Muito tempo sem escrever no blog. Talvez eu tenha até perdido a prática. Mas a gente sempre tenta.
Agora que sou mãe fica um pouco difícil falar de outra coisa. Eu assisto jornal e tudo, mas sinto uma preguiça de conversar sobre política... Acho "engraçado" o governo estar fazendo esse monte de corte em setores estratégicos e ter a cara de pau de me dizer que educação é a prioridade. Meio milhão de brasileiros tiraram zero na redação do ENEM. A educação tem mesmo que ser a prioridade. Mas vou deixar esse assunto para um outro post (se possível), pois não é sempre que consigo fazer o pimpolho cochilar durante o dia.
Tenho duas amigas que moram na Suécia que estão mais ou menos na mesma situação que eu. Uma tem um bebê da mesma idade do meu e a outra está grávida. Eu não converso muito com elas porque o fuso horário complica as coisas, mas mesmo sem muito contato, apenas pelo facebook, eu morro de inveja, e muitas vezes me lamento de não estar lá. Não vou me mudar pra lá porque não tem emprego compatível com a minha qualificação e a do meu marido, mas as vezes não consigo deixar de me lamentar (nessas horas tento me lembrar do inverno)
Motivos da minha inveja: Elas tem 18 meses de licença maternidade. Essa licença pode ser dividida com o pai da criança, o casal decide. Desses 18 meses o pai é obrigado a ficar com o filho por 2 meses.
Além disso, tem outras coisas, como por exemplo, a mobilidade urbana. Eu mal consigo sair do meu prédio com o Antônio no carrinho sozinha porque a porta fecha em cima de mim, além de ser muito estreita. E não é só isso. A maioria dos lugares pressupõem que vc vai de carro. Não tem a menor infraestrutura para quem quer passear a pé. Pode me chamar de louca, mas eu morro de medo de andar na calçada com o meu filho no carrinho. A velocidade com que os carros passam e a calçada estreita faz com que qualquer colisão entre os carros vá parar em cima da calçada. A chance de sermos atingidos é muito alta. E ninguém em Londrina para na faixa de pedestre, isso torna a tarefa de "passear" nada simples. Eu tenho que sair correndo para atravessar o sinal, porque o tempo que ele fica verde pra mim é ridículo...
Nessa horas eu me lembro daqueles ônibus que inclinam para os passageiros idosos, para os cadeirantes e os carrinhos de bebê entrarem e suspiro de saudade. Me lembro das calçadas largas, da cidade arborizada, calma, sem motos potentes acordando o meu filho quando eu finalmente consigo colocá-lo pra dormir. Fico pensando em como as minhas amigas vão poder confiar na creche do governo, e eu vou ter que pagar um dinheiro que eu não tenho para poder colocar o meu filho na creche...
E nem me lembre do preço das coisas. Nossa indústria reclama quando o dollar está baixo, mas não conseguimos competir, não adianta. Os carrinhos de bebê nacionais não conseguem ter a mesma qualidade. E me diz, porque tudo de bebê, nacional ou importado é tão caro? Porque tem imposto sobre isso?
Fico pensando nos malucos que aparecem querendo benzer o meu bebê ou sendo extremamente indelicados dizendo "tá muito quente pra ele", "tá muito frio", "ele é muito novo pra sair de casa"... E penso que na Suécia ninguém ia nem reclamar se eu colocasse uma saia nele ou fizesse um moicano. Penso ainda que essa "preocupação" é uma baita hipocrisia porque no dia a dia ninguém pensa nem em fazer uma cidade melhor para nossas crianças nem um país. Todos querem que eu compre um apartamento que tenha um play e pague uma babá para ficar com ele lá.
Acho que eu já sei porque não converso muito com minhas amigas na Suécia sobre como está sendo a maternidade pra elas...
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quarta-feira, 14 de janeiro de 2015
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
A ganância
Das coisas que eu não entendo
Parte 2
Uma coisa que eu realmente não entendo é a ganância. Não que eu nunca a tivesse ou que não entenda aquela vontade louca de comer todos os chocolates da caixa sozinha sem dividir com ninguém, mas acho que existem vários tipos de ganância. Ou talvez um sentimento parecido com ela que eu não sei nomear.
Mas eu prefiro chamar de ganância do que encarar o fato de que a maior parte das pessoas é mesquinha, invejosa e egoísta. Digo isso quando me refiro a programas de transferência de renda como o Bolsa Família e outros. Eu achava que o tatcherismo havia provado sua inutilidade, seu grau de exclusão e incapacidade de resolver problemas, mas as pessoas guardam muito dessa retórica em seu pensamento.
A "meritocracia", ah, que doce ilusão! No fundo no fundo, quem trabalha sabe que é mais importante gostarem de você (e isso pode ter n razões além da sua competência), do que sua capacidade per si. Estar no lugar certo na hora certa, ter nascido na cor certa, na cidade certa, na família certa. Tudo isso conta mais do que o mérito. O mérito, na verdade, serve mais para superar os "erros" do destino para quem nasce com a cor, o sexo, a cidade e a família errados.
Mas o que isso tem a ver com o Bolsa Família? Bom, eu me doou toda vez que vejo uma mãe com uma criancinha de colo pedindo esmola. Se ela que ou não trabalhar, eu não consigo julgar. Fico pensando que não deve ser nada fácil ter que mijar na rua, pedir esmola pra comprar água, morar debaixo de uma lona. Acredito ainda, que, muitas vezes essa pessoa nem sabe que pode trabalhar, não tem documentos, não consegue matricular os filhos na escola pois precisa de um endereço residencial e a única alternativa seria se livrar dos filhos para que a assistência social os encaminha para viver numa família melhor.
Eu não sei qual é o caso daquela pessoa que está me pedindo esmola, puxando a carroça para dizer "sim, esse aqui merece ajuda e aquele não". Além disso, eu confesso, sou fraca. Não consigo ver um velhinho se contorcendo para entrar num ônibus, com as costas curvadas pelo peso da caixa de doces sem pensar que ele deveria estar em casa, curtindo a aposentadoria, vendo seus netinhos crescerem. Acho sim nossa sociedade muito injusta, principalmente porque sempre usamos a exceção para justificar nossa opinião.
Além disso, para a maioria das pessoas, essas pessoas são invisíveis. O caso típico de alienação, pois se toda vez que você ver alguém numa situação dessas e comparar com você, sua vida ótima, se você não for uma pessoa sem empatia, vai ficar triste, pensando o quanto nossa sociedade é injusta. Por isso nosso mecanismo de defesa é ignorar.
Eu conheci gente que não precisava de dinheiro, mas entrava no grupo 1 da UnB para pagar 0,50 centavos no almoço enquanto eu decidia se tirava a xerox de que precisava ou pagava o preço cheio do almoço. Não ia denunciar os outros, pensava que se a consciência da pessoa não a incomodava, não adiantava fazer nada, era um caso perdido. Além disso, eu só conheci uma pessoa que abusava do sistema, as outras usavam-no com justeza.
Mas aquele que tem tudo, todas as oportunidades e ainda é míope para os problemas dos meros mortais, ainda acha que consegue julgar com acuracidade os problemas dos outros é que me incomodam. Acham que só porque tem que ter (ou acha que deve) um carro porque o transporte público não funciona, que todos devem mais é se lascar. Não entende que é seu direito também ter um transporte público de qualidade. Se não precisa de Bolsa Família, deveria ter um bom SUS, creche... Mas essas pessoas acham que só porque elas tem que pagar e conseguem, todos também deveriam.
Eu confesso, não consigo ter inveja de quem recebe o Bolsa Família e não acho que a falência do nosso Estado se deva ao ridículo sistema de walfare que ele está implantando. Também não acho que o Estado mínimo seja solução para algo. Qualquer um que comparar EUA e Canadá ou Inglaterra e Suécia vai ver que Estado mínimo nunca foi solução. E vamos e convenhamos, as pessoas que recebem o Bolsa Família não tem a menor noção do que o Estado deveria ou não fazer por elas, ficam gratas quando deveriam ficar indignadas, porque isso, minha gente, é sim, muito pouco.
Se é ganância taxar tacitamente de preguiçoso quem recebe tal tipo de benefício eu realmente não sei, mas que é uma tremenda vesguice social, isso lá é.
Parte 2
Uma coisa que eu realmente não entendo é a ganância. Não que eu nunca a tivesse ou que não entenda aquela vontade louca de comer todos os chocolates da caixa sozinha sem dividir com ninguém, mas acho que existem vários tipos de ganância. Ou talvez um sentimento parecido com ela que eu não sei nomear.
Mas eu prefiro chamar de ganância do que encarar o fato de que a maior parte das pessoas é mesquinha, invejosa e egoísta. Digo isso quando me refiro a programas de transferência de renda como o Bolsa Família e outros. Eu achava que o tatcherismo havia provado sua inutilidade, seu grau de exclusão e incapacidade de resolver problemas, mas as pessoas guardam muito dessa retórica em seu pensamento.
A "meritocracia", ah, que doce ilusão! No fundo no fundo, quem trabalha sabe que é mais importante gostarem de você (e isso pode ter n razões além da sua competência), do que sua capacidade per si. Estar no lugar certo na hora certa, ter nascido na cor certa, na cidade certa, na família certa. Tudo isso conta mais do que o mérito. O mérito, na verdade, serve mais para superar os "erros" do destino para quem nasce com a cor, o sexo, a cidade e a família errados.
Mas o que isso tem a ver com o Bolsa Família? Bom, eu me doou toda vez que vejo uma mãe com uma criancinha de colo pedindo esmola. Se ela que ou não trabalhar, eu não consigo julgar. Fico pensando que não deve ser nada fácil ter que mijar na rua, pedir esmola pra comprar água, morar debaixo de uma lona. Acredito ainda, que, muitas vezes essa pessoa nem sabe que pode trabalhar, não tem documentos, não consegue matricular os filhos na escola pois precisa de um endereço residencial e a única alternativa seria se livrar dos filhos para que a assistência social os encaminha para viver numa família melhor.
Eu não sei qual é o caso daquela pessoa que está me pedindo esmola, puxando a carroça para dizer "sim, esse aqui merece ajuda e aquele não". Além disso, eu confesso, sou fraca. Não consigo ver um velhinho se contorcendo para entrar num ônibus, com as costas curvadas pelo peso da caixa de doces sem pensar que ele deveria estar em casa, curtindo a aposentadoria, vendo seus netinhos crescerem. Acho sim nossa sociedade muito injusta, principalmente porque sempre usamos a exceção para justificar nossa opinião.
Além disso, para a maioria das pessoas, essas pessoas são invisíveis. O caso típico de alienação, pois se toda vez que você ver alguém numa situação dessas e comparar com você, sua vida ótima, se você não for uma pessoa sem empatia, vai ficar triste, pensando o quanto nossa sociedade é injusta. Por isso nosso mecanismo de defesa é ignorar.
Eu conheci gente que não precisava de dinheiro, mas entrava no grupo 1 da UnB para pagar 0,50 centavos no almoço enquanto eu decidia se tirava a xerox de que precisava ou pagava o preço cheio do almoço. Não ia denunciar os outros, pensava que se a consciência da pessoa não a incomodava, não adiantava fazer nada, era um caso perdido. Além disso, eu só conheci uma pessoa que abusava do sistema, as outras usavam-no com justeza.
Mas aquele que tem tudo, todas as oportunidades e ainda é míope para os problemas dos meros mortais, ainda acha que consegue julgar com acuracidade os problemas dos outros é que me incomodam. Acham que só porque tem que ter (ou acha que deve) um carro porque o transporte público não funciona, que todos devem mais é se lascar. Não entende que é seu direito também ter um transporte público de qualidade. Se não precisa de Bolsa Família, deveria ter um bom SUS, creche... Mas essas pessoas acham que só porque elas tem que pagar e conseguem, todos também deveriam.
Eu confesso, não consigo ter inveja de quem recebe o Bolsa Família e não acho que a falência do nosso Estado se deva ao ridículo sistema de walfare que ele está implantando. Também não acho que o Estado mínimo seja solução para algo. Qualquer um que comparar EUA e Canadá ou Inglaterra e Suécia vai ver que Estado mínimo nunca foi solução. E vamos e convenhamos, as pessoas que recebem o Bolsa Família não tem a menor noção do que o Estado deveria ou não fazer por elas, ficam gratas quando deveriam ficar indignadas, porque isso, minha gente, é sim, muito pouco.
Se é ganância taxar tacitamente de preguiçoso quem recebe tal tipo de benefício eu realmente não sei, mas que é uma tremenda vesguice social, isso lá é.
quarta-feira, 10 de julho de 2013
Brasil, o país da argumentação 8 ou 80
Como amante da análise do discurso, muitas vezes me assusto vendo absurdos na retórica popular brasileira. Mesmo comentaristas "consagrados", ditos opinadores de respeito, angariam preciosos minutos no jornal das oito, e até mesmo páginas inteiras com suas fotos de perfil em revistas quinzenais, para achincalhar seus oponentes. Digo achincalhar pois na sua maioria, a opinião desses "baluartes" é pessoal e muitas vezes não versa nem acerca da personalidade ou das atitudes daquele a quem julgam e sim da aparência, classe social...
Mas não se engane. Essa estratégia pífia de argumentação é patrimônio nacional. Se sua vestimenta serve para credibilizar aquilo que diz o que dizer do seu sexo, sua cor, sua posição? O que se diz também não importa muito. Como se diz é bem mais importante. Os psicólogos e behavioristas podem tentar ponderar minha crítica dizendo que existem respostas instintivas a gestos e tons de voz. Eu como conhecedora de alguns pontos da linguística, sei que o tom é importante para insinuar o sarcasmo e a ironia. O problema está em que se tirando esses aspectos da equação, praticamente não podemos criticar nada nesse país.
Estamos numa meritocracia que no lugar de mostrar o mérito, nos concentramos em esconder os erros e defeitos, em conseguir desculpas, desviar os dedos inquisidores para outro. Quantas vezes eu escutei um "me desculpa" ou "mea culpa"? Acho que nunca. Se teve erro de digitação na prova "acontece", "é culpa do editor de texto que está configurado para outro idioma". Se alguém não deu o recado, nunca ouvirá um "eu esqueci", mas sim "você não deve ter recebido o e-mail" ou "o seu celular não está funcionando". Eu não sei se a corrupção é endêmica, mas as vezes eu acho que a mania de desculpar-se e mentir é quase esporte nacional. "Você quer sair amanhã? Hum, não vai dar, é aniversário da minha tia". Porque dizer "eu não estou afim" é ultrajante.
Talvez daí (ou de outro lugar) venha a falta de habilidade para se ponderar, discutir e solucionar. Na ânsia de mostrar o mérito, sem saber ao certo o que isso significa, toman-se decisões à la va vite, verticalmente e sem espaço para discussões.
Um bolsista qualquer foi viajar pela Europa e não terminou o doutorado? Vamos cobrar dele? Não. Vamos proibir TODOS de viajar enquanto estiverem fazendo seu doutorado, sanduíche (mais para misto quente). Os médicos não querem ir para o interior? Vamos investigar? Não. Vamos obrigá-los! (como se eles fossem os únicos que custam milhões aos cofres públicos e não dão o suposto retorno à sociedade). Será que os engenheiros assim que formados serão obrigados a construir pontes?
Outra coisa engraçada foi a discussão em torno da vinda dos médicos cubanos. Deixando de lado o fato deles serem ou não bons médicos, eu não vi muita ênfase nas ponderações acerca da atitude brasileira, sem pudores de privar Cuba de seus médicos e tentando aplicar neles aqui o mesmo regime que tem lá. Eles iam ficar como? Trancafiados para não verem "os prazeres do capitalismo"? Eles veriam sim. Os doentes pelo chão, a falta de equipamento, o descaso do poder público com o povo... E para falar a verdade, tentando deixar o xenofobismo de lado, eu preferiria muito mais um cubano do que um português ou um espanhol. Será que a gente não deveria descolonializar a medicina brasileira no lugar de recolonializá-la mais uma vez?
Na mesma linha das argumentações 8/80 estão algumas das críticas do povo "acordado" ao governo. A Dilma é poderosa sim, mas ela não é O GOVERNO! Nós temos instâncias municipais, estaduais e federais. Bom, e eu até acho bom ela não ser a única responsável pela instância federal. Além disso, no âmbito das leis (pois a gente adora uma lei, por mais absurda e sem chance de ser cumprida que ela seja), existe a Câmara e o Senado e está cheio de gente lá adotando um comportamento extremamente "instável" desde que os protestos começaram. É muito provável que os problemas da sua cidade sejam culpa do governo estadual e municipal. Aqui em Brasília eu não vi muita reclamação sobre a Câmara Legislativa. Ela faz "tanta" coisa que a gente até se esquece dela... Jaqueline, sua família e seus amigos agradecem.
Só para dar um exemplo de argumentação 8/80: existe a esquerda e a direita no pensamento político, certo? Não. Existe a centro esquerda, centro direita, extrema de qualquer lado e ainda algo do qual a gente pouco fala: a terceira via (que é do que a gente pouco fala mas é sobre tudo que está acontecendo aqui no Brasil). Mas se você é de esquerda logo te taxam de... petista. Pomba, eu não sou mais petista desde o primeiro mandato do Lula. E desculpem-me os ainda petistas, mas, para mim, o PT não é mais um partido de esquerda.
Posso citar muitos outros exemplos dessa intransigência argumentativa, mas eu acho que essas já são suficientes para nos fazer pensar um pouquinho no que temos usado para sustentar nosso argumento e onde todos vamos chegar com essa discussão pouco frutífera.
Mas não se engane. Essa estratégia pífia de argumentação é patrimônio nacional. Se sua vestimenta serve para credibilizar aquilo que diz o que dizer do seu sexo, sua cor, sua posição? O que se diz também não importa muito. Como se diz é bem mais importante. Os psicólogos e behavioristas podem tentar ponderar minha crítica dizendo que existem respostas instintivas a gestos e tons de voz. Eu como conhecedora de alguns pontos da linguística, sei que o tom é importante para insinuar o sarcasmo e a ironia. O problema está em que se tirando esses aspectos da equação, praticamente não podemos criticar nada nesse país.
Estamos numa meritocracia que no lugar de mostrar o mérito, nos concentramos em esconder os erros e defeitos, em conseguir desculpas, desviar os dedos inquisidores para outro. Quantas vezes eu escutei um "me desculpa" ou "mea culpa"? Acho que nunca. Se teve erro de digitação na prova "acontece", "é culpa do editor de texto que está configurado para outro idioma". Se alguém não deu o recado, nunca ouvirá um "eu esqueci", mas sim "você não deve ter recebido o e-mail" ou "o seu celular não está funcionando". Eu não sei se a corrupção é endêmica, mas as vezes eu acho que a mania de desculpar-se e mentir é quase esporte nacional. "Você quer sair amanhã? Hum, não vai dar, é aniversário da minha tia". Porque dizer "eu não estou afim" é ultrajante.
Talvez daí (ou de outro lugar) venha a falta de habilidade para se ponderar, discutir e solucionar. Na ânsia de mostrar o mérito, sem saber ao certo o que isso significa, toman-se decisões à la va vite, verticalmente e sem espaço para discussões.
Um bolsista qualquer foi viajar pela Europa e não terminou o doutorado? Vamos cobrar dele? Não. Vamos proibir TODOS de viajar enquanto estiverem fazendo seu doutorado, sanduíche (mais para misto quente). Os médicos não querem ir para o interior? Vamos investigar? Não. Vamos obrigá-los! (como se eles fossem os únicos que custam milhões aos cofres públicos e não dão o suposto retorno à sociedade). Será que os engenheiros assim que formados serão obrigados a construir pontes?
Outra coisa engraçada foi a discussão em torno da vinda dos médicos cubanos. Deixando de lado o fato deles serem ou não bons médicos, eu não vi muita ênfase nas ponderações acerca da atitude brasileira, sem pudores de privar Cuba de seus médicos e tentando aplicar neles aqui o mesmo regime que tem lá. Eles iam ficar como? Trancafiados para não verem "os prazeres do capitalismo"? Eles veriam sim. Os doentes pelo chão, a falta de equipamento, o descaso do poder público com o povo... E para falar a verdade, tentando deixar o xenofobismo de lado, eu preferiria muito mais um cubano do que um português ou um espanhol. Será que a gente não deveria descolonializar a medicina brasileira no lugar de recolonializá-la mais uma vez?
Na mesma linha das argumentações 8/80 estão algumas das críticas do povo "acordado" ao governo. A Dilma é poderosa sim, mas ela não é O GOVERNO! Nós temos instâncias municipais, estaduais e federais. Bom, e eu até acho bom ela não ser a única responsável pela instância federal. Além disso, no âmbito das leis (pois a gente adora uma lei, por mais absurda e sem chance de ser cumprida que ela seja), existe a Câmara e o Senado e está cheio de gente lá adotando um comportamento extremamente "instável" desde que os protestos começaram. É muito provável que os problemas da sua cidade sejam culpa do governo estadual e municipal. Aqui em Brasília eu não vi muita reclamação sobre a Câmara Legislativa. Ela faz "tanta" coisa que a gente até se esquece dela... Jaqueline, sua família e seus amigos agradecem.
Só para dar um exemplo de argumentação 8/80: existe a esquerda e a direita no pensamento político, certo? Não. Existe a centro esquerda, centro direita, extrema de qualquer lado e ainda algo do qual a gente pouco fala: a terceira via (que é do que a gente pouco fala mas é sobre tudo que está acontecendo aqui no Brasil). Mas se você é de esquerda logo te taxam de... petista. Pomba, eu não sou mais petista desde o primeiro mandato do Lula. E desculpem-me os ainda petistas, mas, para mim, o PT não é mais um partido de esquerda.
Posso citar muitos outros exemplos dessa intransigência argumentativa, mas eu acho que essas já são suficientes para nos fazer pensar um pouquinho no que temos usado para sustentar nosso argumento e onde todos vamos chegar com essa discussão pouco frutífera.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
A educação lobotomizadora
Tenho circulado por ambientes de educação presencial e a distância. No primeiro, como alguns aqui sabem, tenho ouvido coisas do tipo "seu currículo é muito bom, sua formação é muito sólida, mas você não tem experiência". Esquecem entretanto que para ter essa formação super sólida, tive que abrir mão da experiência. As vezes fico na dúvida se deixasse a formação de lado e adquirisse experiência não iria começar a ouvir "Você tem muita experiência, mas tem se capacitado pouco..."
Mas enfim, nos ambientes de EAD o assunto é outro. Discutimos qual é a obrigação do tutor, do professor, da equipe. Sempre com um organograma de funções bem determinadas onde o tutor está na base da cadeia alimentar (estranhamente o aluno não aparece nos esquemas). Qual é a obrigação do tutor? Tudo, menos decidir o plano de aula, o material de estudo e o cronograma. Mesmo que os artigos que nos "incentivam" a ler sobre EAD falem que o tutor na verdade deveria ser o professor da disciplina, mencionem condições ideais, como o número de alunos por sala o que vemos na verdade é uma economia infinita que o governo vem conseguindo fazer. Imagine só, no lugar de contratar professores doutores para ministrarem disciplinas no Ensino Superior presencial ele contrata um presencial que é também responsabilizado pelo EAD, e consegue um monte de mestres e doutores para trabalharem como tutores. Não existe limite para quantidade de alunos que um tutor fica responsável e os supervisores
Mas como ele consegue isso? Ora, o pessoal não está conseguindo emprego, principalmente em Brasília, onde temos poucas opções, ou trabalhamos para o governo ou prestando serviço para o governo. E na EAD você pode contratar um profissional em Brasília que irá ministrar um curso para Bahia, por exemplo. Existem áreas que são mais complicadas para prestação de serviços. Então para complementar a renda, muitos pensam "vou ser tutor, afinal de contas, já passo a maior parte do meu tempo no facebook". Infelizmente o que ninguém nos fala é o quanto demanda de tempo na realidade. Sempre fazem parecer que é algo tranquilo "enquanto você olha seus e-mails responde os alunos", "é só você se organziar", falam. Mas no lugar de se depararem com uma simples monitoria à distância nos assemelhamos a professores de línguas que são obrigados seguir um método em sala de aula e muitas vezes não sabem a relação daquela atividade com o conteúdo. Os cursos são preparados em cima da hora, não temos como nos organizar, não sabemos como serão as atividades que teremos que corrigir, mudam-se os critérios no meio do caminho e vamos nós refazer tudo que havíamos feito... Por fim, acabamos conduzindo a disciplina, isso implica, além de se dedicar ao estudo da disciplina, se responsabilizar também pelo aprendizado dos alunos. Mas diferente do professor, que mesmo mal pago é reconhecido, não levamos os louros pelas conquistas deles, só via mensageiro ou quando os supervisores querem acalmar nossos ânimos irritados com os pagamentos atrasados. Eu me pergunto se uma "bolsa" ou o que quer que chamem o "incentivo" que recebemos é suficiente. Eu acho que não, mas não estou em condições de recusar. E vocês?
Infelizmente não temos a chance de trazer esse debate para dentro dos ambientes. Aí que vem a lobotomia. Antes mesmo de discutirmos essa estrutura injusta e impositiva que está se formando junto com a expansão da EAD brasileira, sempre tem alguém (superior) que, lendo nossos pensamentos, falam o quanto nossa atividade é nobre, discutem que espécie de pessoa só trabalha por dinheiro, dizem que já que dispensamos em média oito horas do nosso dia no trabalho devemos fazer algo que gostamos e blá blá blá - lavagem cerebral. Eu sei, já passei por isso. Voltamos para casa tão felizes pensando o quão nobres e dignos somos, mas esquecemos de notar que esse não é o tipo de campo, daqueles que menciona Bourdieu, onde o fato de desprezarmos o dinheiro faça parte das boas maneiras. Isso é um campo profissional e eu posso dizer que sim, quanto mais se valorizem um profissional ou uma categoria de profissionais mais eles ganham.
Mas enfim, nos ambientes de EAD o assunto é outro. Discutimos qual é a obrigação do tutor, do professor, da equipe. Sempre com um organograma de funções bem determinadas onde o tutor está na base da cadeia alimentar (estranhamente o aluno não aparece nos esquemas). Qual é a obrigação do tutor? Tudo, menos decidir o plano de aula, o material de estudo e o cronograma. Mesmo que os artigos que nos "incentivam" a ler sobre EAD falem que o tutor na verdade deveria ser o professor da disciplina, mencionem condições ideais, como o número de alunos por sala o que vemos na verdade é uma economia infinita que o governo vem conseguindo fazer. Imagine só, no lugar de contratar professores doutores para ministrarem disciplinas no Ensino Superior presencial ele contrata um presencial que é também responsabilizado pelo EAD, e consegue um monte de mestres e doutores para trabalharem como tutores. Não existe limite para quantidade de alunos que um tutor fica responsável e os supervisores
Mas como ele consegue isso? Ora, o pessoal não está conseguindo emprego, principalmente em Brasília, onde temos poucas opções, ou trabalhamos para o governo ou prestando serviço para o governo. E na EAD você pode contratar um profissional em Brasília que irá ministrar um curso para Bahia, por exemplo. Existem áreas que são mais complicadas para prestação de serviços. Então para complementar a renda, muitos pensam "vou ser tutor, afinal de contas, já passo a maior parte do meu tempo no facebook". Infelizmente o que ninguém nos fala é o quanto demanda de tempo na realidade. Sempre fazem parecer que é algo tranquilo "enquanto você olha seus e-mails responde os alunos", "é só você se organziar", falam. Mas no lugar de se depararem com uma simples monitoria à distância nos assemelhamos a professores de línguas que são obrigados seguir um método em sala de aula e muitas vezes não sabem a relação daquela atividade com o conteúdo. Os cursos são preparados em cima da hora, não temos como nos organizar, não sabemos como serão as atividades que teremos que corrigir, mudam-se os critérios no meio do caminho e vamos nós refazer tudo que havíamos feito... Por fim, acabamos conduzindo a disciplina, isso implica, além de se dedicar ao estudo da disciplina, se responsabilizar também pelo aprendizado dos alunos. Mas diferente do professor, que mesmo mal pago é reconhecido, não levamos os louros pelas conquistas deles, só via mensageiro ou quando os supervisores querem acalmar nossos ânimos irritados com os pagamentos atrasados. Eu me pergunto se uma "bolsa" ou o que quer que chamem o "incentivo" que recebemos é suficiente. Eu acho que não, mas não estou em condições de recusar. E vocês?
Infelizmente não temos a chance de trazer esse debate para dentro dos ambientes. Aí que vem a lobotomia. Antes mesmo de discutirmos essa estrutura injusta e impositiva que está se formando junto com a expansão da EAD brasileira, sempre tem alguém (superior) que, lendo nossos pensamentos, falam o quanto nossa atividade é nobre, discutem que espécie de pessoa só trabalha por dinheiro, dizem que já que dispensamos em média oito horas do nosso dia no trabalho devemos fazer algo que gostamos e blá blá blá - lavagem cerebral. Eu sei, já passei por isso. Voltamos para casa tão felizes pensando o quão nobres e dignos somos, mas esquecemos de notar que esse não é o tipo de campo, daqueles que menciona Bourdieu, onde o fato de desprezarmos o dinheiro faça parte das boas maneiras. Isso é um campo profissional e eu posso dizer que sim, quanto mais se valorizem um profissional ou uma categoria de profissionais mais eles ganham.
sábado, 19 de janeiro de 2013
Meu memorial ideal
Quem me dera o CV pudesse ser um memorial informal-ideal.
Teria tempo de me explicar, me justificar e de responder aquele bando de "mas porque que você não faz..." que sempre ouço ao contar minha trajetória.
Acho que no fundo vida é um grande memorial, nada curricular muito longe de estar presa hermeticamente numa grade, distribuída em vagas experiências profissionais.
Se eu pudesse escolher transformar o meu CV em memorial, ele seria mais ou menos assim:
Minha primeira lembrança, remonta aos meus quatro anos de idade. Eu brincava debaixo do meu bloco com uma boneca da Mônica vestida de roqueira. Ela tinha até uma guitarra. Eu adorei a boneca, mas pouco tempo depois, fiquei com inveja da Mônica. Ela era baixinha, gordinha e dentuça como eu, mas eu não tinha super força. Me resolvi por um tempo com minha lancheira da tappewere, batendo nos meninos que me xingavam. Mas logo logo eles ficaram muito maiores do que eu e eu apelei para o meu irmão. Não sei se meu irmão mais velho gostava de me defender ou de bater nos meninos menores com uma boa desculpa. Rapidamente ninguém mais mexeu comigo, nem o Renato. O menino mais chato do primeiro grau e também o mais bonito. E eu, entendendo os mais fracos como eu, não implicava com eles. Instaurou-se a paz no primeiro grau.
Até a sexta série (era esse o nome na minha época) eu era uma excelente aluna. Ganhava diplomas de desempenho e só tirava nove ou dez. Isso me rendia até presentes extras no Natal. Uma vez ganhei um estojo de maquiagem da Claude Bergère para crianças. Não usava maquiagem, mas gostava dos estojos. Minha única mancha curricular foi um trabalho que não dei conta de fazer sozinha e, como sabia que ganharia sete, não entreguei. Pedi para a professora estender o meu prazo e ela disse que não. Ganhei zero no trabalho e chorei copiosamente ao telefone tentando explicar para minha mãe o porque da nota.
Até onde me lembre, nunca ganhei um livro de presente na infância. Talvez por isso passasse meus recreios na Biblioteca da escola. Eu adorava ler as fábulas do La Fontaine. Não tanto pelas histórias, e mais pelos desenhos. Era uma coleção muito bonita de capa dura e as fábulas ficavam numa estante acessível. Eu nunca gostei de pedir ajuda para pegar livros no alto. Sei que hoje elas me parecem um pouco forçadas. Uma moral adulta para crianças, mas elas me ajudaram muito a manter a coerência num mar de ordens contrárias. "Por que o Betinho pode e eu não posso? Porque o Betinho é menino. Mas o que isso tem a ver? Ser mais forte e mijar em pé não vai ele melhor no video-game." :/
Não entendi. Nunca entendi a desigualdade entre os sexos e quando entendi, não concordei. Não faz o menor sentido. Como também não fazia o racismo.
Eu estava sentada dentro do carrinho de compras. Acho que tinha seis anos. O Betinho me empurrava. Estávamos brincando de corrida no supermercado. De repente tivemos que parar e uma menina me olhou e me deu língua. Eu não entendi. O Betinho viu e e ficou indignado. A menina me deu língua de novo e me chamou de burra. Eu continuei passada. A menina nem me conhecia e já sabia que eu era burra. O Betinho, que devia ter uns sete anos e meio chamou ela de burra e... pretinha. Empurrou o carrinho e fomos embora. Eu continuava de boca aberta. "Betinho, porque você chamou aquela menina de pretinha?" "E eu lá ia deixar ela te dar língua? Aquela pretinha..."
Eu nunca descobri o porque daquela menina ter me dado língua, mas entendi pouco tempo depois porque meu irmão chamou ela de "pretinha".
(continua...)
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
Entrando no clima de Natal
"A-do-ro" Natal.
Não tem pior data no ano. Uma comemoração que ninguém lembra mais o porque e inventamos um monte de desculpas esfarrapadas para explicá-la. "Data para ficar perto de quem ama"; "Presentear aqueles que ama"; "Família e amigos"; "Data de amor e esperança"... e blá blá blá.
Resumindo essas coisas encontramos que a grosso modo o natal é uma data para amar aqueles de quem se gosta. Ora, para isso não é preciso uma data específica, mas enfim, não vamos filosofar demais porque ninguém quer ouvir a verdade mesmo, sobretudo no natal. Mas enfim, de todas as desculpas que se pode inventar para o natal, a comemoração do nascimento de Jesus Cristo é a pior delas. Como comemorar o nascimento do profeta cumprindo uma dezena de convenções sociais extressantes e despropositadas?
Vamos celebrar o nascimento do cara mais hippie da História nos empanturrando de comidas caras e importadas, trocando presentes que na minha família, é melhor esquecer a etiqueta pregada, pois o tamanho do amor é proporcional ao valor do presente. Sei que vai ter muita gente dizendo que não é bem assim, que nem todo mundo liga pra isso e mais blá blá blá. Mas o que estaremos mesmo fazendo na véspera de Natal se não celebrando o consumo?
Vestindo uma roupa de domingo para ficar na casa de alguém que, normalmente temos intimidade. Vamos quase comer à francesa e desperdiçar uma tonelada de comida. Muitas vezes temos um trabalhão para nos encontrarmos na casa de determinada pessoa e no lugar de uma boa conversa alguém vai ligar a TV na rede Bobo e você vai ter que assistir o Natal da Xuxa ou do Sherek porque ninguém consegue acalmar as crianças a não ser a babá eletrônica.
E para abrilhantar o quadro, vai ter um monte de mulher enlouquecida tendo que cuidar de arrumar a casa e as crianças para a ocasião, cozinhar uma tonelada de comida, organizar amigo oculto e tudo o mais, ficar cinco horas monitorando o cozimento do peru, tentando fazer a social entre a sala e uma cozinha (que vai estar quente pois tem um peru no forno e provavelmente vai fazê-la suar em bicas pois maquiagem não combina com trabalho braçal) e ainda vão ter que aguentar um monte de homem enchendo a cara e reclamando em público que a mulher sempre fica emburrada no Natal e ele não consegue entender o porque, já que ela fez tanta questão de passar o Natal na casa da mãe.
Eu vou, provavelmente ter que passar meu Natal em família tentando me desviar de assuntos polêmicos, nos quais, normalmente, ninguém concorda comigo e exatamente por isso todos vão querer a minha opinião. P. da vida porque o único homem da festa a se oferecer para ajudar vai ser o meu marido e que se assim o fizer vai automaticamente se excluir do clube do bolinha. Meu dia vai ficar mais desconfortável ainda quando começar a troca de presentes e eu tiver que relembrar a todos que já que eu estou desempregada, não vi motivos para gastar os tubos com presentes de Natal. A minha mãe vai "tentar" contornar a situação dizendo que ela, na sua infinita bondade, se ofereceu para pagar os presentes para mim sem se tocar que, sendo presentes de natal algo muito supérfluo, eu preferiria recorrer à bondade alheia em algo que fosse realmente necessário.
É, eu realmente odeio o natal.
Não tem pior data no ano. Uma comemoração que ninguém lembra mais o porque e inventamos um monte de desculpas esfarrapadas para explicá-la. "Data para ficar perto de quem ama"; "Presentear aqueles que ama"; "Família e amigos"; "Data de amor e esperança"... e blá blá blá.
Resumindo essas coisas encontramos que a grosso modo o natal é uma data para amar aqueles de quem se gosta. Ora, para isso não é preciso uma data específica, mas enfim, não vamos filosofar demais porque ninguém quer ouvir a verdade mesmo, sobretudo no natal. Mas enfim, de todas as desculpas que se pode inventar para o natal, a comemoração do nascimento de Jesus Cristo é a pior delas. Como comemorar o nascimento do profeta cumprindo uma dezena de convenções sociais extressantes e despropositadas?
Vamos celebrar o nascimento do cara mais hippie da História nos empanturrando de comidas caras e importadas, trocando presentes que na minha família, é melhor esquecer a etiqueta pregada, pois o tamanho do amor é proporcional ao valor do presente. Sei que vai ter muita gente dizendo que não é bem assim, que nem todo mundo liga pra isso e mais blá blá blá. Mas o que estaremos mesmo fazendo na véspera de Natal se não celebrando o consumo?
Vestindo uma roupa de domingo para ficar na casa de alguém que, normalmente temos intimidade. Vamos quase comer à francesa e desperdiçar uma tonelada de comida. Muitas vezes temos um trabalhão para nos encontrarmos na casa de determinada pessoa e no lugar de uma boa conversa alguém vai ligar a TV na rede Bobo e você vai ter que assistir o Natal da Xuxa ou do Sherek porque ninguém consegue acalmar as crianças a não ser a babá eletrônica.
E para abrilhantar o quadro, vai ter um monte de mulher enlouquecida tendo que cuidar de arrumar a casa e as crianças para a ocasião, cozinhar uma tonelada de comida, organizar amigo oculto e tudo o mais, ficar cinco horas monitorando o cozimento do peru, tentando fazer a social entre a sala e uma cozinha (que vai estar quente pois tem um peru no forno e provavelmente vai fazê-la suar em bicas pois maquiagem não combina com trabalho braçal) e ainda vão ter que aguentar um monte de homem enchendo a cara e reclamando em público que a mulher sempre fica emburrada no Natal e ele não consegue entender o porque, já que ela fez tanta questão de passar o Natal na casa da mãe.
Eu vou, provavelmente ter que passar meu Natal em família tentando me desviar de assuntos polêmicos, nos quais, normalmente, ninguém concorda comigo e exatamente por isso todos vão querer a minha opinião. P. da vida porque o único homem da festa a se oferecer para ajudar vai ser o meu marido e que se assim o fizer vai automaticamente se excluir do clube do bolinha. Meu dia vai ficar mais desconfortável ainda quando começar a troca de presentes e eu tiver que relembrar a todos que já que eu estou desempregada, não vi motivos para gastar os tubos com presentes de Natal. A minha mãe vai "tentar" contornar a situação dizendo que ela, na sua infinita bondade, se ofereceu para pagar os presentes para mim sem se tocar que, sendo presentes de natal algo muito supérfluo, eu preferiria recorrer à bondade alheia em algo que fosse realmente necessário.
É, eu realmente odeio o natal.
domingo, 16 de dezembro de 2012
Ano ímpar
2012 está acabando e o que posso dizer desse ano? Já vai tarde!
O ano não foi todo horrível. Voltar para o Brasil me deixou muito contente. Tinha saudade da minha família e dos meus amigos. Por mais que minhas amigas na Suécia fossem fenomenais, faltava alguma coisa. Fugir do inverno parecia uma boa pedida, afinal, somos moldados à luz do sol. Acho ainda que faltava eu me sentir em casa. Eu sentia falta do improviso, da bagunça, da espontaneidade... Mas porque? Não sei. Não faz o menor sentido. Depois de chegar me deparei com uma burocracia fenomenal, que te amarra os pés e as mãos e para a qual eu não estava pronta. Dizem que "se acostumar com a direção hidráulica é fácil, difícil é voltar para a normal".
Gente que tem a cara de pau de pedir um comprovante de residência registrado em cartório pois não basta você ir pessoalmente ao local dizer onde você mora. Mas eu me pergunto: qual poderia ser o meu interesse em mentir para o banco a respeito do meu local de residência? Se eu quiser receber minha correspondência na casa da minha mãe apesar de não morar lá? Porque uma conta de uma companhia de telefone mequetrefe que abre contas para qualquer um que forneça um CPF por telefone vale mais do que a minha palavra? Disso eu não sentia falta.
Mas agora aqui estou e tenho que reaprender a lidar com isso. Outra coisa que tenho que reaprender: falta de respeito e jeitinho. Não é o que est á escrito, é o que todo mundo faz. Não é ficar na fila, é ser simpático com quem atende. Não é estar certo, é parecer certo. Talvez de posse dessas valiosas informações eu tenha um 2013 melhor do que 2012.
O ano não foi todo horrível. Voltar para o Brasil me deixou muito contente. Tinha saudade da minha família e dos meus amigos. Por mais que minhas amigas na Suécia fossem fenomenais, faltava alguma coisa. Fugir do inverno parecia uma boa pedida, afinal, somos moldados à luz do sol. Acho ainda que faltava eu me sentir em casa. Eu sentia falta do improviso, da bagunça, da espontaneidade... Mas porque? Não sei. Não faz o menor sentido. Depois de chegar me deparei com uma burocracia fenomenal, que te amarra os pés e as mãos e para a qual eu não estava pronta. Dizem que "se acostumar com a direção hidráulica é fácil, difícil é voltar para a normal".
Gente que tem a cara de pau de pedir um comprovante de residência registrado em cartório pois não basta você ir pessoalmente ao local dizer onde você mora. Mas eu me pergunto: qual poderia ser o meu interesse em mentir para o banco a respeito do meu local de residência? Se eu quiser receber minha correspondência na casa da minha mãe apesar de não morar lá? Porque uma conta de uma companhia de telefone mequetrefe que abre contas para qualquer um que forneça um CPF por telefone vale mais do que a minha palavra? Disso eu não sentia falta.
Mas agora aqui estou e tenho que reaprender a lidar com isso. Outra coisa que tenho que reaprender: falta de respeito e jeitinho. Não é o que est á escrito, é o que todo mundo faz. Não é ficar na fila, é ser simpático com quem atende. Não é estar certo, é parecer certo. Talvez de posse dessas valiosas informações eu tenha um 2013 melhor do que 2012.
terça-feira, 31 de julho de 2012
"Ela é feminista, mas é legal"
É assim que alguns de meus amigos tem me apresentado a terceiros por aí. Eu achei bastante curioso da primeira vez, mas devido o meu baixo grau de sociabilidade presumida, apenas dei uma risadinha sem graça e cumprimentei a pessoa. Mas como isso ficou frequente, eu comecei a desconfiar que haveria algo mais por trás desse pensamento.
Outro dia tomando café da manhã com o roomie ele me falou algo que ajudou a matar a charada. Ele me disse que estava contando para mãe dele um pouco mais sobre os colegas de república e eis que ele fala "A Drica é feminista". E a mãe dele respondeu "Mas ela é casada e é tão normal!"
Outra amiga minha ficou um pouco constrangida ao mostrar os bicos de confeitar na minha presença. Ela disse "Sei que você não deve gostar dessas coisas, mas eu adoro". Eu achei estranho, pois até tenho alguns utensílios para confeitar, só não tenho habilidade para tal. Daí minha outra amiga acabou por me defender antes mesmo que eu soubesse que estava sendo de algum modo "acusada". Ela disse "O feminismo não tem nada a ver com negar a feminilidade, tem a ver com liberdade de escolha".
Pronto, eu entendi. Ainda aquela velha história de comparar feministas com mulheres mal realizadas, infelizes, masculinas. Ser feminista para mim é algo tão natural que as vezes esqueço de que as pessoas não sabem o que é o feminismo. Ou pior, fazem questão de estereotipar as feministas. Em parte eu concordo com o que minha amiga disse. Ser feminista é ser a favor da liberdade de escolha. Eu não sou contra a feminilidade e sim o que ela representa.
É a velha discussão, ser feminina deveria ser uma opção e não uma regra. Um comportamento que não deveria estar relacionado com uma característica "biológica". Mas o que é ser feminina? Ou, o que está por trás da feminilidade? Ser feminina é gostar de rosa, brincar de barbie, ser graciosa, submissa e servil? Ser feminina é ser mulher? Para aquelas que torcem o nariz para o feminismo, uma provocação: A feminilidade combina com o poder?
Outra dica, por mais que o feminismo seja considerado um termo pejorativo, as mulheres de hoje em dia, feministas ou não, gozam de privilégios adquiridos pelas lutas dos movimentos feministas. O voto, a pílula, a lei Maria da Penha... O próprio fato de nós podermos trabalhar e comprar bicos para confeitar é uma conquista adquirida através das lutas feministas. Antigamente as mulheres não podiam trabalhar sem autorização do marido. Dirigir, que eu sei que minhas amigas adoram, não era bem visto nem considerado "feminino".
Eu até acho graça ao ver a felicidade nos bicos de confeitar, mas mais por ignorância minha (eu não faço a menor idéia de como funciona todo aquele aparato) do que por desprezo. Uma feminista pode ser feminina? Algumas coisas são difíceis de mudar. Por exemplo, padrões de beleza. Eu, que já reneguei o feminismo, também já fui escrava do padrão. E talvez uma feminista que não seja "masculina" ajude um pouco as pessoas a desmistificarem a feminazi. Mas eu respeito todos, todas, todxs em seu estilo, modos de expressão e etc. Mas não me venha com essa de padrão. Mulher tem que ser assim ou assado. Mulher? O que é isso?
Eu não vou responder. Quero apenas dizer que ser feminista e legal não são coisas opostas. Eu não sei se sofreria do mesmo tipo de vocativo se fosse flamenguista ou petista ou comunista. Até entendo que sou uma das poucas feministas que meus amigos conheçem e talvez por isso a explicação "Ela é feminista, mas é legal". Mas se eu sou a única feminista que vc conhece e sou legal, porque não assumir que as feministas são legais? Talvez também as pessoas precisem de um espaço amostral maior para descobri que sim, feministas são legais.
Mas de novo, eu não posso generalizar. Afinal de contas, a liberdade de escolha está aí, para as feministas serem chatas, se elas quiserem. Mas elas não vão ser chatas porque feministas...
Para mais goles cafeinados de feminismo, eu recomendo, também especialidade da casa:
Ser feminista é como ser baixinha, partes 1 e 2
Feminista vegetariana
Outro dia tomando café da manhã com o roomie ele me falou algo que ajudou a matar a charada. Ele me disse que estava contando para mãe dele um pouco mais sobre os colegas de república e eis que ele fala "A Drica é feminista". E a mãe dele respondeu "Mas ela é casada e é tão normal!"
Outra amiga minha ficou um pouco constrangida ao mostrar os bicos de confeitar na minha presença. Ela disse "Sei que você não deve gostar dessas coisas, mas eu adoro". Eu achei estranho, pois até tenho alguns utensílios para confeitar, só não tenho habilidade para tal. Daí minha outra amiga acabou por me defender antes mesmo que eu soubesse que estava sendo de algum modo "acusada". Ela disse "O feminismo não tem nada a ver com negar a feminilidade, tem a ver com liberdade de escolha".
Pronto, eu entendi. Ainda aquela velha história de comparar feministas com mulheres mal realizadas, infelizes, masculinas. Ser feminista para mim é algo tão natural que as vezes esqueço de que as pessoas não sabem o que é o feminismo. Ou pior, fazem questão de estereotipar as feministas. Em parte eu concordo com o que minha amiga disse. Ser feminista é ser a favor da liberdade de escolha. Eu não sou contra a feminilidade e sim o que ela representa.
É a velha discussão, ser feminina deveria ser uma opção e não uma regra. Um comportamento que não deveria estar relacionado com uma característica "biológica". Mas o que é ser feminina? Ou, o que está por trás da feminilidade? Ser feminina é gostar de rosa, brincar de barbie, ser graciosa, submissa e servil? Ser feminina é ser mulher? Para aquelas que torcem o nariz para o feminismo, uma provocação: A feminilidade combina com o poder?
Outra dica, por mais que o feminismo seja considerado um termo pejorativo, as mulheres de hoje em dia, feministas ou não, gozam de privilégios adquiridos pelas lutas dos movimentos feministas. O voto, a pílula, a lei Maria da Penha... O próprio fato de nós podermos trabalhar e comprar bicos para confeitar é uma conquista adquirida através das lutas feministas. Antigamente as mulheres não podiam trabalhar sem autorização do marido. Dirigir, que eu sei que minhas amigas adoram, não era bem visto nem considerado "feminino".
Eu até acho graça ao ver a felicidade nos bicos de confeitar, mas mais por ignorância minha (eu não faço a menor idéia de como funciona todo aquele aparato) do que por desprezo. Uma feminista pode ser feminina? Algumas coisas são difíceis de mudar. Por exemplo, padrões de beleza. Eu, que já reneguei o feminismo, também já fui escrava do padrão. E talvez uma feminista que não seja "masculina" ajude um pouco as pessoas a desmistificarem a feminazi. Mas eu respeito todos, todas, todxs em seu estilo, modos de expressão e etc. Mas não me venha com essa de padrão. Mulher tem que ser assim ou assado. Mulher? O que é isso?
Eu não vou responder. Quero apenas dizer que ser feminista e legal não são coisas opostas. Eu não sei se sofreria do mesmo tipo de vocativo se fosse flamenguista ou petista ou comunista. Até entendo que sou uma das poucas feministas que meus amigos conheçem e talvez por isso a explicação "Ela é feminista, mas é legal". Mas se eu sou a única feminista que vc conhece e sou legal, porque não assumir que as feministas são legais? Talvez também as pessoas precisem de um espaço amostral maior para descobri que sim, feministas são legais.
Mas de novo, eu não posso generalizar. Afinal de contas, a liberdade de escolha está aí, para as feministas serem chatas, se elas quiserem. Mas elas não vão ser chatas porque feministas...
Para mais goles cafeinados de feminismo, eu recomendo, também especialidade da casa:
Ser feminista é como ser baixinha, partes 1 e 2
Feminista vegetariana
quarta-feira, 18 de julho de 2012
Ingenuidade, as vezes vc paga mico por causa dela...
Eu estava mega feliz em saber que mesmo sem blogar com regularidade, ainda mantinha minha média de 50 visitas por dia. Ainda mais por não saber direito como funciona a contagem das visitas. Se aquelas pessoas que olham o blog através do facebook, por exemplo, são contabilizadas.
Mas eis que minha felicidade, que nesse caso estava totalmente aliada a minha ignorância no assunto, acabou. Conversando com a Bia, eu descobri que o blog das BF's tem em média 4.000 acessos por dia. Agora já nem sei se ainda vale a pena dar uma pimpada no blog. Pensei em começar a publicar meus textos artísticos, colocar uma licença CC no blog, contratar alguém para melhorar a aparência e etc. Mas talvez seja um mal investimento... Será que algum dia terei mais de 50 acessos??
E se tiver? Isso vai surtir algum efeito no meu ego? Outra coisa que me fez repensar meu "plano de ação". Saber que existem "celebridades" da internet que tem seu próprio secto de seguidores, fãs muitas vezes acríticos. Isso dá um medo sim. O bom da internet, em certo ponto é essa relativa anônimidade. Algo que permitiria a circulação de opiniões livres de interesses econômicos em canais como blogs. Outro ponto positivo seria o acesso de pessoas que não pertencem a panelinha da elite cultural brasileira exprimir seu pensamento e por que não, seu viés artístico.
Mas parece que o perigo da midialização, no sentido que eu acabei de colocar, parece não ser algo longínquo.
Ou será que mais uma vez eu estou sendo ingênua e isso já aconteceu?
Mas eis que minha felicidade, que nesse caso estava totalmente aliada a minha ignorância no assunto, acabou. Conversando com a Bia, eu descobri que o blog das BF's tem em média 4.000 acessos por dia. Agora já nem sei se ainda vale a pena dar uma pimpada no blog. Pensei em começar a publicar meus textos artísticos, colocar uma licença CC no blog, contratar alguém para melhorar a aparência e etc. Mas talvez seja um mal investimento... Será que algum dia terei mais de 50 acessos??
E se tiver? Isso vai surtir algum efeito no meu ego? Outra coisa que me fez repensar meu "plano de ação". Saber que existem "celebridades" da internet que tem seu próprio secto de seguidores, fãs muitas vezes acríticos. Isso dá um medo sim. O bom da internet, em certo ponto é essa relativa anônimidade. Algo que permitiria a circulação de opiniões livres de interesses econômicos em canais como blogs. Outro ponto positivo seria o acesso de pessoas que não pertencem a panelinha da elite cultural brasileira exprimir seu pensamento e por que não, seu viés artístico.
Mas parece que o perigo da midialização, no sentido que eu acabei de colocar, parece não ser algo longínquo.
Ou será que mais uma vez eu estou sendo ingênua e isso já aconteceu?
segunda-feira, 28 de maio de 2012
I really don't want to be social today
Eu duvido mesmo que exista a felicidade "propaganda de margarina". Quando falamos que somos felizes é uma análise quantitativa. Pegamos todos os momentos de nossas vidas, separamos os bons dos ruins e vemos qual está em maior número. Para a resposta afirmativa, "sim, eu sou feliz" temos maiores momentos felizes do que tristes.
Mas e os outros momentos? Porque não contabilizamos o tédio, a preguiça, o ócio, a raiva e as segundas feiras? Sim, porque segunda feira só é um dia feliz para quem acabou de arrumar um emprego. Para mim, segundas são como define Garfield.
Tirando as segundas feiras, eu seria mais feliz se as pessoas não me perguntassem isso. Sofremos de uma felicidade compulsória. Uma obrigação de dias ensolarados, famílias vestidas à moda propaganda OMO, cachorros pelo caramelo e casas. Coitados de nós mortais que estamos longe desse "sonho" obrigatório e que não somos felizes 24/7.
Como diria Raul: "macaco prego, carro, tobogã, eu acho tudo isso um saco!". Ser feliz demais também é um saco. Só sai musicas melosas, poemas concretos. Deus me livre! Tô cansada também desse ser pós-moderno que se entope de informação se absorver nada, sem notar o vazio. Preenchendo tudo com um "i" alguma coisa, quando na verdade é "Yep, I'm selfish!"
Não, eu não vou bem, obrigado. E não me encha o saco.
Mas e os outros momentos? Porque não contabilizamos o tédio, a preguiça, o ócio, a raiva e as segundas feiras? Sim, porque segunda feira só é um dia feliz para quem acabou de arrumar um emprego. Para mim, segundas são como define Garfield.
Tirando as segundas feiras, eu seria mais feliz se as pessoas não me perguntassem isso. Sofremos de uma felicidade compulsória. Uma obrigação de dias ensolarados, famílias vestidas à moda propaganda OMO, cachorros pelo caramelo e casas. Coitados de nós mortais que estamos longe desse "sonho" obrigatório e que não somos felizes 24/7.
Como diria Raul: "macaco prego, carro, tobogã, eu acho tudo isso um saco!". Ser feliz demais também é um saco. Só sai musicas melosas, poemas concretos. Deus me livre! Tô cansada também desse ser pós-moderno que se entope de informação se absorver nada, sem notar o vazio. Preenchendo tudo com um "i" alguma coisa, quando na verdade é "Yep, I'm selfish!"
Não, eu não vou bem, obrigado. E não me encha o saco.
quarta-feira, 7 de março de 2012
É impossível viver com menos de ...R$
Não é a primeira nem a última vez que escuto isso, mas acho que sempre vai me incomodar. Muita gente vem até mim e/ou até o meu marido reclamado de grana. Não sei exatamente porque despertamos nos outros a confiança para falarem de suas vidas financeiras, mas as vezes acho que é pena.
As pessoas vêm reclamar do preço dos imóveis, do aluguel e afins. Esperam um apoio para reclamar que dão como certo da nossa parte. É, realmente reclamamos e muito do preço das coisas aqui em Brasília, mas nossa lógica as vezes desconcerta a lógica típica brasiliense, como alguns leitores devem ter notado. Quem disse, por exemplo, que o único meio de declarar a independência dos pais é comprando um apartamento no Plano Piloto? Qual o problema de morar de aluguel?
Muitos respondem que o preço do aluguel é o preço de uma prestação. Claro, mas quanto você tem que dar de entrada para conseguir uma prestação equivalente à um aluguel? Você certamente não paga aluguel na casa dos seus pais, mas perde em maturidade (além de falta de vergonha na cara em obrigar seus pais a te sustentarem até os 40 anos). Mas parece ser bem mais vergonhoso morar de alugar num lugar mais ou menos do que viver com os pais.
Pagar aluguel num lugar melhor e não ter carro = MORTE. Quase ninguém da classe média da cidade entende essa lógica. NÃO HÁ VIDA SEM CARRO NA CAPITAL!!! Todos(?) são unanimes. "Como vocês fazem para ir pro barzinho?" Não sei o que mais choca, a pergunta ou a resposta "Quando o bar é perto, vamos à pé, quando é longe, vamos de carona e às vezes, de taxi". O preço da corrida não dá duas cervas. E se tivesse mais gente para rachar a corrida com a gente, saia ainda mais barato.
Mas a melhor de todas, é quando a conversa chega no ponto onde surge a "oportunidade" de animar o nosso interlocutor dizendo que o fato dele ganhar uma soma "x" por mês no momento, não implica que deva necessariamente pular da ponte, pois nós, com a metade (às vezes 1/3) sobrevivemos satisfatoriamente. É sempre o clímax do assunto. Quando chega esse ponto, até as pessoas da mesa que estavam em papos mais interessantes e acalorados se viram para nós com uma mistura de espanto e incredulidade no olhar. Outros nos olham como se fossem escutar a receita de um milagre, mas a maioria tem dentro de si, no momento da revelação, a idéia pré-concebida de que nós estamos falando um absurdo. Todos partilham depois de outro fenômeno, a negação. Alguns repetem 3 vezes para afastar a praga "É impossível, é impossível, é impossível!"
A afirmação é tanto unanime quanto categórica: é impossível viver como vivemos. É engraçado, pois eu e o Marcos vivemos a 4 anos assim e não temos nenhuma dívida. Devo acrescentar ainda que raramente pedimos dinheiro emprestado, e quando pedimos, pagamos. Nunca ficamos no vermelho desde que moramos juntos. As pessoas não entendem mesmo a diferença entre viver e viver de forma confortável. Nós não queremos dizer que todos devam ter o mesmo padrão de vida que temos. Mas ofende as vezes essa idéia pré concebida de noivado em Paris, casamento na mansão das águas e apartamento no Sudoeste que a maioria das pessoas aqui tem. (Aliás, noivar na festa da Laje é muito mais legal!).
É difícil pensar fora da casinha. Todo mundo sonha com uma propaganda de margarina, inclusive um golden retriever na casinha do jardim. Mas a vida é muito mais do que isso. Precisar mesmo, a gente só precisa de um lugar para dormir e ter o que comer. Se a sua felicidade se resume a ter um iphone 4, eu não posso afirmar, mas posso arriscar a dizer que tem algo de errado com seus valores e/ou prioridades. Se para ter filho você precisa de dinheiro para a babá, acho que começou pelo lado errado.
Mas voltando a afirmação do começo, é impossível viver com XR$ por mês, eu gostaria de lembrar que o salário mínimo são 600 e alguma coisa. E existem muitas famílias que vivem com menos do que isso. Quando eu escuto essa informação ou vejo a reação de algumas pessoas tenho vontade de perguntar "Você quer que eu não exista?"
Outras coisas passam pela minha cabeça quando vejo a incredulidade no rosto dos que afirmam que é impossível viver com x reais por mês. As vezes acham que eu devo uma explicação a essas pessoas. Elas parecem querer que eu diga que sou louca ou que estou completamente equivocada e enganada. Querem que eu me retrate. "Como é possível viver com x reais por mês e estar feliz?" Como não ter vergonha em ser da classe C? No fundo o que elas realmente pensam, eu acho, é "Você não tem vergonha de ser pobre?".
Deixa eu só acrescentar um parágrafo, antes de concluir meu texto. Vergonha a gente tem que ter de roubar, de explorar os outros, de desrespeitar as leis, de não ter educação, de se prostituir num emprego que não gosta só por causa do dinheiro. A gente nunca deve ter vergonha de viver com verdade.
Mas é engraçado, quase todos são unanimes em afirmar, dinheiro não traz felicidade.
As pessoas vêm reclamar do preço dos imóveis, do aluguel e afins. Esperam um apoio para reclamar que dão como certo da nossa parte. É, realmente reclamamos e muito do preço das coisas aqui em Brasília, mas nossa lógica as vezes desconcerta a lógica típica brasiliense, como alguns leitores devem ter notado. Quem disse, por exemplo, que o único meio de declarar a independência dos pais é comprando um apartamento no Plano Piloto? Qual o problema de morar de aluguel?
Muitos respondem que o preço do aluguel é o preço de uma prestação. Claro, mas quanto você tem que dar de entrada para conseguir uma prestação equivalente à um aluguel? Você certamente não paga aluguel na casa dos seus pais, mas perde em maturidade (além de falta de vergonha na cara em obrigar seus pais a te sustentarem até os 40 anos). Mas parece ser bem mais vergonhoso morar de alugar num lugar mais ou menos do que viver com os pais.
Pagar aluguel num lugar melhor e não ter carro = MORTE. Quase ninguém da classe média da cidade entende essa lógica. NÃO HÁ VIDA SEM CARRO NA CAPITAL!!! Todos(?) são unanimes. "Como vocês fazem para ir pro barzinho?" Não sei o que mais choca, a pergunta ou a resposta "Quando o bar é perto, vamos à pé, quando é longe, vamos de carona e às vezes, de taxi". O preço da corrida não dá duas cervas. E se tivesse mais gente para rachar a corrida com a gente, saia ainda mais barato.
Mas a melhor de todas, é quando a conversa chega no ponto onde surge a "oportunidade" de animar o nosso interlocutor dizendo que o fato dele ganhar uma soma "x" por mês no momento, não implica que deva necessariamente pular da ponte, pois nós, com a metade (às vezes 1/3) sobrevivemos satisfatoriamente. É sempre o clímax do assunto. Quando chega esse ponto, até as pessoas da mesa que estavam em papos mais interessantes e acalorados se viram para nós com uma mistura de espanto e incredulidade no olhar. Outros nos olham como se fossem escutar a receita de um milagre, mas a maioria tem dentro de si, no momento da revelação, a idéia pré-concebida de que nós estamos falando um absurdo. Todos partilham depois de outro fenômeno, a negação. Alguns repetem 3 vezes para afastar a praga "É impossível, é impossível, é impossível!"
A afirmação é tanto unanime quanto categórica: é impossível viver como vivemos. É engraçado, pois eu e o Marcos vivemos a 4 anos assim e não temos nenhuma dívida. Devo acrescentar ainda que raramente pedimos dinheiro emprestado, e quando pedimos, pagamos. Nunca ficamos no vermelho desde que moramos juntos. As pessoas não entendem mesmo a diferença entre viver e viver de forma confortável. Nós não queremos dizer que todos devam ter o mesmo padrão de vida que temos. Mas ofende as vezes essa idéia pré concebida de noivado em Paris, casamento na mansão das águas e apartamento no Sudoeste que a maioria das pessoas aqui tem. (Aliás, noivar na festa da Laje é muito mais legal!).
É difícil pensar fora da casinha. Todo mundo sonha com uma propaganda de margarina, inclusive um golden retriever na casinha do jardim. Mas a vida é muito mais do que isso. Precisar mesmo, a gente só precisa de um lugar para dormir e ter o que comer. Se a sua felicidade se resume a ter um iphone 4, eu não posso afirmar, mas posso arriscar a dizer que tem algo de errado com seus valores e/ou prioridades. Se para ter filho você precisa de dinheiro para a babá, acho que começou pelo lado errado.
Mas voltando a afirmação do começo, é impossível viver com XR$ por mês, eu gostaria de lembrar que o salário mínimo são 600 e alguma coisa. E existem muitas famílias que vivem com menos do que isso. Quando eu escuto essa informação ou vejo a reação de algumas pessoas tenho vontade de perguntar "Você quer que eu não exista?"
Outras coisas passam pela minha cabeça quando vejo a incredulidade no rosto dos que afirmam que é impossível viver com x reais por mês. As vezes acham que eu devo uma explicação a essas pessoas. Elas parecem querer que eu diga que sou louca ou que estou completamente equivocada e enganada. Querem que eu me retrate. "Como é possível viver com x reais por mês e estar feliz?" Como não ter vergonha em ser da classe C? No fundo o que elas realmente pensam, eu acho, é "Você não tem vergonha de ser pobre?".
Deixa eu só acrescentar um parágrafo, antes de concluir meu texto. Vergonha a gente tem que ter de roubar, de explorar os outros, de desrespeitar as leis, de não ter educação, de se prostituir num emprego que não gosta só por causa do dinheiro. A gente nunca deve ter vergonha de viver com verdade.
Mas é engraçado, quase todos são unanimes em afirmar, dinheiro não traz felicidade.
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Em matéria de sexo, elas tem o poder e eles sabem
O título do post não é tanto uma verdade quanto uma provocação. Sobre uma reportagem no CB, que foi meio en passant a respeito da liberdade sexual feminina. Me atenho ao seguinte ponto: porque os homens tem tanto medo da liberdade sexual feminina?
Aliás, esse sempre foi o meu ponto. O que tem demais uma mulher exercer sua sexualidade livremente? Procurar meios para saciar suas vontades?
A sexualidade masculina ainda se baseia em virilidade, quantidade e porque não dizer também individualidade. Talvez esse seja o conflito entre homens e mulheres. Se a sexualidade masculina se baseia nesses 3 pontos ela parte da premissa que a sexualidade feminina seja por conseguinte frágil, restrita e subalterna. Quer dizer, isso é o que conhecemos de longa data, mas nada quer dizer que a nova sexualidade feminina dê cabo da sexualidade masculina. Talvez ela precise ser, digamos, revista.
Por exemplo, o homem viril, no Brasil colonial, era aquele que tinha muitos filhos, tanto legítimos quanto bastardos. Essa virilidade se associava ainda com a quantidade. O homem tinha relações com várias mulheres, para poder apagar o seu "fogo", dar conta dele - quantidade. A individualidade é que muitas vezes esse homenzão, macho pacas, não queria nem saber se a mulher estava gostando ou não. O importante era satisfazer suas próprias necessidades. Além disso, as mulheres eram proibidas, entre outras coisas, de falar de sexo. O homem ficava então seguro de si pois não tinha ninguém para contradizê-lo. Digo verbalmente, pois as puladas de cerca são tão velhas quanto os próprios seres humanos. Freud que me desculpe, mas sim, as mulheres gostam de sexo. Mas naquela ocasião, não tinham como reinvindicar qualquer direito ao prazer. Além do mais, para que bater de frente com o patriarca? Mulheres traiam e escondiam. Talvez o coronel pudesse até defender sua própria honra (De que?...), mas os menos afortunados, tinham que aceitar filhos de botos, pregos, e outros mais.
Graças! Os tempos barbaros já eram! Hoje temos o divórcio, a quase extinção das práticas brutais em defesa da honra, a pílula, e a comercialização em larga escala de camisinhas. Mas ainda temos muitos pensamentos "saudosistas" em termos de sexualidade. Pois as mulheres ainda não podem exercer sua sexualidade livremente. E as amarras morais soam cada vez mais sem sentido, um apelo desesperado de homens que não sabem mais como "conversar" com as mulheres. Ou talvez, homens que não amem as mulheres, como bem caracteriza o livro de Stieg Larsson.
Sendo muito simplista, o que mais as mulheres tem medo em termos de sexualidade, de forma geral, é de ficarem mal faladas. É, minha gente, já diria Sartre, o inferno são os outros. Mas eu acho, e aqui é minha opinião pessoal, que as mulheres tem medo de ficarem mal faladas per si, mas sim de perderem o controle sobre si mesmas e sua liberdade individual. Nesse caso, posso citar o que aconteceu com a mulher que foi molestada na boate porque tinha tatuagem. Ah?? É, meu povo, isso está acontecendo! Ou por aquela, mais famosa, que teve seu braço quebrado em dois lugares porque o outro mala não gostou de levar um fora.
Parece que exercer sua sexualidade como bem enteder para a mulher significa, aos olhos dos homens (sei que não são todos, mas infelizmente parece que são muitos) não ser mais proprietária do seu próprio corpo. Estranho isso. Não parece ter muita lógica. Isso porque a sexualidade da mulher é vista ainda como algo a ser pertencido por algum homem, como diria Bourdieu, o valor simbólico de uma mulher é aquele que pode acrescer o valor do homem, ou o chamado vulgarmente de "mulher troféu". Se a mulher não tem um homem para "controlar" sua sexualidade, quer dizer que não é de ninguém, ou, que é de todo mundo. Um exemplo tosco dessa idéia pode ser visto aqui.
Outra coisa que podemos também inferir de tudo isso é que quando o cara fala mal de uma mulher (não posso dizer com toda propriedade, pois nunca participei dessas reuniões secretas), algo de presumível como uma traição ou uma decepção em algum aspecto aconteceu. Em suma, ou alguém não foi correspondido em termos amorosos e/ou sexuais. No caso do homem falar mal, podemos ainda dizer que ele pode estar querendo contar vantagem e preencher um daqueles pré-requisitos citados lá em cima, o da quantidade. Sim, pois na cabeça do cara, se ele "menosprezar" uma mulher com quem teve relações, digamos, íntimas, é sinal de que aquela mulher ou aquela relação é dispensável, e não faz falta. Pois outras virão para completar o "placar". Ou ainda aquele mais antigo, falar mal para parecer superior.
Então, porque será que existe essa falácia de que a mulher é quem escolhe o parceiro, ou tem o poder de ter sexo a hora que quiser? Diferentemente das passarinhas, que são agradadas com toda a espécie de mimo, a fêmea humana vem sofrendo de uma enorme carência de displays masculinos adaptados aos tempos modernos. Mas digamos que ainda, um pouquinho de "poder" sexual nos resta. Cuma? Isso porque toda sexualidade masculina se baseia naqueles pré-requisitos que citei lá em cima, então, por mais auto-suficientes que os homens possam parecer, eles atualmente se defrontam com algo nunca dantes imaginado: a crítica feminina. Pois se para mulher ser mal falada é um pesadelo, para o homem, além de ser ruim de cama, ele ainda pode ter o pênis pequeno, ejaculação precoce entre outras. E bom, embora as mulheres sejam, na maioria muito discretas para "difamar" um homem em público, digamos que as vezes, pode ser, que elas venham a alertar as amigas. Por isso, meus caros, em vez de aprederem a lutar "xuxixo" só para impressionar as gatinhas e ficar sem traquejo para conversar com elas e acabar quebrando o braço e acabando com a sorte, tente melhorar a qualidade do seu display, tanto social, quanto sexual.
Aliás, esse sempre foi o meu ponto. O que tem demais uma mulher exercer sua sexualidade livremente? Procurar meios para saciar suas vontades?
A sexualidade masculina ainda se baseia em virilidade, quantidade e porque não dizer também individualidade. Talvez esse seja o conflito entre homens e mulheres. Se a sexualidade masculina se baseia nesses 3 pontos ela parte da premissa que a sexualidade feminina seja por conseguinte frágil, restrita e subalterna. Quer dizer, isso é o que conhecemos de longa data, mas nada quer dizer que a nova sexualidade feminina dê cabo da sexualidade masculina. Talvez ela precise ser, digamos, revista.
Por exemplo, o homem viril, no Brasil colonial, era aquele que tinha muitos filhos, tanto legítimos quanto bastardos. Essa virilidade se associava ainda com a quantidade. O homem tinha relações com várias mulheres, para poder apagar o seu "fogo", dar conta dele - quantidade. A individualidade é que muitas vezes esse homenzão, macho pacas, não queria nem saber se a mulher estava gostando ou não. O importante era satisfazer suas próprias necessidades. Além disso, as mulheres eram proibidas, entre outras coisas, de falar de sexo. O homem ficava então seguro de si pois não tinha ninguém para contradizê-lo. Digo verbalmente, pois as puladas de cerca são tão velhas quanto os próprios seres humanos. Freud que me desculpe, mas sim, as mulheres gostam de sexo. Mas naquela ocasião, não tinham como reinvindicar qualquer direito ao prazer. Além do mais, para que bater de frente com o patriarca? Mulheres traiam e escondiam. Talvez o coronel pudesse até defender sua própria honra (De que?...), mas os menos afortunados, tinham que aceitar filhos de botos, pregos, e outros mais.
Graças! Os tempos barbaros já eram! Hoje temos o divórcio, a quase extinção das práticas brutais em defesa da honra, a pílula, e a comercialização em larga escala de camisinhas. Mas ainda temos muitos pensamentos "saudosistas" em termos de sexualidade. Pois as mulheres ainda não podem exercer sua sexualidade livremente. E as amarras morais soam cada vez mais sem sentido, um apelo desesperado de homens que não sabem mais como "conversar" com as mulheres. Ou talvez, homens que não amem as mulheres, como bem caracteriza o livro de Stieg Larsson.
Sendo muito simplista, o que mais as mulheres tem medo em termos de sexualidade, de forma geral, é de ficarem mal faladas. É, minha gente, já diria Sartre, o inferno são os outros. Mas eu acho, e aqui é minha opinião pessoal, que as mulheres tem medo de ficarem mal faladas per si, mas sim de perderem o controle sobre si mesmas e sua liberdade individual. Nesse caso, posso citar o que aconteceu com a mulher que foi molestada na boate porque tinha tatuagem. Ah?? É, meu povo, isso está acontecendo! Ou por aquela, mais famosa, que teve seu braço quebrado em dois lugares porque o outro mala não gostou de levar um fora.
Parece que exercer sua sexualidade como bem enteder para a mulher significa, aos olhos dos homens (sei que não são todos, mas infelizmente parece que são muitos) não ser mais proprietária do seu próprio corpo. Estranho isso. Não parece ter muita lógica. Isso porque a sexualidade da mulher é vista ainda como algo a ser pertencido por algum homem, como diria Bourdieu, o valor simbólico de uma mulher é aquele que pode acrescer o valor do homem, ou o chamado vulgarmente de "mulher troféu". Se a mulher não tem um homem para "controlar" sua sexualidade, quer dizer que não é de ninguém, ou, que é de todo mundo. Um exemplo tosco dessa idéia pode ser visto aqui.
Outra coisa que podemos também inferir de tudo isso é que quando o cara fala mal de uma mulher (não posso dizer com toda propriedade, pois nunca participei dessas reuniões secretas), algo de presumível como uma traição ou uma decepção em algum aspecto aconteceu. Em suma, ou alguém não foi correspondido em termos amorosos e/ou sexuais. No caso do homem falar mal, podemos ainda dizer que ele pode estar querendo contar vantagem e preencher um daqueles pré-requisitos citados lá em cima, o da quantidade. Sim, pois na cabeça do cara, se ele "menosprezar" uma mulher com quem teve relações, digamos, íntimas, é sinal de que aquela mulher ou aquela relação é dispensável, e não faz falta. Pois outras virão para completar o "placar". Ou ainda aquele mais antigo, falar mal para parecer superior.
Então, porque será que existe essa falácia de que a mulher é quem escolhe o parceiro, ou tem o poder de ter sexo a hora que quiser? Diferentemente das passarinhas, que são agradadas com toda a espécie de mimo, a fêmea humana vem sofrendo de uma enorme carência de displays masculinos adaptados aos tempos modernos. Mas digamos que ainda, um pouquinho de "poder" sexual nos resta. Cuma? Isso porque toda sexualidade masculina se baseia naqueles pré-requisitos que citei lá em cima, então, por mais auto-suficientes que os homens possam parecer, eles atualmente se defrontam com algo nunca dantes imaginado: a crítica feminina. Pois se para mulher ser mal falada é um pesadelo, para o homem, além de ser ruim de cama, ele ainda pode ter o pênis pequeno, ejaculação precoce entre outras. E bom, embora as mulheres sejam, na maioria muito discretas para "difamar" um homem em público, digamos que as vezes, pode ser, que elas venham a alertar as amigas. Por isso, meus caros, em vez de aprederem a lutar "xuxixo" só para impressionar as gatinhas e ficar sem traquejo para conversar com elas e acabar quebrando o braço e acabando com a sorte, tente melhorar a qualidade do seu display, tanto social, quanto sexual.
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Quanto vale uma boa educação?
Recentemente me chamou a atenção um comentário na reportagem da Folha da sub-síndica de um prédio da Vila Mariana em São Paulo sobre a educação dos condôminos. Na ocasião, houve uma confusão na frente do prédio pois um menor de idade que morava no prédio anunciou uma festa através de uma rede social e super lotou a cobertuda do local. "De acordo com a subsíndica, o fato de haver bebida para menores era inaceitável. "São jovens de escolas boas. E os pais pagam uma fortuna pra isso?", disse."
Eu fiquei me perguntando exatamente para que os pais desses jovens pagam uma fortuna. Alguém tem alguma idéia? Bom, talvez a primeira preocupação dos pais seja com a educação em si. As disciplinas, o conteúdo. Sim, pois eu não me lembro exatamente de nenhuma disciplina da grade curricular dizendo que os adolescentes não devam beber ou fazerem festas. Se pararmos para pensar, se o governo não tivesse tanto medo de ensinar um pouco sobre direito civil (ou constitucional) nas escolas isso até poderia ser discutido, afinal, o consumo de álcool no Brasil por menores de 18 é proíbido por lei. Mas isso não é matéria da escola. Pelo menos não fazia parte da grade curricular no meu tempo. Acho que agora existe sociologia, mas não sei que é o enfoque da matéria.
Mas o que mais me chamou a atenção foi a outra possível interpretação dessa frase. Aquela de que supõe-se que frequentar a escola, sendo uma escola cara, é sinônimo de boa educação. Eu lembro de minha mãe dizendo "boa educação vem de berço" como sinônimo de algo que se aprende em casa. Talvez educação agora seja outra coisa, não mais uma obrigação familiar. Parece que ter dinheiro para pagar a escola vai resolver o enorme encargo da família com a educação. Coitada dessa família, não sabe da missa a metade. Poucas são as escolas particulares empenhadas em algo além de aprovar seus alunos no vestibular. Senso crítico, cidadania, civilidade, meio ambiente? Alguém pode até responder que está dentro das "missões" da escola. Pode até estar escrito no Projeto Pedagógico, mas se a família participasse mais veria que no máximo, separa-se o lixo em algumas escolas.
O que se quer hoje, nessa educação lucrativa, são números, lucros e poucos dividendos. Paga-se para ter resultados. Esquece-se do caráter humano, pula-se etapas. Que adolescente já decidiu com 13, 14 anos o que quer da vida? Quantas crianças gostam mais de estudar do que de brincar? Eu gostava da subjetividade do ensino, de estimular o senso crítico, a multiplicidade. Mas o negócio agora é a resposta certa, é fazer pontos, o vestibular, o vestibular! Depois se aprende a viver, afinal de contas, brasileiro estudado, mora com os pais até os trinta, não vai ficar endividado.
Pensado que seus filhos serão educados pela escola, os pais de hoje talvez percebam o estrago e sejam mais "condenscendentes" com seus jovens adultos, mimando-os um pouquinho mais. Afinal, agora, aposentados, podemos dar a atenção que deveríamos ter dado antes,mas estávamos ocupados demais trabalhando, vendo televisão, para dar. Depois dizem que o estado é paternalista, que injustiça. Estranho que alguém esqueceu de avisar aos cursos de licenciatura para prepararem os professores para "educarem" os filhos dos outros. Estranho ainda é que hoje em dia os professores não tem mais quase nenhum poder ou respeito dentro de sala de aula, mas mesmo assim, vai tentar. Em meio ao seu cronograma apertado, cheio de informações entre compostos, logarítimos e machadianos, tentar atingir alguma das outras metas do suposto projeto pedagagatico. E se não der, que pena, fique só no conteúdo do vestibular mesmo, é mais imediato, entende?
E assim caminha a brasilidade: "estudando", repetindo e decorando, em nome de uma boa educação. Mas se o filho reprovar, a culpa nunca é dele não. Foi o professor que não cumpriu a meta, justa causa nele, então.
Eu fiquei me perguntando exatamente para que os pais desses jovens pagam uma fortuna. Alguém tem alguma idéia? Bom, talvez a primeira preocupação dos pais seja com a educação em si. As disciplinas, o conteúdo. Sim, pois eu não me lembro exatamente de nenhuma disciplina da grade curricular dizendo que os adolescentes não devam beber ou fazerem festas. Se pararmos para pensar, se o governo não tivesse tanto medo de ensinar um pouco sobre direito civil (ou constitucional) nas escolas isso até poderia ser discutido, afinal, o consumo de álcool no Brasil por menores de 18 é proíbido por lei. Mas isso não é matéria da escola. Pelo menos não fazia parte da grade curricular no meu tempo. Acho que agora existe sociologia, mas não sei que é o enfoque da matéria.
Mas o que mais me chamou a atenção foi a outra possível interpretação dessa frase. Aquela de que supõe-se que frequentar a escola, sendo uma escola cara, é sinônimo de boa educação. Eu lembro de minha mãe dizendo "boa educação vem de berço" como sinônimo de algo que se aprende em casa. Talvez educação agora seja outra coisa, não mais uma obrigação familiar. Parece que ter dinheiro para pagar a escola vai resolver o enorme encargo da família com a educação. Coitada dessa família, não sabe da missa a metade. Poucas são as escolas particulares empenhadas em algo além de aprovar seus alunos no vestibular. Senso crítico, cidadania, civilidade, meio ambiente? Alguém pode até responder que está dentro das "missões" da escola. Pode até estar escrito no Projeto Pedagógico, mas se a família participasse mais veria que no máximo, separa-se o lixo em algumas escolas.
O que se quer hoje, nessa educação lucrativa, são números, lucros e poucos dividendos. Paga-se para ter resultados. Esquece-se do caráter humano, pula-se etapas. Que adolescente já decidiu com 13, 14 anos o que quer da vida? Quantas crianças gostam mais de estudar do que de brincar? Eu gostava da subjetividade do ensino, de estimular o senso crítico, a multiplicidade. Mas o negócio agora é a resposta certa, é fazer pontos, o vestibular, o vestibular! Depois se aprende a viver, afinal de contas, brasileiro estudado, mora com os pais até os trinta, não vai ficar endividado.
Pensado que seus filhos serão educados pela escola, os pais de hoje talvez percebam o estrago e sejam mais "condenscendentes" com seus jovens adultos, mimando-os um pouquinho mais. Afinal, agora, aposentados, podemos dar a atenção que deveríamos ter dado antes,mas estávamos ocupados demais trabalhando, vendo televisão, para dar. Depois dizem que o estado é paternalista, que injustiça. Estranho que alguém esqueceu de avisar aos cursos de licenciatura para prepararem os professores para "educarem" os filhos dos outros. Estranho ainda é que hoje em dia os professores não tem mais quase nenhum poder ou respeito dentro de sala de aula, mas mesmo assim, vai tentar. Em meio ao seu cronograma apertado, cheio de informações entre compostos, logarítimos e machadianos, tentar atingir alguma das outras metas do suposto projeto pedagagatico. E se não der, que pena, fique só no conteúdo do vestibular mesmo, é mais imediato, entende?
E assim caminha a brasilidade: "estudando", repetindo e decorando, em nome de uma boa educação. Mas se o filho reprovar, a culpa nunca é dele não. Foi o professor que não cumpriu a meta, justa causa nele, então.
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
O golpe da barriga, ou a faca de dois gumes
Quem nunca ouviu alguma história sobre alguma mulher que engravidou para segurar o namorado? Recentemente com a notícia da pílula masculina algumas mulheres levantaram a questão: "E se o cara falar que tá tomando a pílula só para transar sem camisinha?"
Eu confesso que demorei um pouco para entender essa hipótese pois precisou entrar mais uma desculpa no meio de tantas que os caras já dão para transar com uma mulher sem camisinha. Pois eles já usam aquela do "eu só tenho vc na minha vida", ou "se vc me ama, confia em mim". E acreditem se quiser, até os caras que pegam mais de uma, mesmo quando as meninas já sabem, ainda usam a seguinte "mas eu só faço sem camisinha com vc". Agora acrescentamos mais essa ao repertório dos caras de pau "mas eu tô tomando pílula, vc não vai ficar grávida".
Vamos e convenhamos que não é tão ruim para o cara engravidar uma mulher. Se ele não quiser nem saber do filho ele pode, é moralmente e legalmente aceitável, contanto que pague uma parcela ridícula de seu salário para a mãe (que muitas vezes é vista como uma aproveitadora) e não dispense nenhum minuto de sua vida com carinho e atenção ao bebê/filhx/criança.
Porque a mulher é vista como uma aproveitadora? Voltemos ao famoso golpe da barriga. O que a mulher quer com isso? Um casamento, uma pensão? Vamos lá; caso a mulher engravide de um milhonário, vai ganhar uma pensão, gorda, talvez, mas não chega a ser grande coisa para o cara. Não lembro os números, mas ouve uma expeculação tempos atrás de que um jogador de futebol pagaria uma pensão de aproximadamente 45 mil reais para a ex com o filho. Muita gente chamou a mulher de aproveitadora, mas se esqueceu que o cara ganhava mais de 2 milhões por mês. Dentro desse quadro isso é pouco. Porque? Bom, primeiro porque se a mulher não cuidar do filho, provavelmente perde a pensão. Mas em se tratando de um milhonário, o cara não é obrigado a casar com a mulher, pode simplesmente "reparar" os danos. Se casou, é porque queria, não?
Mas e quando o cara não tem dinheiro, o que ele perde? É engraçado, mas a lógica do casamento por motivo de gravidez é sempre a da perda, e nunca a dos ganhos. Parece que o homem só perde, mas uma coisa que muita gente esquece de levar em consideração quando acha que uma mulher é golpista é que ela perde mais num casamento ocorrido nessas circunstâncias do que o homem. Por exemplo, acho que para uma mulher se enquadrar no termo golpista deve ser antes de tudo jovem. Se ela é jovem, está na idade de estudar, se formar, começar ou no começo da carreira de trabalho. Na maioria dos casos, quando ocorre esse "golpe" parece que fica acordado informalmente que o cara casa, mas a mulher cuida da criança. Isso implica, o marido primeiro, o filho segundo e a mulher por último. Consequentemente, muitas largam o estudo e/ou o trabalho pois sua principal obrigação é cuidar da casa e da criança. É uma espécie de dívida de gratidão. Só que o homem continua trabalhando e cedo ou tarde progride, afinal, tem uma esposa para cuidar de todo o resto. O homem só precisa trabalhar. Como a mulher não tem renda, tudo que o casal tem, por mais que a lei diga que é do casal, é visto socialmente como bem do homem pois foi ele quem comprou. Na hora do divórcio muita gente acha que a mulher não tem direito porque "não fez nada". Mas poucos são aqueles que contabilizam as perdas que a mulher teve porque casou nessas circunstâncias.
Eu acho, e aí posso estar falando uma baita besteira, que o golpe da barriga é um mal negócio para as mulheres e elas só percebem quando já estão casadas. Não acho porém que muitas mulheres façam isso de propósito. Algo do tipo maquiavélico "Tenho o plano perfeito, vou engravidar e ele será obrigado a casar e dividir seu patrimônio comigo, hahahah!" estilo vilã de novela da Globo. Acho que muitas são ingênuas a ponto de estarem bobocamente apaixonadas e pensam "se eu engravidar, ele vai, pelo menos, ficar perto de mim pra sempre". Algumas nem pensam em casamento ou em termos práticos. Afinal de contas, o que é uma adolescente apaixonada? Acho até que muitas meninas gostam tanto do cara que aceitam casar só para ficar junto do namoradinho e tomam resignadamente o papel de mãe e dona de casa como uma forma de agradecer o cara por eles terem se casado. Mas o que elas perdem? Uma liberdade que nunca tiveram, pois são ainda poucas as mulheres brasileiras que saem da casa dos pais para morarem sozinhas antes de se casarem. A juventude, não aquela que está aliada a beleza, mas aquela que te dá gaz para ter dois empregos, estudar e ainda ir para balada com as amigas na quinta-feira à noite (sem ter o braço quebrado por um mala, por favor). E independência, porque não dizer isso, pois ter o próprio dinheiro te deixa livre, por exemplo, para comprar aquela coisa super inútil e super cara que vc quer sem ter que dar satisfação para ninguém.
Tem uma lógica maquiavélica por trás desse "golpe da barriga". Sempre parece que o homem é aquele cara livre com um futuro brilhante que foi brutalmente interrompido pela aproveitadora que engravidou dele de propósito. Até parece que o cara não sabia das consequências de se fazer sexo sem camisinha. Eu não sei, mas chego a pensar que esse golpe seja mais praticado por homens do que por mulheres. Algo que o cara pensa "Eu quero sair da casa da minha mãe, mas ainda quero ter alguém para cozinhar pra mim e lavar a minha roupa. Hum, ter um filho também parece legal. Ah, bora casar então". E o melhor é que a sociedade ainda tá do lado do cara, então é como fazer a arte e ainda sair por cima.
Sabe o que isso me diz? Que tem alguém achando que as mulheres tem controle total de seu aparelho reprodutivo. Eu nunca soube quando estava ovulando ou não. E olha, vou contar um segredo. Os sintomas pré-menstruais são muito parecidos com os da gravidez porque vc incha, se sente casada, indisposta, algumas mulheres enjoam... Olha que sacanagem, a gente achando que tá pra ficar menstruada e de repende descobre que tá grávida. Mas enfim, as coisas não são bem assim, a responsabilidade de evitar o filho é dos dois. Então, se o cara transou sem camisinha porque a mulher disse que estava tomando pílula e ela engravidou, ele também tem culpa. Afinal, a pílula não é 100% infalível e a mulher não é 100% responsável. Ela pode esquecer. Mas parece que esquecimento nesse caso é proposital, né.
Por outro lado, se a pílula masculina sair mesmo e se os caras começarem a usar será que vai ter algum aproveitador deixando de usar só para engravidar uma mulher? Ou será que a história não vai continuar a mesma e a culpada vai continuar sendo a mulher que acreditou no cara e, de novo, engravidou porque quis?
Por fim, o que eu acho da pílula masculina: demorou! Mas, mulheres, continuem usando métodos contraceptivos e camisinha, afinal, o filho é o menor dos males. Você pode acabar casando com um aproveitador.
Eu confesso que demorei um pouco para entender essa hipótese pois precisou entrar mais uma desculpa no meio de tantas que os caras já dão para transar com uma mulher sem camisinha. Pois eles já usam aquela do "eu só tenho vc na minha vida", ou "se vc me ama, confia em mim". E acreditem se quiser, até os caras que pegam mais de uma, mesmo quando as meninas já sabem, ainda usam a seguinte "mas eu só faço sem camisinha com vc". Agora acrescentamos mais essa ao repertório dos caras de pau "mas eu tô tomando pílula, vc não vai ficar grávida".
Vamos e convenhamos que não é tão ruim para o cara engravidar uma mulher. Se ele não quiser nem saber do filho ele pode, é moralmente e legalmente aceitável, contanto que pague uma parcela ridícula de seu salário para a mãe (que muitas vezes é vista como uma aproveitadora) e não dispense nenhum minuto de sua vida com carinho e atenção ao bebê/filhx/criança.
Porque a mulher é vista como uma aproveitadora? Voltemos ao famoso golpe da barriga. O que a mulher quer com isso? Um casamento, uma pensão? Vamos lá; caso a mulher engravide de um milhonário, vai ganhar uma pensão, gorda, talvez, mas não chega a ser grande coisa para o cara. Não lembro os números, mas ouve uma expeculação tempos atrás de que um jogador de futebol pagaria uma pensão de aproximadamente 45 mil reais para a ex com o filho. Muita gente chamou a mulher de aproveitadora, mas se esqueceu que o cara ganhava mais de 2 milhões por mês. Dentro desse quadro isso é pouco. Porque? Bom, primeiro porque se a mulher não cuidar do filho, provavelmente perde a pensão. Mas em se tratando de um milhonário, o cara não é obrigado a casar com a mulher, pode simplesmente "reparar" os danos. Se casou, é porque queria, não?
Mas e quando o cara não tem dinheiro, o que ele perde? É engraçado, mas a lógica do casamento por motivo de gravidez é sempre a da perda, e nunca a dos ganhos. Parece que o homem só perde, mas uma coisa que muita gente esquece de levar em consideração quando acha que uma mulher é golpista é que ela perde mais num casamento ocorrido nessas circunstâncias do que o homem. Por exemplo, acho que para uma mulher se enquadrar no termo golpista deve ser antes de tudo jovem. Se ela é jovem, está na idade de estudar, se formar, começar ou no começo da carreira de trabalho. Na maioria dos casos, quando ocorre esse "golpe" parece que fica acordado informalmente que o cara casa, mas a mulher cuida da criança. Isso implica, o marido primeiro, o filho segundo e a mulher por último. Consequentemente, muitas largam o estudo e/ou o trabalho pois sua principal obrigação é cuidar da casa e da criança. É uma espécie de dívida de gratidão. Só que o homem continua trabalhando e cedo ou tarde progride, afinal, tem uma esposa para cuidar de todo o resto. O homem só precisa trabalhar. Como a mulher não tem renda, tudo que o casal tem, por mais que a lei diga que é do casal, é visto socialmente como bem do homem pois foi ele quem comprou. Na hora do divórcio muita gente acha que a mulher não tem direito porque "não fez nada". Mas poucos são aqueles que contabilizam as perdas que a mulher teve porque casou nessas circunstâncias.
Eu acho, e aí posso estar falando uma baita besteira, que o golpe da barriga é um mal negócio para as mulheres e elas só percebem quando já estão casadas. Não acho porém que muitas mulheres façam isso de propósito. Algo do tipo maquiavélico "Tenho o plano perfeito, vou engravidar e ele será obrigado a casar e dividir seu patrimônio comigo, hahahah!" estilo vilã de novela da Globo. Acho que muitas são ingênuas a ponto de estarem bobocamente apaixonadas e pensam "se eu engravidar, ele vai, pelo menos, ficar perto de mim pra sempre". Algumas nem pensam em casamento ou em termos práticos. Afinal de contas, o que é uma adolescente apaixonada? Acho até que muitas meninas gostam tanto do cara que aceitam casar só para ficar junto do namoradinho e tomam resignadamente o papel de mãe e dona de casa como uma forma de agradecer o cara por eles terem se casado. Mas o que elas perdem? Uma liberdade que nunca tiveram, pois são ainda poucas as mulheres brasileiras que saem da casa dos pais para morarem sozinhas antes de se casarem. A juventude, não aquela que está aliada a beleza, mas aquela que te dá gaz para ter dois empregos, estudar e ainda ir para balada com as amigas na quinta-feira à noite (sem ter o braço quebrado por um mala, por favor). E independência, porque não dizer isso, pois ter o próprio dinheiro te deixa livre, por exemplo, para comprar aquela coisa super inútil e super cara que vc quer sem ter que dar satisfação para ninguém.
Tem uma lógica maquiavélica por trás desse "golpe da barriga". Sempre parece que o homem é aquele cara livre com um futuro brilhante que foi brutalmente interrompido pela aproveitadora que engravidou dele de propósito. Até parece que o cara não sabia das consequências de se fazer sexo sem camisinha. Eu não sei, mas chego a pensar que esse golpe seja mais praticado por homens do que por mulheres. Algo que o cara pensa "Eu quero sair da casa da minha mãe, mas ainda quero ter alguém para cozinhar pra mim e lavar a minha roupa. Hum, ter um filho também parece legal. Ah, bora casar então". E o melhor é que a sociedade ainda tá do lado do cara, então é como fazer a arte e ainda sair por cima.
Sabe o que isso me diz? Que tem alguém achando que as mulheres tem controle total de seu aparelho reprodutivo. Eu nunca soube quando estava ovulando ou não. E olha, vou contar um segredo. Os sintomas pré-menstruais são muito parecidos com os da gravidez porque vc incha, se sente casada, indisposta, algumas mulheres enjoam... Olha que sacanagem, a gente achando que tá pra ficar menstruada e de repende descobre que tá grávida. Mas enfim, as coisas não são bem assim, a responsabilidade de evitar o filho é dos dois. Então, se o cara transou sem camisinha porque a mulher disse que estava tomando pílula e ela engravidou, ele também tem culpa. Afinal, a pílula não é 100% infalível e a mulher não é 100% responsável. Ela pode esquecer. Mas parece que esquecimento nesse caso é proposital, né.
Por outro lado, se a pílula masculina sair mesmo e se os caras começarem a usar será que vai ter algum aproveitador deixando de usar só para engravidar uma mulher? Ou será que a história não vai continuar a mesma e a culpada vai continuar sendo a mulher que acreditou no cara e, de novo, engravidou porque quis?
Por fim, o que eu acho da pílula masculina: demorou! Mas, mulheres, continuem usando métodos contraceptivos e camisinha, afinal, o filho é o menor dos males. Você pode acabar casando com um aproveitador.
domingo, 16 de outubro de 2011
Gisele Bünchen e a campanha da Hope
Dentro da enorme discussão que gerou a propaganda da Hope onde Gisele Bünchen aparece ensinando mulheres a explorarem seus maridos com a lingerie da marca aparece outro ponto que merece ser observado além do estímulo ao consumismo feminino. Esse ponto é um dos pontos cruciais do feminismo atual: afimar sua importância. Muitos ainda tentam dizer que o feminismo é uma luta ultrapassada, mesmo sabendo dos números alarmantes de violência doméstica. Propagandas como essas da Hope fazem com que feministas do mundo inteiro fiquem de cabelo em pé. Ao brincar com a relação de marido e mulher a empresa colocou de forma irônica algo muito perigoso. No comercial fica evidente quem manda e o que a pobre loira sensual tenta fazer e trocar seu sexo e seu corpo por um poder de barganha.
O comercial tenta passar isso de modo divertido, mas é deprimente. Imagine numa situação real essa mulher seria totalmente dependente do marido não tendo voz nenhuma para dialogar. Porque ela quer que o marido não se zangue? Na realidade de muitas mulheres, desagradar o marido significa apanhar. E, bom, sejamos francos, muitas mulheres da high society apanham mesmo sendo maravilhosas, gostosas e usarem chanel. Elas apanham caladas pois muitas delas casaram para terem uma vida melhor. Não é isso que a nossa sociedade vende? Que dinheiro é tudo? Então, quando uma mulher que tem dinheiro apanha do marido rico tem que ficar calada.
Muitas mães ensinam suas filhas que um bom partido é um cara que tenha dinheiro acima de tudo. Isso é uma prostituição assistida. Mas o que me irrita na questão da propaganda é muitos tentam atacar apenas a Gisele. Não podemos ataca-lá, pois isso é o que ela sabe fazer, vender a imagem. Falando assim parece pesado, mas se analisarmos que o trabalho de modelo consiste em vender apenas a imagem feminina (e do corpo feminino) preenchida de significados pelos discursos patriarcais, podemos encarar, se não como uma prostituição, uma exploração em muitos sentidos, sexual. Para maiores informações, sugiro que assitam esse documentário. Sim, pois ela não está passando a imagem de uma pessoa que é independente e dona de si. Não dá nem um pouco para pensar naquela situação como uma brincadeira entre casais. Aquilo é humilhante. E o mais "irônico" é uma mulher, com toda a fama e dinheiro que tem ainda ficar fazendo campanhas sexistas vendendo a imagem de uma mulher que precisa "agradar" o marido para poder ter dinheiro.
Isso acontece porque as mulheres não são autorizadas pelos discursos econômicos a falarem por si próprias. O corpo feminino é objeto do discurso médico, comercial, mas quem fala nessas instâncias é sempre o homem. Gisele estava apenas seguindo um roteiro que passaram para ela. Mas quem escreveu? Aposto que se perguntarem para ela porque usar a lingerie ela vai dizer tudo, menos isso. Se perguntassem sobre a lingerie, as mulheres responderiam, confortável e básica pois combina com qq roupa e não marca. É isso que uma mulher quer de uma lingerie e não perdão do marido. Até porque a Hope não fabrica lingeries sexys. Se realmente perguntassem para as mulheres porque usamos alguma coisa, as propagandas seriam muito diferentes. Por exemplo, as de absorvente que colocam uma mulher andando maravilhosa, feliz e contente com um vestido branco arrancando olhares dos homens por onde passa porque pode confiar que seu absorvente não vai vazar é ridícula. O que mulher quase nunca quer ter que passar durante a menstruação é uma cantada idiota. No meio das preocupações do dia a dia a gente quer, pelo menos, não se preocupar com o absorvente.
Eu não acho que o humor deve ser ofensivo. Existe muito humor inteligente, aquele que ofende é simplório, coisa de quem não consegue ler um texto com mais de 140 palavras e faz pose de intelectual. Não concordo com a defensivas à propaganda. E bom, se me perguntarem o que eu acho de uma mulher que defende esse tipo de "humor" eu digo que ela é uma idiota, que não sabe que está sendo ofendida. Mas porque ainda existem mulheres que agem dessa forma? Será que é mesmo necessário se encaixar no rótulo de "feminista" par se incomodar com o comercial?
O comercial tenta passar isso de modo divertido, mas é deprimente. Imagine numa situação real essa mulher seria totalmente dependente do marido não tendo voz nenhuma para dialogar. Porque ela quer que o marido não se zangue? Na realidade de muitas mulheres, desagradar o marido significa apanhar. E, bom, sejamos francos, muitas mulheres da high society apanham mesmo sendo maravilhosas, gostosas e usarem chanel. Elas apanham caladas pois muitas delas casaram para terem uma vida melhor. Não é isso que a nossa sociedade vende? Que dinheiro é tudo? Então, quando uma mulher que tem dinheiro apanha do marido rico tem que ficar calada.
Muitas mães ensinam suas filhas que um bom partido é um cara que tenha dinheiro acima de tudo. Isso é uma prostituição assistida. Mas o que me irrita na questão da propaganda é muitos tentam atacar apenas a Gisele. Não podemos ataca-lá, pois isso é o que ela sabe fazer, vender a imagem. Falando assim parece pesado, mas se analisarmos que o trabalho de modelo consiste em vender apenas a imagem feminina (e do corpo feminino) preenchida de significados pelos discursos patriarcais, podemos encarar, se não como uma prostituição, uma exploração em muitos sentidos, sexual. Para maiores informações, sugiro que assitam esse documentário. Sim, pois ela não está passando a imagem de uma pessoa que é independente e dona de si. Não dá nem um pouco para pensar naquela situação como uma brincadeira entre casais. Aquilo é humilhante. E o mais "irônico" é uma mulher, com toda a fama e dinheiro que tem ainda ficar fazendo campanhas sexistas vendendo a imagem de uma mulher que precisa "agradar" o marido para poder ter dinheiro.
Isso acontece porque as mulheres não são autorizadas pelos discursos econômicos a falarem por si próprias. O corpo feminino é objeto do discurso médico, comercial, mas quem fala nessas instâncias é sempre o homem. Gisele estava apenas seguindo um roteiro que passaram para ela. Mas quem escreveu? Aposto que se perguntarem para ela porque usar a lingerie ela vai dizer tudo, menos isso. Se perguntassem sobre a lingerie, as mulheres responderiam, confortável e básica pois combina com qq roupa e não marca. É isso que uma mulher quer de uma lingerie e não perdão do marido. Até porque a Hope não fabrica lingeries sexys. Se realmente perguntassem para as mulheres porque usamos alguma coisa, as propagandas seriam muito diferentes. Por exemplo, as de absorvente que colocam uma mulher andando maravilhosa, feliz e contente com um vestido branco arrancando olhares dos homens por onde passa porque pode confiar que seu absorvente não vai vazar é ridícula. O que mulher quase nunca quer ter que passar durante a menstruação é uma cantada idiota. No meio das preocupações do dia a dia a gente quer, pelo menos, não se preocupar com o absorvente.
Eu não acho que o humor deve ser ofensivo. Existe muito humor inteligente, aquele que ofende é simplório, coisa de quem não consegue ler um texto com mais de 140 palavras e faz pose de intelectual. Não concordo com a defensivas à propaganda. E bom, se me perguntarem o que eu acho de uma mulher que defende esse tipo de "humor" eu digo que ela é uma idiota, que não sabe que está sendo ofendida. Mas porque ainda existem mulheres que agem dessa forma? Será que é mesmo necessário se encaixar no rótulo de "feminista" par se incomodar com o comercial?
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Os dilemas da vida adulta
Eu lembro muito de minhas reflexões adolescentes. Outro dia estava escutando Raul Seixas e lembrando o quanto as músicas dele me tocavam. O que eu mais queria era sair da aba dos meus pais, ou usar meu "sapato 37". A minha vida se resumia a técnicas para alcançar esse objetivo. Eu pensava que uma lambreta e um apê alugado seriam minha felicidade eterna. Eu tinha planos apenas para esse estágio. Agora estou reescrevendo meus sonhos. E isso leva tempo para sair da bruma dos pensamentos e tomar forma.
Hoje me dei conta que passei muito tempo no mesmo caminho, tentando apenas conquistar minha independência. Muitas vezes ouço os sonhos das minhas amigas e tento me lembrar se algum dia sonhei com algo assim. E até certo ponto fico feliz em perceber que ganhei da vida muito mais do que esperava. Por muitas razões, que não vou explicar aqui, achei que era incapaz de amar e ser amada. Sempre respondia quando me perguntavam se eu queria casar e ter filhos que apenas o faria se encontrasse a pessoa perfeita, mas caso isso não acontecesse eu seria feliz com minha vida e talvez comprasse um gato para me fazer companhia.
Não era egoísmo da minha parte, mas nunca sonhei com meu casamento ou com meus filhos. Acho que de certa forma eu tentava provar, assim como a Carie Bradshaw, que era possível ser feliz solteira. E eu fui, até meus 20 e poucos (sou péssima com datas...). Hoje sou muito feliz casada e não sei se vou seguir o script tradicional. Acho que até hoje eu não sigo. De uma certa forma eu casar foi mais do que inesperado, tanto para mim quanto para todos que me conhecem bem. Talvez fosse o contrário, todos esparassem que eu seguisse o "destino" de toda mulher... Mas o fato é que, como já diria Peter Pan, "nunca diga nunca". Afinal, eu achei que nunca fosse ser feminista, e cá estou eu.
Ninguém tem obrigação de fazer o que a sociedade ou a família espera que façamos. Não devemos perseguir sonhos que não são nossos. E hoje em dia eu acho que muita gente põe o carro na frente dos bois. Não acho que casar muito novo ou constuir família jovem demais é uma boa idéia. Se por um lado se tem juventude, por esse mesmo lado juventude significa imaturidade. E fazer as coisas na pressa não dá tempo para pensar se é isso mesmo que queremos para o nosso futuro. Quem nunca morou sozinho não tem idéia do quanto cuidar de uma casa dá trabalho.
Não acho que eu sigo exatamente a prescrição de vida de toda a mulher. Acho que as mulheres podem ser o que quiserem. E não me vejo como apenas um apêndice ao lado do nome do meu marido. Aliás, as vezes fico puta em saber que se por um lado é mais prático ser formalmente casada, por outro é um tanto quanto sacal. O casal, para a justiça, é uma pessoa incompleta, afinal para tudo que um faz, o outro precisa assinar. Gostaria que fosse como na Suécia, onde para o governo e para Receita Federal o casal são pessoas independentes vivendo juntas e como elas se organizam, se pagam ou não as contas, se compram um carro sem contar para o parceiro, é problema delas. E também não é apenas porque me casei que fiquei "careta" ou "old school", ou que eu vá fazer exatamente o que querem que eu faça, afinal se cada pessoa é um universo, um casal são dois universos gerando um universo paralelo.
Hoje não tenho sonhos definidos, sei mais ou menos em que direção eles vão, mas não vou cometer o erro de sonhar colorido demais, afinal, é sempre bom deixar uma brecha para as boas surpresas da vida (porque as más vem sem serem convidadas).
Hoje me dei conta que passei muito tempo no mesmo caminho, tentando apenas conquistar minha independência. Muitas vezes ouço os sonhos das minhas amigas e tento me lembrar se algum dia sonhei com algo assim. E até certo ponto fico feliz em perceber que ganhei da vida muito mais do que esperava. Por muitas razões, que não vou explicar aqui, achei que era incapaz de amar e ser amada. Sempre respondia quando me perguntavam se eu queria casar e ter filhos que apenas o faria se encontrasse a pessoa perfeita, mas caso isso não acontecesse eu seria feliz com minha vida e talvez comprasse um gato para me fazer companhia.
Não era egoísmo da minha parte, mas nunca sonhei com meu casamento ou com meus filhos. Acho que de certa forma eu tentava provar, assim como a Carie Bradshaw, que era possível ser feliz solteira. E eu fui, até meus 20 e poucos (sou péssima com datas...). Hoje sou muito feliz casada e não sei se vou seguir o script tradicional. Acho que até hoje eu não sigo. De uma certa forma eu casar foi mais do que inesperado, tanto para mim quanto para todos que me conhecem bem. Talvez fosse o contrário, todos esparassem que eu seguisse o "destino" de toda mulher... Mas o fato é que, como já diria Peter Pan, "nunca diga nunca". Afinal, eu achei que nunca fosse ser feminista, e cá estou eu.
Ninguém tem obrigação de fazer o que a sociedade ou a família espera que façamos. Não devemos perseguir sonhos que não são nossos. E hoje em dia eu acho que muita gente põe o carro na frente dos bois. Não acho que casar muito novo ou constuir família jovem demais é uma boa idéia. Se por um lado se tem juventude, por esse mesmo lado juventude significa imaturidade. E fazer as coisas na pressa não dá tempo para pensar se é isso mesmo que queremos para o nosso futuro. Quem nunca morou sozinho não tem idéia do quanto cuidar de uma casa dá trabalho.
Não acho que eu sigo exatamente a prescrição de vida de toda a mulher. Acho que as mulheres podem ser o que quiserem. E não me vejo como apenas um apêndice ao lado do nome do meu marido. Aliás, as vezes fico puta em saber que se por um lado é mais prático ser formalmente casada, por outro é um tanto quanto sacal. O casal, para a justiça, é uma pessoa incompleta, afinal para tudo que um faz, o outro precisa assinar. Gostaria que fosse como na Suécia, onde para o governo e para Receita Federal o casal são pessoas independentes vivendo juntas e como elas se organizam, se pagam ou não as contas, se compram um carro sem contar para o parceiro, é problema delas. E também não é apenas porque me casei que fiquei "careta" ou "old school", ou que eu vá fazer exatamente o que querem que eu faça, afinal se cada pessoa é um universo, um casal são dois universos gerando um universo paralelo.
Hoje não tenho sonhos definidos, sei mais ou menos em que direção eles vão, mas não vou cometer o erro de sonhar colorido demais, afinal, é sempre bom deixar uma brecha para as boas surpresas da vida (porque as más vem sem serem convidadas).
terça-feira, 16 de agosto de 2011
A distância e a dimensão das coisas
É até uma questão de ótica, afinal, quanto mais distante vc está de um objeto, menor ele lhe parece. Um pouco diferente, entretanto, se passa com os eventos que se passam na sua terra natal.
Eu me lembro, por exemplo, de quando viajei para fora do país pela primeira vez. Eu não consegui me manter em contato com Brasil por diversos motivos. Um deles foi o fuso horário. Nunca conseguia achar meus pais em casa. Depois, a "praticidade" da telefonia nacional: um cartão internacional que de tão fácil de usar vem com uma tabela de códigos e números. E por fim, quando meus créditos acabaram, eu tive a feliz surpresa de descobrir que o telefone da minha mãe tava cortado e por isso, por mais que eu quisesse, não poderia fazer um DDI a cobrar.
Felizmente de oito anos para cá, a telefonia melhorou bastante (mas ainda acho que no Brasil, o quesito atendimento e respeito ao cliente precisa melhorar bastante). Os celulares ficaram mais úteis (e eu não estou falando apenas da agenda telefónica e do alarme), eles tem 3G. Temos também o skype, a internet... Entretanto, mesmo com todos esses melhoramentos, as pessoas mais "experientes" ainda tem problemas em se relacionar com a tecnologia. A meu ver, a tecnologia está longe de ser simples. Mas eenfim, falar com a minha mãe, por exemplo, é um desafio. Na maior parte das vezes não estamos on-line ao mesmo tempo. Outras eu tento ligar para casa de mamis, e ela não está. Outro dia liguei no celular e fui confundida com a minha irmãzinha. Ainda bem, pois fiquei com medo dela achar que era eu mesmo e levar um susto. Sabe como é gente velha com susto, pode acabar mal.
Outras vezes o problema é simplesmente meias palavras. Recebo notícias da pessoa mais distraída que conheço, minha velha. Sabe quando dizem que os homens fazem a gente repetir as coisas pelo menos duas vezes antes deles realmente escutarem? Bom, a minha mãe simplesmente leva anos para escutar algo. Eu passei um ano inteiro repetindo meu horário de trabalho (pq dava aula 2 vezes por semana à noite) e toda vez que ia sair de casa para o trabalho, levava uma bronca do tipo "Onde vc pensa que vai, mocinha?" E eu dizia "Para o trabalho, como todas terças e quintas"... Isso durante um ano e ela não conseguiu pegar. Passei um ano faltando os almoços de família no sábado porque estava estudando inglês e ela simplesmente ficou surpresa em descobrir que converso com meus amigos aqui na Suécia em inglês. Bom, acho que deu pra sentir o que é uma mãe com DDA.
Ou seja, a distância, a diferença de fuso horário e a minha mãe como informante, não me deixam mais certa a respeito do que está acontecendo no Brasil, especialmente com minha família. Nesse caso, me desculpem os otimistas, mas quanto mais longe estou de um objeto, sempre imagino que ele é maior do que realmente é. Penso logo que estão me escondendo algo e que tem algo de muito podre no reino da Brasilândia. Enfim, eu passei uma semana achando que alguém da minha família ia morrer assassinado porque mamãe não conseguiu me passar uma notícia direito. E olha que toda vez que eu ligava, perguntava por mais informações. A única vez que ela tinha mais que uma frase para me contar a respeito do assunto, esqueceu de mencionar que já estava TUDO RESOLVIDO e TODO MUNDO PASSA BEM! Mãe, isso não é legal, viu? Ou fala direito, ou não me conta nada. hunf!
Eu me lembro, por exemplo, de quando viajei para fora do país pela primeira vez. Eu não consegui me manter em contato com Brasil por diversos motivos. Um deles foi o fuso horário. Nunca conseguia achar meus pais em casa. Depois, a "praticidade" da telefonia nacional: um cartão internacional que de tão fácil de usar vem com uma tabela de códigos e números. E por fim, quando meus créditos acabaram, eu tive a feliz surpresa de descobrir que o telefone da minha mãe tava cortado e por isso, por mais que eu quisesse, não poderia fazer um DDI a cobrar.
Felizmente de oito anos para cá, a telefonia melhorou bastante (mas ainda acho que no Brasil, o quesito atendimento e respeito ao cliente precisa melhorar bastante). Os celulares ficaram mais úteis (e eu não estou falando apenas da agenda telefónica e do alarme), eles tem 3G. Temos também o skype, a internet... Entretanto, mesmo com todos esses melhoramentos, as pessoas mais "experientes" ainda tem problemas em se relacionar com a tecnologia. A meu ver, a tecnologia está longe de ser simples. Mas eenfim, falar com a minha mãe, por exemplo, é um desafio. Na maior parte das vezes não estamos on-line ao mesmo tempo. Outras eu tento ligar para casa de mamis, e ela não está. Outro dia liguei no celular e fui confundida com a minha irmãzinha. Ainda bem, pois fiquei com medo dela achar que era eu mesmo e levar um susto. Sabe como é gente velha com susto, pode acabar mal.
Outras vezes o problema é simplesmente meias palavras. Recebo notícias da pessoa mais distraída que conheço, minha velha. Sabe quando dizem que os homens fazem a gente repetir as coisas pelo menos duas vezes antes deles realmente escutarem? Bom, a minha mãe simplesmente leva anos para escutar algo. Eu passei um ano inteiro repetindo meu horário de trabalho (pq dava aula 2 vezes por semana à noite) e toda vez que ia sair de casa para o trabalho, levava uma bronca do tipo "Onde vc pensa que vai, mocinha?" E eu dizia "Para o trabalho, como todas terças e quintas"... Isso durante um ano e ela não conseguiu pegar. Passei um ano faltando os almoços de família no sábado porque estava estudando inglês e ela simplesmente ficou surpresa em descobrir que converso com meus amigos aqui na Suécia em inglês. Bom, acho que deu pra sentir o que é uma mãe com DDA.
Ou seja, a distância, a diferença de fuso horário e a minha mãe como informante, não me deixam mais certa a respeito do que está acontecendo no Brasil, especialmente com minha família. Nesse caso, me desculpem os otimistas, mas quanto mais longe estou de um objeto, sempre imagino que ele é maior do que realmente é. Penso logo que estão me escondendo algo e que tem algo de muito podre no reino da Brasilândia. Enfim, eu passei uma semana achando que alguém da minha família ia morrer assassinado porque mamãe não conseguiu me passar uma notícia direito. E olha que toda vez que eu ligava, perguntava por mais informações. A única vez que ela tinha mais que uma frase para me contar a respeito do assunto, esqueceu de mencionar que já estava TUDO RESOLVIDO e TODO MUNDO PASSA BEM! Mãe, isso não é legal, viu? Ou fala direito, ou não me conta nada. hunf!
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
@ corn@ burr@
Existe um programa na televisão americana que persegue pessoas supostamente infiéis e promovem uma lavagem de roupa suja em cadeia internacional entre o traidor, o traído e o amante. Eu de vez em quando dou uma espiada, afinal, quem não gosta de ver um barraco de vez em quando?
Mas em todos os episódios, uma coisa me chamou a atenção. O ódio pela traição recaí em 95% dos casos, em cima do amante. Os traídos vão para cima dele com tudo e tem que ser segurados pela produção do programa. Mesmo sabendo que o programa faz um pouco de vista grossa para agressões contra o traidor, a maioria dos traídos quer mesmo é tirar satisfações com o amante.
Esse comportamento não é esclusividade norte-americano. Lembro que dos muitos casos que conheço de mulheres que são "trocadas", a culpa de toda a sua de sua má sorte cai na "bandida". Além do velho mito do machão que mata o "cabra safado" e a mulher "mardita". Eu, particularmente, acho que a traição é algo um pouquinho mais complicado do que apenas uma terceira pessoa mal intencionada que quer "roubar" o seu homem (ou mulher). Para falar a verdade, muitas vezes é absolutamente o contrário. A questão é que se um não quer, dois não brigam. Por mais escuso e covarde que uma traição possa ser, de fato, no mínimo isso significa que a outra pessoa não está feliz no relacionamento.
O que eu realmente acho, é que a traição é o estopim de outros problemas no relacionamento. A raiva contra o amante parece não ser nada além de um desvio da própria responsabilidade no "fracasso". Não estou dizendo que o traidor não deva ser responsabilizado, mas como uma relação é inicialmente algo entre duas pessoas, a parte que procurou a terceira é que tem o problema, não o amante. Esse, por vezes, não sabe qual é a verdadeira situação da pessoa com quem está saindo. E vamos e convenhamos, se o seu homem/mulher pulou a cerca, foi ele que te traiu, não o amante. Quem tinha um compromisso afinal?
Culpar o amante é fácil, mas bastante idiota. Para muitas mulheres é mais fácil acreditar que os homens são criaturas de carne fraca, criados para "cobrir" várias fêmeas e que no fundo são é pobres vítimas da própria natureza e dessas mulheres sensuais. Então, culpando a amante, elas deixam o caminho livre para perdoar o traidor e, é claro, ser traída novamente. Afinal, o cara acaba entendendo que no fundo, foi tudo culpa da bandida, como sua mulher bem "falou".
Claro que é fácil falar quando não se está na pele d@ corn@
Mas em todos os episódios, uma coisa me chamou a atenção. O ódio pela traição recaí em 95% dos casos, em cima do amante. Os traídos vão para cima dele com tudo e tem que ser segurados pela produção do programa. Mesmo sabendo que o programa faz um pouco de vista grossa para agressões contra o traidor, a maioria dos traídos quer mesmo é tirar satisfações com o amante.
Esse comportamento não é esclusividade norte-americano. Lembro que dos muitos casos que conheço de mulheres que são "trocadas", a culpa de toda a sua de sua má sorte cai na "bandida". Além do velho mito do machão que mata o "cabra safado" e a mulher "mardita". Eu, particularmente, acho que a traição é algo um pouquinho mais complicado do que apenas uma terceira pessoa mal intencionada que quer "roubar" o seu homem (ou mulher). Para falar a verdade, muitas vezes é absolutamente o contrário. A questão é que se um não quer, dois não brigam. Por mais escuso e covarde que uma traição possa ser, de fato, no mínimo isso significa que a outra pessoa não está feliz no relacionamento.
O que eu realmente acho, é que a traição é o estopim de outros problemas no relacionamento. A raiva contra o amante parece não ser nada além de um desvio da própria responsabilidade no "fracasso". Não estou dizendo que o traidor não deva ser responsabilizado, mas como uma relação é inicialmente algo entre duas pessoas, a parte que procurou a terceira é que tem o problema, não o amante. Esse, por vezes, não sabe qual é a verdadeira situação da pessoa com quem está saindo. E vamos e convenhamos, se o seu homem/mulher pulou a cerca, foi ele que te traiu, não o amante. Quem tinha um compromisso afinal?
Culpar o amante é fácil, mas bastante idiota. Para muitas mulheres é mais fácil acreditar que os homens são criaturas de carne fraca, criados para "cobrir" várias fêmeas e que no fundo são é pobres vítimas da própria natureza e dessas mulheres sensuais. Então, culpando a amante, elas deixam o caminho livre para perdoar o traidor e, é claro, ser traída novamente. Afinal, o cara acaba entendendo que no fundo, foi tudo culpa da bandida, como sua mulher bem "falou".
Claro que é fácil falar quando não se está na pele d@ corn@
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Tomando café velho, encore.
Eu devo ter sido um ruminante na outra incarnação. É, não é todo dia que uma mulher admite isso, mas enfim, eu rumino. E me arrependo muito as vezes de ruminar as coisas antes de responder. Não consigo contar quantas vezes levei desaforo para casa porque não queria magoar ninguém sem me dar conta que acabava deixando as pessoas me magoarem impunimente. Muitas vezes usando um "foi mal" aqueles que me magoavam conseguiam seu perdão com um simples "tudo bem" da minha parte.
Muitas vezes eu ficava tão surpresa com a natureza dos comentários que era incapaz de revidá-los. Outras vezes eu fizia uma longa auto-análise para saber se tais acusações a minha pessoa tinham fundamento. Mas posso dizer que esse última era mínima. É muito raro encontrar pessoas que façam críticas sinceras e contrutivas. E eu não me ofendo com críticas. Mas... como disse, eu as rumino demais. Tanto que as vezes tenho raiva de mim mesma.
Eu tentei entender de onde vem esse hábito, porque afinal, todos na minha família parecem ser absurdamente diferente. Falam coisas ofensivas em tom de brincadeira e tá resolvido. Se vc se ofende o problema é seu, porque é muito sensível, e isso não é bom. Não é normal... Eu me lembro de ir ao psicólogo quando era adolescente porque os meus pais estavam de fato preocupados com o comportamento dos filhos. No meu caso, eu passava as sessões discutindo com a psicóloga, que tinha o mesmo nível intelectual que uma menina de 14 anos, o porque as pessoas se ofendiam quando eu falava o que pensava.
Bom, em parte ela me ajudou a entender que a maioria das perguntas pessoais são retóricas. Por outro lado, eu tinha aprendido bem com uma pessoa como pintar a verdade com retoques de crueldade. Felizmente, nunca superei meu mestre.
Hoje em dia eu pergunto porque me pergunto demais? Me coloco em situações desagradáveis por causa desse comportamento. Coisas que seriam deixadas de lado se eu devolvesse o comentário no mesmo nível. Coisas do tipo, "nossa, vc está gorda", se eu simplesmente respondesse "e vc continua burra". Eu devolveria na mesma altura e talvez até fizesse a pessoa enxergar a merda que disse. Uma vez eu tentei essa, e recebi até um pedido de desculpas, de um francês!
Concordo que pensar antes de falar é sempre um bom hábito, mas quando o seu pensamento não é tão rápido que possa encontrar uma resposta ao mesmo tempo inteligente e polida, devolva no mesmo nível. O agressor não poderá reclamar sem apontar o dedo para si mesmo. Outra coisa importante é se lembrar de ligar o botão do foda-se quando falar com determinadas pessoas, porque se vc deixar, elas vão ser o seu inferno.
Muitas vezes eu ficava tão surpresa com a natureza dos comentários que era incapaz de revidá-los. Outras vezes eu fizia uma longa auto-análise para saber se tais acusações a minha pessoa tinham fundamento. Mas posso dizer que esse última era mínima. É muito raro encontrar pessoas que façam críticas sinceras e contrutivas. E eu não me ofendo com críticas. Mas... como disse, eu as rumino demais. Tanto que as vezes tenho raiva de mim mesma.
Eu tentei entender de onde vem esse hábito, porque afinal, todos na minha família parecem ser absurdamente diferente. Falam coisas ofensivas em tom de brincadeira e tá resolvido. Se vc se ofende o problema é seu, porque é muito sensível, e isso não é bom. Não é normal... Eu me lembro de ir ao psicólogo quando era adolescente porque os meus pais estavam de fato preocupados com o comportamento dos filhos. No meu caso, eu passava as sessões discutindo com a psicóloga, que tinha o mesmo nível intelectual que uma menina de 14 anos, o porque as pessoas se ofendiam quando eu falava o que pensava.
Bom, em parte ela me ajudou a entender que a maioria das perguntas pessoais são retóricas. Por outro lado, eu tinha aprendido bem com uma pessoa como pintar a verdade com retoques de crueldade. Felizmente, nunca superei meu mestre.
Hoje em dia eu pergunto porque me pergunto demais? Me coloco em situações desagradáveis por causa desse comportamento. Coisas que seriam deixadas de lado se eu devolvesse o comentário no mesmo nível. Coisas do tipo, "nossa, vc está gorda", se eu simplesmente respondesse "e vc continua burra". Eu devolveria na mesma altura e talvez até fizesse a pessoa enxergar a merda que disse. Uma vez eu tentei essa, e recebi até um pedido de desculpas, de um francês!
Concordo que pensar antes de falar é sempre um bom hábito, mas quando o seu pensamento não é tão rápido que possa encontrar uma resposta ao mesmo tempo inteligente e polida, devolva no mesmo nível. O agressor não poderá reclamar sem apontar o dedo para si mesmo. Outra coisa importante é se lembrar de ligar o botão do foda-se quando falar com determinadas pessoas, porque se vc deixar, elas vão ser o seu inferno.
quinta-feira, 10 de março de 2011
A Suécia pode ser um país mais igualitário, mas...
os suecos não são tão diferentes assim.
Eu nem sei se devia colocar isso aqui por que minhas informações são baseadas num comentário que me chegou através do Marcos. Mas sei lá, isso mexeu comigo um pouco. Ele estava me contando que antes de eu chegar ele ficou hospedado numa residência estudantil. Aqui as coisas são um pouco mais diferentes. As residências pertencem a nações que são suecos que tem algo em comum, ou a nação, ou uma visão política e etc. Ele ficou na nação mais aberta de todas, uma socialista, anarquista e sei lá oq. Mas td bem que tinha um fato curioso. O presidente da nação era totalmente contrário aos ideias da nação e barrava estrangeiros e td mais. O Marcos ficou lá meio que escondido. Mas com a conivência de todos da nação q não fossem o presidente.
Fato é que como ele estava morando numa residência estudantil, logo fez amizades com os estudantes e talz. E bom, pediu ajuda para alugar um apê. Os seus colegas, logo sabendo que ele era brasileiro, quiseram saber das brasileiras. Claro que não perguntaram coisas muito sórdidas, ou se perguntaram ele não me contou. Mas como bom feminista q ele se tornou, tomou muito cuidado com as respostas. Qnd ele me contou dessa história, eu logo perguntei oq eles achavam das brasileiras. Sabe, as pessoas tem idéias pré-concebidas sobre quase tudo e quando perguntam alguma coisa sobre elas querem confirmá-las ou não. Mas sabe o que o sueco falou para o Marcos? Que as brasileiras eram melhor porque cuidavam dos namorados e maridos. Isso pode ser lisonjeiro, mas para mim soou enormemente misógino. Será então que é verdade q os europeus procuram uma esposa latina para servir de empregada e babá para eles????
Pelo menos o Marcos salvou a nossa pele. Ele disse que mesmo as mulheres brasileiras e sem estudo estão cada vez mais chefiando as famílias e cada vez menos querendo homens encostados nelas. E ele disse tbm que apesar de ainda existir essa mentalidade entre as brasileiras, ela estava ficando cada vez mais rara (quem me dera!). E o cara perguntou de mim (se eu era uma empregadinha). Bom, ele disse que não gostava de mulheres dependentes e que eu tinha acabado de defender uma dissertação de mestrado em gênero. O sueco completou "É, então a sua esposa é diferente". Eu fico feliz com o elogio do meu marido, mas puta com a mentalidade do sueco. Suecas, acordem! Seus homens são chauvinistas disfarçados!? Será?
Eu nem sei se devia colocar isso aqui por que minhas informações são baseadas num comentário que me chegou através do Marcos. Mas sei lá, isso mexeu comigo um pouco. Ele estava me contando que antes de eu chegar ele ficou hospedado numa residência estudantil. Aqui as coisas são um pouco mais diferentes. As residências pertencem a nações que são suecos que tem algo em comum, ou a nação, ou uma visão política e etc. Ele ficou na nação mais aberta de todas, uma socialista, anarquista e sei lá oq. Mas td bem que tinha um fato curioso. O presidente da nação era totalmente contrário aos ideias da nação e barrava estrangeiros e td mais. O Marcos ficou lá meio que escondido. Mas com a conivência de todos da nação q não fossem o presidente.
Fato é que como ele estava morando numa residência estudantil, logo fez amizades com os estudantes e talz. E bom, pediu ajuda para alugar um apê. Os seus colegas, logo sabendo que ele era brasileiro, quiseram saber das brasileiras. Claro que não perguntaram coisas muito sórdidas, ou se perguntaram ele não me contou. Mas como bom feminista q ele se tornou, tomou muito cuidado com as respostas. Qnd ele me contou dessa história, eu logo perguntei oq eles achavam das brasileiras. Sabe, as pessoas tem idéias pré-concebidas sobre quase tudo e quando perguntam alguma coisa sobre elas querem confirmá-las ou não. Mas sabe o que o sueco falou para o Marcos? Que as brasileiras eram melhor porque cuidavam dos namorados e maridos. Isso pode ser lisonjeiro, mas para mim soou enormemente misógino. Será então que é verdade q os europeus procuram uma esposa latina para servir de empregada e babá para eles????
Pelo menos o Marcos salvou a nossa pele. Ele disse que mesmo as mulheres brasileiras e sem estudo estão cada vez mais chefiando as famílias e cada vez menos querendo homens encostados nelas. E ele disse tbm que apesar de ainda existir essa mentalidade entre as brasileiras, ela estava ficando cada vez mais rara (quem me dera!). E o cara perguntou de mim (se eu era uma empregadinha). Bom, ele disse que não gostava de mulheres dependentes e que eu tinha acabado de defender uma dissertação de mestrado em gênero. O sueco completou "É, então a sua esposa é diferente". Eu fico feliz com o elogio do meu marido, mas puta com a mentalidade do sueco. Suecas, acordem! Seus homens são chauvinistas disfarçados!? Será?
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