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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Desigualdade social, um problema bem atual.

Ontem estava quase à toa em casa... Na verdade tinha um monte de coisas para fazer, mas não consegui despregar meus olhos da TV durante o programa "How the Other Half Life", do canal 4 inglês, que passou no canal 4 sueco ontem. A idéia do programa parece estranha, mas de fato ele é muito bem executado. Uma família rica patrocina uma família pobre durante um tempo e troca correspondências com ela. Num determinado ponto do patrocínio, eles se conhecem pessoalmente, uma família visita a outra em sua própria casa. Durante esse processo acontecem muitas filmagens na casa de ambas.

As famílias ricas justificam o patrocínio na maioria das vezes dizendo que tem sorte e que gostariam de ajudar alguém a ter uma vida melhor. Além disso, querem que os filhos tenham consciência do qual bem aventurados eles são. No caso das pobres, o que aparece e como eles fazem para sobreviver dia a dia, os maiores medos e previsões para o futuro.

O episódio que assisti, o primeiro da segunda temporada, não está disponível ainda na internet, mas vou coloquei o primeiro da série para vcs terem uma idéia. Vou tentar fazer um resumo para vcs e depois faço minhas observações. Acho que no final acabou sendo um efeito contrário ao que programa esperava, não fosse pelo fato da mãe da menina ter de fato arrumado um emprego por causa do programa. No início, a família rica recebeu uma filmagem com Iris apresentando sua casa e sua mãe. A menina doce e alegre mostra seu brinquedo favorito, que custou 5 pences, e que ela ama e o quarto onde dorme. A menina mostra tudo muito feliz e orgulhosa pois antes ela e a mãe viviam num trailler. Ela diz que a única coisa chata na vida dela é que a mãe não tem dinheiro e por isso trabalha muito e fica muito cansada e que nem todos os brinquedos custam 5 pences. Mas o fato é que ela só tem noção do quanto é pobre e do quão é ruim ser pobre depois que visita a casa da família rica.

Em um certo ponto do programa o pai da família rica tenta ajudar a mãe da garotinha a arrumar um emprego, afinal, ela não precisa ser patrocinada a vida toda, pois é uma mulher estudada, tem mestrado com honras em direito. Mas na Inglaterra, para exercer a profissão, um advogado precisa primeiro de ter um prática jurídica e essa parte eu não entendi muito bem como funciona. O que deu para entender é que a pessoa meio que tem que ser convidada (ou aceita) para a prática, e que na prática, só os filhos de famílias ricas conseguem. E o cara, o pai da família rica, um milionário, não tem influência suficiente para conseguir que ela entre na "panelinha".

Isso me fez lembrar de um amigo meu que mora aqui na Suécia há uns 10 anos. Ele me disse uma vez que por um lado, tem vontade de voltar para o Brasil, mas por outro não sabe se ainda consegue conviver com esse abismo existente entre os ricos e os pobres. Um lugar onde os clientes nem sequer olham na cara da pessoa que lhe serve, onde o cara que trabalha numa loja está (quase sempre) muito longe de ser seu vizinho. É realmente muito triste saber que a maioria das empregadas domésticas comem no mesmo lugar que o cachorro, onde a única diferença é a mesa. O que será que estamos fazendo para diminuir essa diferença? Quantas vezes alguém ainda vai ouvir um "Você sabe com quem está falando?" e ter que ficar calado? Por quanto tempo mais o mais importante sobre alguém vai ser o que essa pessoa tem e não o que ela é?

terça-feira, 5 de julho de 2011

Mais um gostinho de Paris.

A primeira vez que fui a Paris eu tinha vinte aninhos e foi uma experiência única. Eu as vezes tinha vergonha de falar sobre o assunto pq me sentia mais capial ainda. Como uma simples viagem pode ser tão importante na vida de alguém? Até que durante uma de minhas aulas de francês perguntei para os meus alunos sobre a viagem mais marcante da vida deles e uma aluna que gosto muito, me responde que a primeira vez que foi a Paris marcou a vida dela para sempre. Eu fiquei especialmente interessada em saber porquê, afinal, comigo aconteceu algo parecido e ao contrário de mim, essa minha aluna é uma pessoa viajada. Ela me disse que ganhou a viagem por ser boa aluna de francês e Paris lhe pareceu tão luminosa que nunca mais essa primeira impressão lhe saiu da cabeça.

No meu caso, algo parecido. Eu ganhei a estadia e a alimentação da embaixada da França, por estudar francês na universidade e passar na seleção. Sem isso eu nunca teria chance de ir à Paris sozinha. Mesmo pagando só a passagem, foi bem pesado para minha família, mas minha mãe fêz questão que eu fosse e nisso eu só posso agradecê-la. Durante um tempo tive que agüentar as piadinhas do meu irmão dizendo que passaríamos 10 anos comendo apenas arroz e ovo por causa da minha viagem. O que era engraçado, mas um pouco mal da parte dele, afinal, eu não ganhava aqueles video-games caros todo final de ano como ele, ou um presente caro como um computador, por exemplo.

Mas voltando à Paris, a aventura começou no aeroporto, pois eu não ganhei o papelzinho da fronteira no avião e fiquei nervosa. Nessa hora, meu francês desapareceu e arrumaram uma policial que falava português, mas o de Portugal com um sotaque fortíssimo. Levou uns 10min, mas eu recuperei minha sanidade e meu francês e entrei no país. Depois tive que comprar um mapa para achar a minha rua, que eu passei duas horas andando em volta dela e não conseguia achar (senso de direção brasiliense é foda). Depois de chegar, fui encontrar o pessoal do estágio. A última coisa que eu fiz foi ligar para minha mãe, que achou que eu estivesse morrido, ou me perdido completamente em Paris, foi engraçado pq eu acho que ela pensava que eu era meio bocó.

Fiquei 5 dias em Paris e 7 dias no interior, em Poitou-Charentes. O objetivo da viagem era fazermos uma imersão linguística. No meu caso, esportes radicais em francês. Foi bem divertido. Eu fiz escalada e me cansei no meio da subida, mas a russa que tava fazendo minha segurança só olhava para o namorado que estava ao lado. Acabei xingando ela em português e mais uma vez tive que me acalmar para lembrar do meu francês, mas ela não me ouviu. Tive que achar um lugar para me apoiar e continuar a subida. Tirando esses contratempos, a viagem foi bem produtiva. Teria praticado mais o meu francês e conhecido melhor a cidade se não tivesse ficado com pena de uma brasileira que estava comigo no estágio e não falava xongas de francês. A menina não conseguia nem pedir comida, mesmo com o cara da lanchonete falando 6 línguas diferentes com ela. Além disso, reclamava de tudo. Só queria comer arroz e feijão.

Mesmo assim, eu sempre quis voltar à Paris. Como ela aparecerá para mim depois de Buenos Aires, Londres, Copenhague, Lund... e é claro, depois de nove anos desde minha última visita? Estou realmente curiosa para explorar por conta própria a cidade luz enquanto o Marcos trabalha. Tudo bem que só fico 4 dias em Paris, mas acho que esses dias serão mais bem aproveitados agora que meus pés tem uma certa quilometragem e que eu sei aquilo que quero ver novamente e o que não me importo de deixar para uma 3ª vez.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Ano novo, vida nova!

Apesar do clichê, essa frase vai significar muito pra mim. A partir de janeiro de 2011 muita coisa irá mudar na minha vida. Não sei, por exemplo, se o perfil do Blog continuará o mesmo. Acho que sempre colocarei alguma coisa sobre política ou religião, mas agora será mais a título de comparação mesmo.

Eu gostaria muito de explicar o que vai acontecer 100% na minha vida, mas nem eu mesmo sei ao certo. Sei que vou me mudar e dia 10 de janeiro vou devolver o apê que moro desde setembro de 2008, depois defenderei minha dissertação e se der tudo certo, serei mestre, finalmente. Vou morar uns dois meses na casa dos meus sogros até ir rumo ao desconhecido gelado. Espero que não role nenhum ciúme da parte de madrecita, afinal, ninguém merece pegar ônibus na Octogonal e ainda tenho muitas coisas para resolver antes de partir. Tenho algumas idéias do que fazer quando estiver por lá, mas nada de certo. Quero fazer milhões de cursos, mas não sei se terei grana pra tudo.

Bom, sei que uma mudança tão grande na vida da gente nos faz pensar em outras coisas que não se ligam diretamente a ela, mas que a tocam de alguma maneira. Uma coisa besta como decidir o que levar, nos faz colocar na balança o que é ou não importante na nossa vida. Meus livros vão ficar, minhas ferramentas de artesã (amadora), meus vestidos, meus sapatos. Coisas que pareciam tão importante não vão servir para nada nesse ano em que serei vizinha do Papai Noel.

Outra coisa que não me preocupa é quem vai me visitar. Cheguei a pensar que enlouqueceria um ano longe dos meus amigos ou da minha família, mas sei que não vamos perder o contato, pois o blog continua, o skype, o e-mail... Tenho tantos amigos do coração que eu vejo uma vez por ano e olhe lá. Tenho outros que moram longe, mas que vejo até bastante... Tem muita gente que ficou bem mais próxima esse ano e que também está encarando o exílio. Espero que tenhamos sorte e que possamos trocar figurinhas e rir muito dos hábitos e costumes diferentes que irão nos fazer passar muita vergonha (no bom sentido) fora daqui.

Espero que 2011 seja ainda mais interessante do que 2010. Eu sempre preferi anos ímpares, mas essa não é mais uma regra infalível. Sinto um friozinho na barriga. Acho que vou passar outra vez por aquela velha indecisão "O que farei da minha vida?". Essa pergunta fica para ser respondida em 2012, mas tem sua resposta elaborada desde já, sem pressão, afinal, sei que muita coisa pode mudar até lá.

Caso não volte por aqui por um bom tempo, desejo a todxs muitas felicidades, festas, alegrias e desejos realizados.