimo de boa educação. Eu lembro de minha mãe dizendo "boa educação vem de berço" como sinônimo de algo que se aprende em casa. Talvez educação agora seja outra coisa, não mais uma obrigação familiar. Parece que ter dinheiro para pagar a escola vai resolver o enorme encargo da família com a educação. Coitada dessa família, não sabe da missa a metade. Poucas são as escolas particulares empenhadas em algo além de aprovar seus alunos no vestibular. Senso crítico, cidadania, civilidade, meio ambiente? Alguém pode até responder que está dentro das "missões" da escola. Pode até estar escrito no Projeto Pedagógico, mas se a família participasse mais veria que no máximo, separa-se o lixo em algumas escolas.

O que se quer hoje, nessa educação lucrativa, são números, lucros e poucos dividendos. Paga-se para ter resultados. Esquece-se do caráter humano, pula-se etapas. Que adolescente já decidiu com 13, 14 anos o que quer da vida? Quantas crianças gostam mais de estudar do que de brincar? Eu gostava da subjetividade do ensino, de estimular o senso crítico, a multiplicidade. Mas o negócio agora é a resposta certa, é fazer pontos, o vestibular, o vestibular! Depois se aprende a viver, afinal de contas, brasileiro estudado, mora com os pais até os trinta, não vai ficar endividado.

Pensado que seus filhos serão educados pela escola, os pais de hoje talvez percebam o estrago e sejam mais "condenscendentes" com seus jovens adultos, mimando-os um pouquinho mais. Afinal, agora, aposentados, podemos dar a atenção que deveríamos ter dado antes,mas estávamos ocupados demais trabalhando, vendo televisão, para dar. Depois dizem que o estado é paternalista, que injustiça. Estranho que alguém esqueceu de avisar aos cursos de licenciatura para prepararem os professores para "educarem" os filhos dos outros. Estranho ainda é que hoje em dia os professores não tem mais quase nenhum poder ou respeito dentro de sala de aula, mas mesmo assim, vai tentar. Em meio ao seu cronograma apertado, cheio de informações entre compostos, logarítimos e machadianos, tentar atingir alguma das outras metas do suposto projeto pedagagatico. E se não der, que pena, fique só no conteúdo do vestibular mesmo, é mais imediato, entende?

E assim caminha a brasilidade: "estudando", repetindo e decorando, em nome de uma boa educação. Mas se o filho reprovar, a culpa nunca é dele não. Foi o professor que não cumpriu a meta, justa causa nele, então.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Dúvidas, receios, ansiedades...

Nunca é fácil tomar decisões na vida. Entre pedir peixe ou carne ou decidir o futuro estamos sempre expostos a riscos e consequencias. Mas o risco de pedir carne no lugar do peixe é apenas uma ponta de dúvida de que o peixe poderia estar melhor. Mas existem decisões que podem fazer vc ficar parado no mesmo lugar.

Uma vez, quando era criança, no dia seguinte ao meu aniversário, perguntei para minha mãe quantos dias faltavam para o meu próximo aniversário. Eu não sabia contar e "um ano", para mim, não era resposta. Minha mãe teve que fazer contagem regressiva por pelo menos uns três meses até eu me cansar. Eu simplesmente não conseguia relaxar e esperar o dia em que minha mãe dissesse algo mais palpável como "amanhã é seu aniversário". Tudo bem que eu devia ter 3 ou 4 anos, mas na vida adulta, as vezes não é muito fácil esperar por algo que é bem mais incerto do que o seu aniversário (que certamente vai ocorrer uma vez a cada ano).

Por mais que eu saiba que não é hora de pensar nisso, não consigo parar de me perguntar como será minha vida ao voltar para o Brasil. Não tenho certeza se quero fazer um doutorado, muito menos qual temo e qual área. Não sei também se vou ficar em Brasília por muito tempo ou se vou continuar dando aula de francês. Mas ao mesmo tempo não consigo me animar para escrever meus artigos do mestrado ou procurar um contato para o doutorado por aqui. Eu andei pensando porque tenho agido assim, e acho que cheguei a conclusão: acho que ainda não estou pronta para tomar uma decisão. Infelizmente, pois também não consigo parar de me pressionar para decidir algo. Estou em cima do muro. E a única coisa que eu sei, é que quero meu canto e o meu amor do meu lado.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Como sempre...

eu reclamo reclamo e no final tenho o que eu quero numa dose quase tão grande que as vezes acho que é demais. O que eu estou querendo dizer? Bom, lembram da senhorita aqui reclamando cântaros que não tinha trabalho, bi bi bi, bo bo bo? Entrei num curso de sueco pago para ter com que ocupar essa cabeça caraminholante. Duas vezes por semana eu vou ao centro ao meu "svenska kurssen" por 2 horas.

Bom, a questão é que aqui eles tem uma escola pública para adultos que tem cursos de sueco (de graça). Eu achei que fosse uma coisa complicada de conseguir, pois eu cheguei depois da data de início de todos os cursos. Também tem aquele fato de que no Brasil tudo de legal que o governo "dá" pra gente é um drama para conseguir.

O mais difícil foi chegar lá, isso porque da primeira vez eu tentei ir a pé. Mas ele fica fora da cidade, então não rolou. Andei duas horas naquele dia, foi punk. Mas na outra semana, cheguei ao Komvux e a recepção estava fechada. Ele funciona a cada meia hora de cada hora, algo assim. Esperei um pouco e voilà, marquei uma entrevista para a semana seguinte. Já comecei a ficar mais animada.

No dia da entrevista eu fiquei bem nervosa. Fui estudando no baú, mas na aula anterior do meu curso pago, eu tinha boiado por metade da aula. Achei que ia me ferrar no teste, mas a moça da escola começou perguntando meus dados pessoais em sueco. Tirando pelo número de telefone que eu esqueci se falávamos de 2 em 2 ou 3 em 3, o resto foi tranquilo. A entrevistadora ficou tão animada com minha escolaridade, que me colocou para começar o curso na semana seguinte. Eu perguntei a respeito do curso já ter começado, mas ela disse que não havia problemas, que achava que eu dava conta.

Conclusão, vou fazer aula de sueco 4 vezes por semana de manhã e mais 2 à noite. Isso pq eu ainda estou pensando em fazer um curso de inglês semestre que vem. Ai ai. Sou doida mesmo. Agora não vou ter tempo pra nada. Bem feito.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Tirando forças de... Thor?

Eu bem que queria estar batendo um papinho com Pã, comendo castanhas do Pará ou no Valhalla tomando cerveja despreocupadamente, mas eu estou aqui travada intelectualmente. Para melhorar minha situação, fui ignorada pela bam bam bam dos estudos de gênero aqui da Universidade de Lund que nem seque se deu ao trabalho de responder o meu e-mail.

E-mail que aliás demorou quase um mês para ser escrito, pois eu tenho o péssimo hábito de ser, digamos, concisa demais para uma pessoa das humanas. Além disso eu tinha que escrever em inglês, coisa que meus amigos sabem muito bem que eu não sou capaz de fazer. Mas meu marido sim, hohoho. Ele traduziu, ficou ótimo. Mandei. Primeira semana, nada. Segunda, nada. Terceira = eu deprimida me achando burra, inútil, louca e prepotende de achar que a bam bam bam daqui ia dar bola para mim. Aí depois veio a quarta semana, a fase da paranóia "Será que ela não recebeu o meu e-mail ou terá algo contra os brasileiros?", "Será que pensa que eu quero fazer doutorado aqui e por isso me ignorou?", "será que ela sabe que eu não escrevo em inglês?". Depois veio a fase da auto-reflexão. Mas essa fase me dói um pouco pq eu acho que fui bastante prejudicada no meu mestrado.

Primeiro porque eu não tinha bolsa, depois porque descobri que poderia ter tido bolsa, e ninguém me avisou. Além disso, eu trabalhava 40hs semanais dando aula na UnB, fazia disciplina e não tinha final de semana. Para completar, ainda fui gentilmente apressada pelo pessoal da secretaria a defender dentro do prazo, que diga-se de passagem, encurtaram na metade do mestrado. Mais tarde não me deram verba para convidar ninguém de fora pra minha banca. Mas no final tudo acabou dando certo, mas... Eu merecia pelo menos um milhão pelo trampo. hehehehe Se alguém quer saber quanto eu acho que vale.

Daí eu pego o meu diploma, metaforicamente, pois ele ainda tá lá na reitoria, ponho debaixo do braço e venho pra cá, pra terceira maior cidade da região de Skåne. Não digo que fui bater na porta da Universidade de Lund porque foram inúmeros desafios a enfrentar. Primeiro o meu pânico de falar inglês em público teve que ser resolvido, ou eu me tornaria de fato uma hermitona isolada dentro de casa. Mas pedir informação, comprar comida e fazer aula de sueco em inglês é uma coisa, ter um papo sobre meu doutorado é outra. Eu nem consigo pensar no vocabulário da minha própria dissetação em inglês. As vezes me imagino numa puta saia justa falando besteira como "I realy like genders studies", ou "- I'm working whith the representation of the matherhood... - Okay, the Department of Performing Arts is in the bilding over there. Have a nice day!"

Daí eu tive a melhor idéia de todas, tudo bem que devo alguns créditos a minha cara metade, mas enfim, quem vai fazer sou eu. Vou escrever os artigos do mestrado e tentar publicar, afinal, esse mestrado tem que servir para alguma coisa. Além do mais, eu sou um pé no saco sem estar trabalhando. Encho minha cabeça de caraminholas. Também tem o lance do doutorado. Se eu quiser fazer um em qq lugar, preciso de algo publicado, né.

Mas aí vem então a falta de ânimo. Descobri que adptar meus capítulos para virarem artigos não vai ser nada fácil. Alguém sabe que diabos de programa lê a extensão .ebok?

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Funcionando sob pressão!

Os dias andam muito corridos. Li metade de um livro de 700 páginas para o meu trabalho e na hora de escrever sobre ele não consigo nem lembrar porque o li. Um monte de dicas legais sobre outros blogs, acordo cheia de idéias para postar e na hora que me sento aqui, dá um branco.

Tenho que reescrever minha introdução e a minha conclusão, mas como? Eu sei o que está ruim, mas não sei o que por no lugar. Queria tanto falar de um assunto mais legal, banalidades, ou quem sabe até política. Mas nada. Estou quase escrevendo outra dissertação só sobre o tédio e a falta de inspiração. Já dois dias se passaram onde eu me dediquei a estudar e na hora de colocar o estudo no papel nada saiu. E eu estava indo tão bem. Vai ver que foi uma ilusão. Buá, buá!

Nessas horas uma mistura de raiva com frustração toma conta da gente. Penso em jogar tudo fora e começar de novo. Que se explodam os prazos, eu não ganho pra isso mesmo. Outra vontade que tenho e deixar tudo em stand by e ir tomar uma cerva, me esconder debaixo da coberta, tomar um café quentinho e assistir o Ben 10. Não pensar em nada, descançar o cérebro. Preciso de idéias e elas não vem! Vou fazer quem nem o Dali (não sei se isso é verdade, foi uma história que o meu irmão me contou), colocar um prato ao lado da cama e segurar uma colher na mão. Quando começar a pegar no sono e a colher tocar o prato eu escrevo a primeira coisa que passar na cabeça. Que tal?

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Entrevista

Espelho, espelho meu, existe algo mais humilhante, moco e sacal que uma entrevista de emprego?

Difícil achar, mas deve existir. Coisas como a burocracia, por exemplo. Eu sei que as pessoas se esforçam, criam joguinhos, fazem perguntas criativas e até mudam o nome de RH para Gestão de Pessoas, mas no fundo no fundo é tudo a mesma velha fórmula: responda o que eu quero + finja que essa empresa bosta é a melhor + nós fingimos que ligamos para as pessoas = talvez você passe (se não passar nunca terá um feedback).

O pior é que ainda assim o entrevistador sente uma espécie de piedade misturada a um complexo de superioridade enojante. Eu já li uma porção de dicas e elogios aos processos seletivos atuais. Já li que jogam WAR, deixam você na sala de espera para ver que tipo de atitude toma, se escolhe uma VEJA para ler ou se vai direto na CARAS ver a fotos. Mas sinceramente, comigo isso nunca aconteceu.

Eu fico esperando um tempão numa sala cheia de revistas velhas onde ninguém explica nada me dão uma prova de conhecimentos gerais idiota e no final uma redação com um tema inovador como "descreva você mesmo" ou então "qual o significado do trabalho pra você". Sinceramente, com um pessoal desses não me admira que a maioria das empresas brasileiras declarem falência no primeiro ano de vida.