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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Era inofensivo, mas virou piada.

Hoje resolvi dedicar mais tempo que o habitual encarafunchando o facebook. Péssima pedida, diga-se de passagem. O problema do facebook, na minha opinião é a rapidez com que as informações são divulgadas. Sim, por ser essa a vantagem, é também a maior desvantagem. Isso porque muitas vezes você compartilha suas primeiras impressões sem refletir. E sim, pensar é preciso, minha gente!

Vou citar um exemplo do que eu considero um "tapa com luva de pelica". É ofender alguém de tal forma que a pessoa não tenha como se defender porque não foi formalmente agredida. Qual a melhor forma de fazer isso? No Brasil, eu acho que a piada é a melhor, pois quando a pessoa percebe a ofensa e todo preconceito por trás da piadinha o agressor se defende e se safa dizendo "mas era apenas uma piada, não tinha intenção de ofender". Mas se não era para ofender era para fazer oque? Rir da minha miséria? Molière usava o gênero com maestria habilidade para ofender os costumes da época.

Uma piadinha dos nossos tempos:



Super divertida. Vamos pensar sobre ela em vez de apenas "rir". Qual é a "grande" sacada da piada? Ela faz referência a duas coisas muito comuns hoje em dia: a violência contra a mulher e o medo masculindo de comprometimento. Na minha opinião existe muitos problemas na parte engraçada da piada. A primeira é admitir que o cara que está disposto a agredir uma mulher, vai realmente ouvir o que ela tem a dizer. Outra coisa é assumir que o homem que agride uma mulher não tem nenhum comprometimento com ela. Ambas são falsas.

Ainda encontramos o estereótipo da mulher casadoira. Sim, todas as mulheres querem um compromisso, nunca tem um sexo casual. Em suma, estamos sempre querendo namorar, casar e ter filhos. E quando estamos num relacionamento sempre temos que discutir a relação.

Não sou contra a crítica, muito menos contra a comédia, mas não entenda mal, o ofendido vai exigir uma reparação e falar que não quis ofender, é, no mínimo, ingênuo (para não dizer hipócrita) da parte do "comediate". Aguente as críticas e responda-as com humor, ou reconheça que a piada é uma merda, racista, sexista ou o que for. O ruim é que quando piadas desse tipo são reveladas, frequentemente somos taxadas de "sem senso de humor". Eu fico me perguntando o que seria isso, um mecanismo que bloqueia o seu cérebro no momento da piada e faz você rir de algo que te ofende sem entender. Ou apenas é algo que faz você rir de algo sem graça apenas para fazer parte do grupo ou ser "cool".

Onde está a piada então? Vou tentar achar graça me imaginando numa situação dessas e dizendo para o estuprador "casa comigo! Ou, você tem que ligar para sua mãe"? Existe piadas para rir e piadas para ridicularizar os outros. Essa ridiculariza uma situação que não tem nada de engraçada. Tanta coisa para fazer piada...

Bom, lembrei desse vídeo do Feminist Frequency que comenta mais sobre anúncios de televisão, mas acho que o que eles falam a respeito de irionia pode ser aplicado ao caso.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Pense!

Eu estava no baú indo pro trampo quando vi um cartaz "3a marcha nacional da cidadania pela vida". Bom, inicialmente não me chamou muita atenção. Tinha cara de coisa do governo. Na volta, porém, em outro ônibus, havia o mesmo cartaz. A capa era a Elba Ramalho. Pensei: "Legal, show de graça" (apesar de nunca ir nessas paradas). Mas depois me detive no cartaz mais demoradamente. Ele dizia que haveria uma marcha e no final da passeata um show da Elba, que havia doado o cachê para a tal entidade. Não explicava direito o porque da passeata, só os com a vista mais aguçada ou sem problemas de visão, como eu, poderiam ter visto que era uma marcha contra o aborto.

Realmente foi um golpe muito baixo. A campanha apoiada pelo ministério da saúde é extremamente autoritária. As pessoas que participarem da marcha, acredito que poucas vão para lá sabendo o quê estão apoiando, vão para o show. Depois vão pegar aquela imagem e dizer que a população brasileira, ou a maioria, é contra o aborto. Porque não colocar isso em letras garrafais no cartaz? Pq era apenas as letras muídas no rodapé da página? E me pergunto ainda o que cidadania tem a ver com isso? Aquele que pratica o aborto não é cidadão porque? E o mais grave, porque a ausência de debate????

Bom, eu sou a favor do aborto e até onde eu sei não é crime expressar minha opinião. Eu acredito que se é preciso fazer uma passeata escamoteada com o falso pretexto de "3a marcha nacional da cidadania pela vida" deve ser porque ambos estão ameaçados, não? E o governo e as entidades religiosas estão fugindo do debate aberto e claro com a população para usar artimanhas como colocar a recalchutada Elba na capa de um cartaz lindo todo verde amarelo para convencer a população a não fazer algo que está fugindo do controle deles.

Eu acredito que os movimentos pró-vida e etc além de sexistas são retrógrados e autoritários. Talvez eu esteja chovendo no molhado, mas me digam porque raios a minha crença de "vida" tem que ser igual a de um católico ou um protestante ou seja lá qual religião queira? Porque o tratamento ou a transfusão de sangue não é feita na marra em um adventista para respeitar as crenças dele e um aborto não pode ser feito para respeitar as crenças da mãe? Eu posso estar muito enganada, mas ainda existe liberdade religiosa no Brasil, isso quer dizer ainda, liberdade não religiosa, ou seja, se não tenho religião o que me impede de fazer um aborto? Bom, eu acredito sim que as mulheres tem responsabilidade pela gravidez, assim como o pai, o Estado e a **** religião que não deixou a mulher abortar. Enfim, a proibição do aborto é mais uma questão de hipocrisia religiosa e omissão do estado do que um ato de cidadania pela vida. Se o Estado estivesse sendo eficiente em informar a população (e eu digo homens e mulheres) e a religião não confiasse tanto na "abstinência" não haveriam sequer abortos. Se os fiéis não seguem o que a própria doutrina deles prega porque o Estado tem que puní-los? Eu achei que eles eram separados... Ou melhor dizendo, porque o Estado tem que vigiar o cumprimento de uma doutrina religiosa?

Outro ponto, porque tantos abortos? Todos sabemos que a maternidade requer alguns recursos que muitas pessoas não tem. As mulheres são levadas a crer que para tudo nesse caso se dá um jeito, mas muitas vezes isso não acontece. Muitas delas acreditam que trazem uma boa notícia, mas no final acabam abandonadas à própria sorte. As ricas adolescentes mal informadas tem duas opções (que muitas vezes nem podem escolher) ou são levadas a boas clínicas com bons médicos e fazem um aborto seguido de um bom terapeuta ou contam com uma boa estrutura familiar e financeira para cuidar dessas crianças. Mas e as outras? Se mesmo as meninas da classe alta muitas vezes estão mal informadas por um problema cultural e religioso que bane as crianças da aula de educação sexual achando que é perversão imagine as menos afortunadas? Eu sei de um professor de Biologia de um dos colégios mais caros de Brasília que foi proíbido de falar de meios contraceptivos em sala de aula porque a dona do colégio é da Opus Dei. Me diga aí se ela vai cuidar dos filhos das aluninhas mal informadas? Ela oferece creche na escola? Não...

Mais uma coisa, porque a grande maioria da população MUNDIAL ABAIXO DA LINHA DA POBREZA É FORMADA POR MULHERES?

Se vc é contra o aborto porque não briga então pelo resto? Educação sexual nas escolas, maior investimento em métodos contraceptivos, melhor distribuição gratuita dos mesmos, educação e responsabilização dos homens para evitarem gravidez indesejadas, entre outros. Não é simplesmente proibir uma consequência quando no fundo o que se quer é evitar a causa? Porque essas entidades continuam dando murro em ponta de faca?