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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Ridiculous!

Se tem uma coisa que eu não gosto é um fato histórico distorcido. Sei que é difícil contar a História de forma única e muita vezes não se tem fatos e sim vestígios. Mas até certo ponto é possível se ater aos fatos, por exemplo, na Roma antiga se falava...

INGLÊS, minha gente! Você não sabia? Eu também não. E olha que estudei latim na faculdade e eles disseram que na Roma antiga existia até o latim culto e o vulgar. Mas pra que tanta informação galera. Quer produzir um seriado de época? Faça como a rede Bobo, coloque um monte de ator bonitinho falando com um sotaque parecido com aquele que eles acham ser italiano e pronto! Ah, peraí, pelo menos a rede Bobo coloca atores para parecerem falar a língua certa que eles querem. Pode ser hindu, italiano, espanhol. Mas num certo seriado famoso que tem por aí nem isso os caras conseguiram.

Na Roma antiga desses caras o mais velho que eles conhecem é o inglês britânico! Ai ai! Tenho ganas de matar esse produtor toda vez que escuto a chamada da porcaria do seriado "Spartacus, blood and sand! The gods of the arena." Tudo bem, eu vou me controlar, vai ver que o cara baseou o seriado naquele filme homônimo super velhor onde também os gladiadores falvam inglês. Ops, pode ser que seja com sotaque australiano (inglês é algo meio novo pra mim...). Mas gente, isso é muito ruim. Sabe, os caras constroem um cenário fictício, contratam apenas atores bonitinhos contracenando com bons atores que fazem os malvados pq são feios e vendem como algo supostamente baseado em algum vestígio de veracidade.

Bom, eu não estudo mais pós-colonialismo há pelo menos um ano e estou longe de todos os meus livros, mas posso fazer aqui uma análise bastante superficial da coisa. Sabe o que isso tudo diz para mim? Dentre muitas, diz que o vencedor impõe sua vontade, sua história e sua cultura acima (e em cima) dos vencidos. O império Britânico pode não ter a mesma forma, não colocar mais navios piratas para aterrorizar o mar. Ingleses e americanos podem ter suas rixas, mas tá tudo em casa. Sabia que em alguns lugares dos Estados Unidos os jovens não sabem que eles foram a primeira e ÚNICA nação a lançar uma bomba atômica com fins bélicos em DUAS cidades inteiras? Não, eles não sabem. O que eles sabem é Pearl Harbor com Ben Aflec. Isso para mim é uma forma de distorcer a verdade. Tudo bem que o adolescente pode pegar um livro na escola e ler, mas será que ele vai fazer isso? Quantos professores hoje em dia não usam filmes ditos hitóricos como forma de ilustrar um ponto?

Sabe outra coisa que esse seriado diz para mim? Atores italianos são incapazes de fazer uma série sobre a própria história, segundo alguns. Não diz para mim, por exemplo que a língua de onde vem o inglês era considerada pelos romanos como bárbara. Isso me diz, por exemplo, que os filhos do império britânico estão tentando colocar o nome deles no mais remoto passado, tentando não escrever a história, mas sim reescrever o passado. E já que não há muito como colocar vitoriosos anglo-saxões naquela época naquele lugar, vamos colocá-los todos para falar inglês, como se dissessem agora que o único meio de conhecermos parte da história do império romano é através deles.

Por fim, eu odeio seriados ingleses e americanos pseudo-históricos. Gosto, entretando, dos Thudors (esse sim pode ser protagonizado em inglês sem problemas).

"Minha pátria é a minha língua"
Fernando Pessoa

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Nepotismo não é só político

O nepotismo é uma prática desonesta e injusta. Ele elimina a competição e não avalia as capacidades individuais. Muitos brasileiros recorrem a essa prática mesmo tendo qualificações suficientes para conseguir um posto sozinhos. Recorrem a ela porque é mais fácil e "garantido". Muitos desses brasileiros depois reclamam do nepotismo na política. Vai entender...

Existe outro tipo de nepotismo, o intelectual. Nele apenas as pessoas que sempre tiveram acesso ao discurso são autorizadas e emitir juízos e opiniões. Quando há alguma mudança em quem pode falar notamos que sai da mão de um poderoso para a de seu protegido e/ou filho, esposa, sobrinho. O problema dessa prática é que além de colocar muitas pessoas sem competência controlando os meios intelectuais, ela inibe, reduz ou barra a diversidade de idéias e opiniões. Promove hoje o efeito "intelectual no carro importado", uma versão mais moderna do intelctual na torre de marfim. Esse novo intelectual conhece um pouco mais do mundo, saí de casa e chega até a ver os problemas de sua cidade, mas dentro de seu carro importado com película e ar condicionado digamos que sua persepção da realidade fica bastante comprometida.

O nepotismo artístico é um velho conhecido. Quantos cantores e atores que estão em voga não são filhos de outros? Muitos deles tem talento, é certo. Mas será que aqueles que não tem saem da mídia por causa disso? Os que não tem talento tem dinheiro para esconder a falta dele. Podem contratar um bom produtor, letrista, uma boa banda, e pronto, tá aí o talento $. Entre os atores a situação é mais gritante ainda quando temos uma emissora que detém uma enorme fatia do mercado cultural brasileiro atuando inclusive no cinema e promovendo uma dezena de novelas ruíns, programas sem conteúdo e nenhum desafio para seus atores. Mas realmente eles não parecem se importar em ficarem guardados na gaveta recebendo um bom salário e um por fora para aparecerem na balada. O mais engraçado, que no lugar de participarem da intelectualidade brasileira, eles ficam alheios de todos os processos sociais e usam a imagem e o alcance que ela tem para promover apenas a eles mesmos. Não são todos, é verdade, mas aqueles que não são "globais" são tão locais que quase ninguém repara. É uma pena.

Seguindo o pensamento de Terry Eagleton, que muita gente cita, mas pouca gente segue; enquanto deixarmos apenas os mal intencionados tomarem conta do processo estaremos sendo coniventes com tudo o que fizerem. Não podemos deixar apenas os nepotistas fazerem parte do processo, temos que abrir uma fresta para a competência e a honestidade entrarem.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Minha resposta

Eu ia apenas responder nos comentários, mas meu texto ficou tão grande que tive que fazer um post.

O que é a decepção? Bom, simplesmente quando vc espera algo de alguém e não é correspondido. Pode ser tbm quando esse algo é muito diferente (na maioria das vezes pior) do que aquilo que esperava. Eu tenho muitos amigos de direita e essa não é minha posição política. nãou vou deixar de ser amiga de ninguém por causa disso, mas confesso sim que me decepciono quando tento expor o meu ponto de vista e sou rechaçada. Mas eu entendo bem o que é ser minoria. Ou quando tento defender a PCL 122 e ouço e outra amiga que é contra a lei pq acha que o homossexualismo é contra a religião dela e ela quer continuar proferindo a sua fé. Mas ressalta, estranhamente, não ter nada contra homossexuais.

Não penero os meus amigos por discussões ideológicas. Como vc pode perceber, não foi só a discussão política com vcs que me fez lembrar da frase da minha amiga. Fico um pouco decepcionada com algumas maneiras de pensar sim, mas vou respeitar sua opnião política/social/ideológica desde que a minha seja respeitada. Talvez a minha decepção seja do mesmo viés da sua, esperava uma postura diferente de vc, pelo menos.

Eu devolvo a vc a pergunta cadê a discussão? Praticamente tudo que eu disse teve como resposta uma crítica tbm obtusa. Desqualificar o interlocutor para ganhar na argumentação é uma estratégia que eu considero muito baixa. Eu tenho o direito de discordar. Tá aí a discussão. Eu não estou dizendo que vc está errado. Mas vc não me convenceu, bem como eu não te convenci, certo? Não adianta enumerar os feitos do Arruda para dizer que ele foi um bom governardor pq eu não concordo.

Como vc diz que eu não tenho noção de onde eu vivo? Eu ouço os fogos anunciando a chegada do crack na Asa Norte o tempo todo. Eu ando nos ônibus encapados que vcs veem por fora e acham que são novos pq tem a merdinha do adesivo do lado de fora falando que ele é novo. E mesmo quando o ônibus é novo é conduzido por um psicopata que acelera nos sinais vermelhos e disputa com o cobrador quantos passageiros ele consegue derrubar. Mas é claro que isso não tem nada a ver com a administração do Arruda. Eu sou tratada como o lixo e nem sou mais pobre. Vc acha que não tem difenrença entre as classes sociais e a maneira de pensar? E a visão política? E a experiência de vida? Vc acha q uma pessoa q sofreu com a voiolência doméstica reage a ela da mesma maneira que uma pessoa que não sofreu com ela? Nossas experiências de vida são muito diferentes, mas ao contrário de vc eu não subestimo a sua, mas vc não conhece a minha. Quando digo que passei fome e que dificuldade na vida muita gente não acredita, mas por que eu mentiria por conta disso? Eu pareço alguém que quer a piedade alheia ou levar vantagem? Realmente eu entendo vc considerar o Arruda um bom governador, mas nem por isso tenho que concordar. Vc se pergunta pq eu o considero um mau governador? Talvez tenha que ampliar mais o termo, considero-o um mau político desde o episódio da violação do painel do Senado. Ele é desonesto. Pode ser um bom administrador, mas ainda duvido pois pra mim bons administradores não desviam dinheiro da empresa pois correm o risco de leva-la a falência.

Eu baseio minhas críticas nas minhas experiências. Considero mais concreto até pq os números não servem de muita coisa. Vc acha, por exemplo que o Aécio melhorou a segurança em Minas? Bom, eu não li os maravilhosos DADOS, mas um amigo meu que é policial lá me contou que eles colocam metas de X relatórios. Não quer dizer que os crimes foram resolvidos ou investigados. Apenas foram relatados. É assim que eu formulo minhas opiniões aqui em Brasília. E comparando os feitos da administração pública, o governo federal tem sido mais eficiente na minha vida do que o local. Pelo menos ele contratou professores universitários e aumentou o valor das bolsas de pós. Posso estar errada, não discordo, mas ainda não concordo com vc e olha que eu ponderei seus argumentos.

Entendo tbm a enorme diferença entre a teoria e a prática. Mas o que eu entendo e que a maioria das pessoas não entende, em relação as teorias sociais, é que nós não conseguimos ter dados concretos ou provar algo pois não somos ciência. Não adianta submeter nosso conhecimento a essa dinâmica, não funciona. Por isso muita gente no fundo acha que não servimos para nada. Bom, mas os seres humanos se organizam em sociedade e isso tem um porquê. Estudar como essas sociedades são organizadas e as falhas nelas não serve apenas para produzir mais teoria. Todos nós queremos mudar a sociedade e eu não me iludo, sei que isso é muito difícil. Por isso até muitos de nós ficam apenas na teoria.

Porque eu defendi a manifestação? Bom, porque eu gostaria de ter estado lá. Eu acho que me sentiria mais cidadã. Acho que cidadania não é só votar e pagar impostos. Nós todos, e eu me incluo nisso, adoramos falar que tudo no Brasil acaba em pizza, mas muito poucas vezes nos manifestamos. Conseguimos juntar 3000 pessoas numa corrida da cerveja ou num carnaval fora de época, mas não conseguimos juntar isso numa manifestação pelo decoro na política. Porque eu não estava lá? Covardia? Talvez... Infelizmente no fundo no fundo eu acho que não adianta. Acho que já desisti da política. Fico na Literatura. Talvez eu seja mais uma alienada, quem sabe?