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segunda-feira, 27 de junho de 2011

Um menosprezo arraigado

Lembro de um posto da Luci (Luci, vc tá em alta aqui no café, hein?) onde ela falava das baixas expectavivas que seu pai tinha nela desde a infância e como era difícil ter uma auto-estima nessas condições. Pois bem, eu me identifico bastante com a Luci, entendo bem como isso é difícil.

Mas muitas vezes a gente só reconhece a injustiça desse tratamento quando está fora dele. Eu fui descobrindo aos poucos com ajuda dos meus amigos, na adolescência, e do Marcos, que algumas coisas eram ditas apenas com a intenção de me magoar. Porque alguém da sua própria família faria isso com vc é algo que eu sempre quis entender. Mas talvez haja uma explicação plausível, talvez seja inveja, quem sabe. Muitos acreditam que inveja é um sensação incontrolável e que pode crescer ao ponto de dominar uma pessoa. Por isso tantos amuletos na história tem como função afastar olhares invejosos, como a carranca, o olho grego, a pimenta vermelha...

O interessante desse tratamento é que vc pode não estar mais acostumada com ele, mas sua família parece julgar apropriado continuar te tratando como sempre tratou. Sabe quando os pais se recusam a ver que os filhos não são mais crianças? Então, é mais ou menos isso. Eu me choco toda vez que sinto na pele o menosprezo que minha família tem por mim. Eu não estou mais acostumada, vivo num ambiente saudável onde convivo com pessoas que gostam de mim e querem o meu bem, assim como eu o delas. O que é triste é que todo esse trabalho de valorização parece dar um passo pra traz quando acontece algo assim. Toda aquela infância difícil e traumática parece reaparecer num segundo quando vc houve um comentário ácido e invejoso desses. Claro que hoje eu sei como lidar bem melhor com isso. Solto uns três palavrões, o Marcos faz umas piadas malvadas a respeito, rimos um pouco e passa. Mas eu já aprendi que é preciso falar para me lembrar e quem sabe da próxima vez combater a raiva antes mesmo da pessoa invejosa terminar de falar, ou soltar uma bela resposta para desconcertar o mediocre.

Vou contar dois episódios que estão frescos na minha mente e que vou compartilhar para ilustrar meu raciocínio. Uma vez que estava ainda em Brasília passeando com minha mãe e não lembro o porque acabei comentando que não achava certo toda essa obcessão por comprar roupas, roupas de marca e etc. Ironicamente, nesse dia, eu estava com uma calça e um blaser de uma loja super chique de Brasília. Lembro que tudo que eu estava usando era de marca, menos o sapato. Mas só para esclarecer, eu nunca dei muita bola pra isso, eu compro roupas que me servem, e acreditem, isso não é fácil. Ou seja, quando acho algo do meu tamanho, acabo tendo que comprar. Mas não tenho muita variedade tão pouco sigo tendências, nem sei o que está na moda. Uso o que acho bonito, pago o que acho justo. Compro quando preciso ou quando posso. Mas enfim, para defender minha irmã (acho que estávamos falando da nova mania dela na época de comprar roupas) minha mãe disse que ela não precisava andar mal-arrumada como eu, e deu uma olhada de soslaio para mim. Ah, eu fiquei puta. Só porque eu não estava de salto, nem parecendo uma perua minha mãe disse que eu andava mal arrumada. Só pq não aliso os cabelos nem faço as unhas sou uma mulamba relapsa. Grrrrrrr

Tá, mas esse foi leve. Na maioria das vezes, os comentários são leves, o tom é que dói. A segunda foi ontem, quando conversava depois de quase duas semanas com minha mãe pelo skype. O skype é bem pouco privativo. A pessoa com quem vc conversa liga a câmera, vc se sente obrigado, por polidez, a ligar tbm. Mas quase ninguém usa fones, então, todos ouvem a sua conversa. Estava conversando com minha mãe, mas minha irmã acordou no quarto da frente e veio conversar comigo. Pô, legal, facilita. Eu não preciso ligar para todo mundo. Mas o problema é que as vezes as pessoas só querem falar delas e quando vc quer saber delas, elas não falam. Minha mãe fala pelos cotovelos, mas quando quero saber como está tenho que ficar perguntando os detalhes. É um saco. As vezes eu acho que não devo ligar pois ela não quer falar. Outro dia ela disse que estava sem assunto e do nada me solta que meu primo estava doente internado em São Paulo. Mamis é desse naipe. Mas enfim, fomos conversar e o Marcos estava na sala querendo assistir Family Gui. Eu saí para ele poder ver o programa. Minha mãe perguntou o que era e eu disse "um desenho". Ela perguntou então se eu conseguia assistir em sueco (como se o Marcos conseguisse), mas eu disse que era em inglês com legenda em sueco e que nós costumávamos assistir pois não entendemos os programas suecos. Mais tarde, na conversação entre eu, ela e minha irmã a minha irmã comentou que ela ia ser efetivada no emprego e que não teria mais tempo para estudar inglês. Bom, ela teve muitos anos de pensão do meu pai e de vida mole no estágio para estudar inglês e não estudou, foi o que eu disse para ela. E acabei comentando que aqui na Suécia falar inglês era essêncial. Claro, os suecos falam suecos, mas se vc não fala, eles falam em inglês com vc. Aí veio o comentário maldoso, minha irmã soltou um "como se vc falasse inglês". Como se ela falasse. Fala picas de inglês, não consegue nem jogar GTA e fica tirando uma com a minha cara. Fiquei passada. Eu passei um ano levando bronca de todo mundo naquela casa pq não ia lá lamber o ** deles no sábado pq estava estudando inglês e quando interessa me criticar parece que aquilo nunca aconteceu. Porque, minha gente, porque???? Eu mereço?

Fazer o quê? Deixar as pessoas viverem com a imagem que criaram de mim. E da próxima vez que me perguntarem algo sobre Londres, eu digo "ué, descobre vc sozinha, não fala ingês melhor do que eu?".

sábado, 27 de novembro de 2010

A história do meu ateismo

Não sei se já comentei aqui, mas cursei a maior parte do meu primeiro grau em escolas católicas, de padres e freiras. Isso porque a minha mãe achava que nessas escolas teríamos mais disciplina e elas se encarregariam de fazer uma coisa para ela que ela definitivamente não queria fazer - nos dar educação religiosa. Isso porque a crença dela era uma bagunça. Ela tinha preguiça de ir na igreja, mas não confessava. Meu pai se dizia agnóstico e fazia de tudo para falar mal da crença da minha mãe. Como a mamis não tinha paciência para conversar com a gente, fomos para escola católica.

Eu sempre fui uma boa aluna. Fazia tudo direitinho. Não participava das atividades extra-escolares pq morava muito longe da escola e meus pais trabalhavam o dia todo. Mas, como em toda escola católica, tinhamos aula de "ensino religioso". Isso era praticamente catequese, ou uma mini missa. Pq só viamos coisas sobre a igreja católica. Eu achava tudo mais chato do que aula de matemática, mas como era nerd, fazia o que os professores mandavam e tirava nota alta. Para mim era um 10 fácil. Bastava dizer que amava a Deus e citar os versículos certos.

A distância da religião católica começou dentro da escola, além do meu pai que se dizia agnóstico apenas para não brigar demais com a minha mãe, pois no fundo ele era ateu. Todas as perguntas que fazíamos sobre algo tinham como resposta "porque deus quis", ou "porque está na bíblia", "porque jesus falou". Isso me deixava sempre mais confusa. Num determinado momento, acho que na quarta série, nos "convidaram" para fazer a primeira comunhão. Eu adorei a ideia, afinal eram tardes longe de casa e perto dos meus amigos. A aula era uma bagunça. O professor ficava o tempo todo fora de sala fumando e a gente tocando o terror. A única coisa que precisávamos fazer era colorir os símbolos da páscoa, desenhá-los e etc. Isso de desenhar eu me amarrava, então, não foi difícil. Eu estava na terceira ou quarta série, não me lembro bem.

Quando o dia da comunhão chegou, como disse meu pai, eu só conseguia pensar no meu vestido. Era um mini vestido de noiva, e não era só o meu. Conclusão, eu e todas as minhas amigas queríamos examinar e olhar os vestidos umas das outras. A missa passou em branco. Eu fiquei posando para as fotos tentando esconder a minha felicidade. Quando a missa acabou e fomos para casa, meu pai perguntou "O que o padre falou?". Eu não sabia responder. Fiquei pensando durante muito tempo pq não tinha prestado atenção, além do vestido, oq tinha me desconcentrado. A gente já sabia oq ele ia dizer, pois estudamos antes.

Sabe oq ele disse? Nada. Ele não disse nada. Foi essa a conclusão que eu cheguei. Isso queria dizer que eu não acreditava no que ele dizia. Contei a conclusão para o meu pai e ele ficou super feliz. Minha mãe disse que isso passava e que eu não devia dar ouvidos ao meu pai, "deus ia falar comigo". Não falou. E depois foram várias experiências no mesmo nível que afirmaram ainda mais o meu ateísmo. Como a interpretação super tendenciosa que a professora fez de uma música do Raul que me deixou p. da vida, ou as experiências no colégio de freira. E essa é a história do meu ateísmo.