Eu sou meio "caraminhocoladora"*, tô pensando em 3 coisas diferentes ao mesmo tempo e, as vezes, essas coisas acabam se relacionamdo por acaso. Ou não. Bom, estava lendo o meu e-mail e recebi um convite para um colócio sobre pensadores da cultura. Enquanto lia a programação me veio a cabeça um episódio dos Simpsons. Sempre gostei do desenho pq achava que a minha família parecia com a deles. Hoje vejo que temos muito pouco em comum e também consigo enxergar a parte adulta do desenho. Afinal, os Simpsons começou a passar no Brasil quando eu era criança. O episódio que eu estava assistindo era o dos Simpsons na Inglaterra. Eu gosto especialmente desses episódios onde eles viajam porque é uma esculhambação total. Eles fazem um retrato caricato do país, o país sacaneia com eles e proto, estão quites.
Mas o que eu me lembrei desse episódio que me fez pensar em outra coisa foi o final. Sim, vou SPOILIAR os Simpsons. se vc nunca viu esse episódio, não termine de ler esse post.
Quando o Homer, se eu me lembro bem, fica preso na Torre de Londres por ter batido na carruagem da Rainha. A família dele consegue achar uma passagem secreta para tirá-lo de lá. Mas na fuga ele se perde e acaba indo direto para os aposentos de sua magestade. Não tendo outra saída, Homer se ajoelha aos pés da Rainha e pede clemência, no estilo dele. Como ele pede é que eu acho fantástico. Vou tentar transcrever aqui:
"Por favor, magestade. Eu sei que eu, como muitos americanos aqui, me comportei como um perfeito idiota. Mas nós, os americanos, somos filhos da Inglaterra. Eu sei que não telefonamos com a frequência que deveríamos, nem somos tão bem comportados como nossos irmãos do Canadá [...]. Mas por favor, busque no seu coração cravado de jóias um jeito de me perdoar."
Eu tentei achar o texto em inglês, mas ficou muito complicado para o meu netbook e minhas habilidades internáuticas. Mas acho que era mais ou menos a mesma coisa, se me lembro bem.
Voltando ao colóquio, da lista de mais ou menos 10 pensadores, não tinha nenhuma mulher entre eles. Algumas apresentações não traziam o autor no título, mas eram apenas 3. Se forem mulheres, o que eu duvido, isso no traz 30% de presença feminina no pensamento cultura. É muito pouco se pensarmos que só no Brasil, as mulheres são 50% da população e que nas áreas da cultura e das artes figuram como maior parte do corpo docente e dicente. É difícil pensar que não temos pensadoras da cultura brasileira e até mesmo mundial que mereçam aparecer numa lista dessas. Eu as vezes tenho vontade de surtar como a personagem do conto da Lygia Fagundes Telle, Senho Diretor, e escrever cartas para esse povo. Mas no meu caso seriam cartas bem desaforadas, do tipo "Machado de Assis, de novo!?, ou "mais uma leitura de Shakspeare? Tem certeza que ele é inesgotável?. Ah, não! Tá de brincadeira que vai tentar me vender Bernardo Carvalho como cool e super novo, de novo? Ou que tal mais um Bosi, Cândido e Moisés, isso quando somos muito revolucionários em citar críticos brasileiros.
AAAAAAAAAAAA! Eu quero algo novo! AlôÔÔôu, academia, o povo lá fora ainda acha que a nossa capital é o Rio de Janeiro e que falamos espanhol e vcs ainda preocupados em venerar aqueles que um dia, por acaso, algum gringo veio aqui e estudou pq não tinha mais ninguém no país dele para estudar. Eu escolho Pagu em vez de Andrade, Lygia em vez de Clarice, Júlia Lopes de Almeida no lugar do Machado, Elvira Vigna em vez do Carvalho e que tudo mais vá pro... tororó.
Pronto, falei!
Você pode estar pensando que eu quero que haja apenas mulheres. Certamente eu gostaria que houvesse mais, mas não somente isso. Muitos desses autores que estão sendo estudados, são os mesmos que eu estudei na graduação. Os alunos ainda lêem as mesmas coisas. Tudo parece mais do mesmo...
E o que tudo isso tem a ver com o texto dos Simpsons? Sei lá, talvez estejamos ainda com medo de "sair da casa dos pais", tomar uma postura menos confortável e aceitar os riscos e as consequências, agindo como "crianças" esperando um amadurecimento que não estamos lutando para ter, esperando sermos perdoados pelo mundo pelos nossos eros. Talvez?!
PS: Para evitar defesas acolaradas sobre a qualidade dos autores criticados acima, gostaria de ressaltar que a qualidade deles é lugar comum e não discuto ou duvido disso. Mas o que estou querendo é uma renovada, uma cara nova nos currículos de literatura, na pós... Sei lá, algo diferente. Tá tudo com uma cara meio clichê. Mas graças tem boas pessoas trabalhando com coisas muito diferente, e felizmente, gente muito boa! Infelizmente, uma minoria nesse marzão.
*Expressão da personagem Lorena de As Meninas (Lygia Fagundes Telles)
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quarta-feira, 29 de junho de 2011
quarta-feira, 20 de abril de 2011
Pensando no Brasil
Gonçalves Dias escreveu sua Canção do Exílio enquanto estudava na Europa. Ele era filho de português com uma cafuza, expressão que eu realmente não gosto, mas para quem não sabe cafuzo é a mistura de índio com negro. Podemos assim dizer que Golçavez Dias era um legítimo brasileiro, como todo os outros.
Uma coisa engraçada de se estar fora do seu país e que vc entra em contato com vários estereótipos. Muitas das coisas que eu li na Identidade cultural na pós modernidade (Stuart Hall) e Crítica da imagem erocêntrica (Robert Stam e Ella Shohat) eu vi quase que na prática. Por exemplo, ouvir dos gringos qual lugar eles devem ir para ver mulheres de biquini no Brasil. Tipo, não interessa a cultura ou a História brasileira, o que importa são as mulheres, as festas e os biquinis. As pessoas não fazem a menor idéia de como é o Brasil, quantos habitantes, quais são as músicas típicas, e o que mais me entristece: não sabem nada da diversidade cultural brasileira.
Quanto disso é nossa responsabilidade? Eu vejo aqui na biblioteca pública de Lund, Gabriel Garcia Marques, Vargas Llosa, Isabel Allende, em sueco, inglês e espanhol. Mas não encontro nada sobre a Literatura brasileira. Nem aqueles super batidos como o Machado de Assis, o Lima Barreto, a Clarice. Talvez por isso eles não cheguem nem perto da dimensão cultural do Brasil. O que nós estamos vendendo? Sempre o Carnaval e só o do Rio. Festas, mulheres...
Aqui tem órgãos do governo que tem folders em pelo menos 10 línguas, mas nada em português. Porque os brasileiros sempre dão um jeito de se comunicar? Quando digo que sou brasileira, muitos pensam que falo espanhol. Todo brasileiro entende um pouco de espanhol e fala portunhol super bem, mas essa não é nossa língua materna e eu não vou falar espanhol por aí. Se é para praticar uma língua estrangeira, que seja o inglês, que preciso mais. Tudo bem que somos um dos poucos países da América Latina que não fala espanhol, mas nós somos o maior e o mais rico. A China é o único país da Ásia que fala chinês. Fico pensando se algum idiota começa a falar japonês com um chinês porque acha que é tudo a mesma coisa. Porque isso acontece?
Outra coisa que me intriga é que quando estamos aqui ouvimos sempre as mesmas perguntas de outros brasileiros: "Vocês vão ficar por aqui?" E logo em seguida uma série de dicas e propaganda tentando convencer você que ficar aqui é uma ótima idéia. Quando deixamos escapar que não temos vontade de viver aqui, as pessoas nos olham espantadas. "Como assim vc não quer viver na Suécia?". As vezes acham que estamos tendo uma má experiência, o que não é verdade. Eu não tenho dúvidas de que em muitos aspectos a vida aqui é mais fácil e melhor. Nós estamos vivendo aqui com o mesmo orçamento do Brasil e nossa casa é mais legal, podemos andar a pé a qualquer hora pela cidade, podemos comer uma série de coisas que não achamos no Brasil, podemos viajar para outros países por um preço bem mais acessível do que viajar pelo Brasil.
Mas sabe, as coisas aqui são tão certinhas, tão organizadas, que nem os suecos gostam. Muitas vezes eles parecem pessoas cheias de TOCs tentando se livrar da organização, mas não conseguindo. É relativamente engraçado. Eu gosto da vida por aqui, mas não sei se me encaixaria. Temos a sensação de que não precisam da gente as coisas aqui só continuam. Tudo bem que ainda precisam conhecer mais o Brasil e nisso eu poderia ajudar. Mas a imagem do nosso querido país não vai ser tão diferente até termos mais orgulho de quem somos e do que fazemos. E não ficarmos procurando uma remota ascendência européia para tentar ser tratado como um gringo na hora de viajar, isso é ridículo. Raras excessões são essas famílias multinacionais, a maioria está indo atrás de uma raiz que formou o Brasil, mas que não deve ser colocada acima da nossa história e do nosso país. Devemos sim nos sentir mal pelo tratamento que recebemos dos estrangeiros e fazer eles se esforçarem mais para nos entender e conhcer o nosso país sem entregar tudo de mão beijada. Eles chegam no Brasil com as mulheres dando mole, todos querendo conhecê-los... Acho que é um pouco de exageiro na hospitalidade...
Eu sei que posso fazer muito mais pelo Brasil, mesmo ele me maltratando. A experiência aqui ajuda a ver o que está errado no Brasil. Não que devamos seguir o modelo sueco, mas podemos refletir melhor sobre o papel do Estado. No Brasil ele é completamente inútil, mas aqui ele torna sua vida mais fácil. Você só precisa pensar em você, claro que tem que fazer a sua parte, mas não precisa implorar para conseguir o passe estudantil, ser humilhado toda vez que precisa ser atendido por um funcionário púclico, pagar um plano de saúde e ter um atendimento com a qualidade de um hopital público... Mas o Brasil precisa acordar. Não é só ganhar dinheiro que melhora a vida de uma nação. Não tem cabimento a gente sentir vergonha de exigir os nossos direitos. O povo é acuado pelo estado desde uma simples enfermeira até o policial. São eles que nos servem e tem um papel muito importante, não devem ser desrespeitados, mas nós não podemos ter medo deles.
Nós não temos que ter orgulho somente das coisas banais como palmeiras e sabiás, temos que ter orgulho de sermos um povo que trabalha muito, mas temos que ter vergonha de sermos um povo que trabalha também para fazer aquilo que o governo deixou de fazer.
Uma coisa engraçada de se estar fora do seu país e que vc entra em contato com vários estereótipos. Muitas das coisas que eu li na Identidade cultural na pós modernidade (Stuart Hall) e Crítica da imagem erocêntrica (Robert Stam e Ella Shohat) eu vi quase que na prática. Por exemplo, ouvir dos gringos qual lugar eles devem ir para ver mulheres de biquini no Brasil. Tipo, não interessa a cultura ou a História brasileira, o que importa são as mulheres, as festas e os biquinis. As pessoas não fazem a menor idéia de como é o Brasil, quantos habitantes, quais são as músicas típicas, e o que mais me entristece: não sabem nada da diversidade cultural brasileira.
Quanto disso é nossa responsabilidade? Eu vejo aqui na biblioteca pública de Lund, Gabriel Garcia Marques, Vargas Llosa, Isabel Allende, em sueco, inglês e espanhol. Mas não encontro nada sobre a Literatura brasileira. Nem aqueles super batidos como o Machado de Assis, o Lima Barreto, a Clarice. Talvez por isso eles não cheguem nem perto da dimensão cultural do Brasil. O que nós estamos vendendo? Sempre o Carnaval e só o do Rio. Festas, mulheres...
Aqui tem órgãos do governo que tem folders em pelo menos 10 línguas, mas nada em português. Porque os brasileiros sempre dão um jeito de se comunicar? Quando digo que sou brasileira, muitos pensam que falo espanhol. Todo brasileiro entende um pouco de espanhol e fala portunhol super bem, mas essa não é nossa língua materna e eu não vou falar espanhol por aí. Se é para praticar uma língua estrangeira, que seja o inglês, que preciso mais. Tudo bem que somos um dos poucos países da América Latina que não fala espanhol, mas nós somos o maior e o mais rico. A China é o único país da Ásia que fala chinês. Fico pensando se algum idiota começa a falar japonês com um chinês porque acha que é tudo a mesma coisa. Porque isso acontece?
Outra coisa que me intriga é que quando estamos aqui ouvimos sempre as mesmas perguntas de outros brasileiros: "Vocês vão ficar por aqui?" E logo em seguida uma série de dicas e propaganda tentando convencer você que ficar aqui é uma ótima idéia. Quando deixamos escapar que não temos vontade de viver aqui, as pessoas nos olham espantadas. "Como assim vc não quer viver na Suécia?". As vezes acham que estamos tendo uma má experiência, o que não é verdade. Eu não tenho dúvidas de que em muitos aspectos a vida aqui é mais fácil e melhor. Nós estamos vivendo aqui com o mesmo orçamento do Brasil e nossa casa é mais legal, podemos andar a pé a qualquer hora pela cidade, podemos comer uma série de coisas que não achamos no Brasil, podemos viajar para outros países por um preço bem mais acessível do que viajar pelo Brasil.
Mas sabe, as coisas aqui são tão certinhas, tão organizadas, que nem os suecos gostam. Muitas vezes eles parecem pessoas cheias de TOCs tentando se livrar da organização, mas não conseguindo. É relativamente engraçado. Eu gosto da vida por aqui, mas não sei se me encaixaria. Temos a sensação de que não precisam da gente as coisas aqui só continuam. Tudo bem que ainda precisam conhecer mais o Brasil e nisso eu poderia ajudar. Mas a imagem do nosso querido país não vai ser tão diferente até termos mais orgulho de quem somos e do que fazemos. E não ficarmos procurando uma remota ascendência européia para tentar ser tratado como um gringo na hora de viajar, isso é ridículo. Raras excessões são essas famílias multinacionais, a maioria está indo atrás de uma raiz que formou o Brasil, mas que não deve ser colocada acima da nossa história e do nosso país. Devemos sim nos sentir mal pelo tratamento que recebemos dos estrangeiros e fazer eles se esforçarem mais para nos entender e conhcer o nosso país sem entregar tudo de mão beijada. Eles chegam no Brasil com as mulheres dando mole, todos querendo conhecê-los... Acho que é um pouco de exageiro na hospitalidade...
Eu sei que posso fazer muito mais pelo Brasil, mesmo ele me maltratando. A experiência aqui ajuda a ver o que está errado no Brasil. Não que devamos seguir o modelo sueco, mas podemos refletir melhor sobre o papel do Estado. No Brasil ele é completamente inútil, mas aqui ele torna sua vida mais fácil. Você só precisa pensar em você, claro que tem que fazer a sua parte, mas não precisa implorar para conseguir o passe estudantil, ser humilhado toda vez que precisa ser atendido por um funcionário púclico, pagar um plano de saúde e ter um atendimento com a qualidade de um hopital público... Mas o Brasil precisa acordar. Não é só ganhar dinheiro que melhora a vida de uma nação. Não tem cabimento a gente sentir vergonha de exigir os nossos direitos. O povo é acuado pelo estado desde uma simples enfermeira até o policial. São eles que nos servem e tem um papel muito importante, não devem ser desrespeitados, mas nós não podemos ter medo deles.
Nós não temos que ter orgulho somente das coisas banais como palmeiras e sabiás, temos que ter orgulho de sermos um povo que trabalha muito, mas temos que ter vergonha de sermos um povo que trabalha também para fazer aquilo que o governo deixou de fazer.
domingo, 17 de abril de 2011
Da nacionalidade
Será que nós conseguiremos um dia ser cidadãos universais dentro do mundo "globalizado"? Parece bem conhecido que a globalização visa "universalizar" ricos dando a eles acesso a todo tipo de bem de consumo, que viajam quase sem limites, mas barrar pobres ou "impuros". Apenas um certo nível de riqueza permite que diferenças históricas e coloniais possam não ser mais vistas.
Realmente pelo que tenho percebido, sempre vai existir uma fronteira imaginária entre aquilo que parece ser de todos, o universal, e aquilo que temos como "patrimônio" nacional - o preconceito. Preconceito entretanto pode não ser a melhor palavra para definir a mistura de sentimentos entre ambos os lados.
Aqueles estabelecidos se sentem lesados pois imaginam estar perdendo as oportunidades que não querem de aproveitar os impostos que sempre pagaram para aqueles que sempre se sentiram lesados por todos os lados. Nem sempre as coisas são tão simples.
Mesmo que vc não queira nada, sua nacionalidade pode dizer mais sobre você do que você mesmo. Estar de passagem, viajando, vivendo a vida, não parece algo para alguém de um país em desenvolvimento de classe média baixa. Nessas mesmas condições, apenas europeus e americanos são aceitos. Você, entretanto, "tem que ser selado, carimbado, rotulado, avaliado, se quiser voar".
Realmente pelo que tenho percebido, sempre vai existir uma fronteira imaginária entre aquilo que parece ser de todos, o universal, e aquilo que temos como "patrimônio" nacional - o preconceito. Preconceito entretanto pode não ser a melhor palavra para definir a mistura de sentimentos entre ambos os lados.
Aqueles estabelecidos se sentem lesados pois imaginam estar perdendo as oportunidades que não querem de aproveitar os impostos que sempre pagaram para aqueles que sempre se sentiram lesados por todos os lados. Nem sempre as coisas são tão simples.
Mesmo que vc não queira nada, sua nacionalidade pode dizer mais sobre você do que você mesmo. Estar de passagem, viajando, vivendo a vida, não parece algo para alguém de um país em desenvolvimento de classe média baixa. Nessas mesmas condições, apenas europeus e americanos são aceitos. Você, entretanto, "tem que ser selado, carimbado, rotulado, avaliado, se quiser voar".
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